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Atenção: Importância da dengue

Órgãos do Estado alertam gestores sobre provável epidemia

A dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 2,5 bilhões de pessoas, ou seja, 2/5 da população mundial estão sob risco de contrair dengue.

No Brasil, o quadro epidemiológico atual caracteriza-se pela ampla distribuição do Aedes aegypti em todas as regiões e uma complexa dinâmica de dispersão do vírus, com circulação simultânea dos quatro sorotipos (DENV1, DENV2, DENV3 e DEN4).

As intervenções para enfrentamento da dengue são reconhecidas como de difícil implantação, que transcende o setor saúde, por seu caráter de atuação global. Algumas outras ações, entretanto, são de responsabilidade imediata dos gestores de saúde locais e potencialmente capazes de produzir mudanças efetivas no quadro atual, com destaque para a redução da letalidade dos casos de dengue com complicação e de febre hemorrágica da dengue.

Com a reintrodução do Aedes aegypti em nove Municípios da região oeste do Estado de São Paulo, em 1985, houve uma rápida propagação do vetor por todo o território. Hoje são considerados infestados pelo vetor, 581 Municípios (90% do total de Municípios do Estado) onde vivem, sob o risco de contrair dengue, 94% da população paulista (Figura 1).

Embora em 1987 tenha havido transmissão de dengue, a sua instalação efetiva no Estado se deu a partir de 1990. A partir daí, em todos os anos foram registrados casos. (Veja figura 1).
Não há tratamento específico para a dengue e os estudos com a vacina contendo os quatro sorotipos ainda não estão finalizados. Desta forma as ações preconizadas dizem respeito ao controle do vetor e à redução de danos nos casos registrados. Espera-se com a adoção dessas medidas, diminuir a transmissão e a letalidade da doença. Para a execução dessas ações, devem ser trabalhados de forma integrada os aspectos referentes às vigilâncias epidemiológica e laboratorial, controle de vetores e vigilância sanitária, assistência e ações em educação, comunicação e mobilização social.

Controle
A experiência adquirida em 30 anos de trabalho no combate ao mosquito Aedes aegypti permitiu ao Estado e Municípios a definição conjunta da estratégia de ação de vigilância e controle vetorial no âmbito estadual, em consonância com as normas preconizadas pelo Ministério da Saúde (MS).
Desta forma, as medidas podem ser divididas em rotineiras - que devem ser realizadas de forma contínua e sistemática e de controle de transmissão - realizadas quando da identificação de casos suspeitos ou confirmados.

As medidas de rotina preveem visita a todos os imóveis localizados na área urbana dos Municípios com objetivo de combater as formas imaturas do vetor.
Em períodos de risco de transmissão são realizadas aplicações espaciais de inseticidas (fumacê) para eliminação da forma alada do vetor, possivelmente infectada com o vírus da dengue, além da intensificação das ações de visita a imóveis.

É de suma importância a manutenção de equipes para a realização dessas ações de forma permanente, ao longo de todo ano, pois é sabido que essas medidas tendem a diminuir a intensidade da transmissão e consequentemente, a ocorrência de casos graves e óbitos.

Outra questão importante é o entendimento de que a participação da população é essencial, sendo um dos eixos do programa de controle de dengue. No entanto, esta participação não acontece por acaso e para tanto são programadas atividades que estimulem o protagonismo social mais efetivo nas ações de vigilância e controle da doença. As ações intersetoriais integradas são outra vertente do controle e vêm sendo trabalhadas por intermédio do Comitê Estadual de Mobilização contra Dengue.


Figura 1: Situação Epidemiológica no Estado – incidência e série história (10 anos). Número de casos confirmados de dengue e coeficiente de incidência por 100.000 habitantes, ESP de 1987 a 2011.

Vigilância
Dentre os principais objetivos da Vigilância Epidemiológica está o de detectar precocemente: os casos de dengue, visando promover tratamento adequado e oportuno e reduzir a morbidade; o aumento de ocorrência da doença, para adoção de medidas de controle, evitando que processos epidêmicos se instalem.

A Vigilância Epidemiológica também visa a realização de investigação para acompanhar sistematicamente a evolução temporal da incidência de casos de dengue em cada área e confrontar essas informações com os índices de infestação vetorial; organizar discussões conjuntas com equipes de controle de vetores, bem como de assistência, sobre a necessidade de capacitação de profissionais de saúde; discutir os resultados das investigações de óbitos e demais medidas do plano de contingência; alertar os níveis hierárquicos superiores quando se observar risco de epidemias e investigar o local provável de infecção, verificando cuidadosamente a possibilidade de autoctonia.

A Dengue é doença de notificação compulsória e os casos graves e óbitos suspeitos devem ser notificados em 24 horas. A partir da Notificação de casos, é realizado o diagnóstico laboratorial e, em algumas situações, também o isolamento viral para identificação do sorotipo circulante (mapa abaixo) e, diante da confirmação, preenchida a Ficha de Investigação Epidemiológica, com informações que vão subsidiar as ações de controle, que abrangem as áreas de Assistência, Controle de Vetores, Vigilância Sanitária e Educação, Comunicação e Mobilização Social, em ações integradas e de cobertura estadual, compreendendo os níveis central e regionais.


Sorotipos circulantes no Estado de São Paulo, segundo Grupo de Vigilância Epidemiológica, 2011.
       
Perspectivas para o próximo verão
Para avaliar o nível de infestação dos Municípios, o Estado realiza mensalmente levantamento de índice larvário mediante processo amostral nas diversas regiões paulistas. A comparação dos valores encontrados com a série histórica obtida em mais de 10 anos de medidas, permite avaliar se esse nível de infestação está dentro dos limites esperados, ou se há alguma situação que aparenta anormalidade.

Dados do ano de 2012 indicam que a infestação manteve-se em níveis acima do esperado em boa parte do primeiro semestre e apresenta-se mais favorável à proliferação do vetor, uma tendência preocupante.

Essa situação fica agravada pela não interrupção, no período de inverno, da transmissão em várias regiões e registro de aumento de casos em outras regiões, a partir do mês de outubro deste ano. Este cenário lembra em muito aquele vivenciado no ano de 2009, que precedeu a maior epidemia do Estado, no ano de 2010.

Em relação ao número de casos, neste ano de 2012, até 1/11, foram registrados 21.063 casos com transmissão no Estado, com 12 óbitos. Apesar do decréscimo no número de casos, em relação a 2011, a região de Taubaté mantém transmissão elevada e, diferentemente das demais regiões, as de Araçatuba e da Baixada Santista registram aumento no número de casos em 2012.
A desmobilização da população verificada em anos de baixa transmissão como foi 2011/2012, a possibilidade de expansão da transmissão pelo sorotipo ‘4’ da doença para o qual a susceptibilidade da população é geral e a troca de gestão municipal, o que pode levar a desestruturação de equipes de controle, potencializam o risco que os dados entomológicos parecem apontar.


Evolução da infestação por Aedes aegypti no Estado de São Paulo

Diante deste cenário, recomenda-se que os gestores:
1. Propiciem gestão integrada do seu programa de controle de dengue;
2. Mantenham as equipes de controle de vetores para a realização das ações de forma permanente, ao longo de todo ano;
3. Busquem a articulação entre as áreas que tenham interface com o controle de dengue no Município, de forma intra e intersetorial;
4. Disponham de plano de comunicação e mobilização social para períodos epidêmicos e não epidêmicos.

As epidemias de dengue, embora sejam de difícil e complexo controle, podem ter seu impacto bastante minimizado quando há investimentos na implementação das ações integradas preconizadas.

 

Fonte: SES-SP

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Dengue, Alerta, Controle, Gestores, Combate
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Edição 181 - Setembro / 2017
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