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Simulador: Confira a projeção de casos de COVID-19 e a disponibilidade de leitos – Atualização 13 de setembro

Simulador: Confira a projeção de casos de COVID-19 e a disponibilidade de leitos – Atualização 13 de setembro

Neste ano o país vem enfrentando a maior calamidade de saúde pública de sua história, com a pandemia do Coronavírus. E o estado de São Paulo foi, desde o início, o epicentro da pandemia com o maior número de casos confirmados e maior número de óbitos até o momento (junho de 2020).

Os gestores municipais buscaram, nesse período, reorganizar a atenção à saúde para responder aos desafios de atender aos casos suspeitos e confirmados de COVID-19; obrigados em curto espaço de tempo a criar novas rotinas com fluxos exclusivos para atendimento de sintomáticos respiratórios; incorporar o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para vários procedimentos; rever atendimento de pacientes crônicos e com outras patologias, lidar com o medo dos trabalhadores da saúde, e os afastamentos em função da contaminação de médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, entre outros; e ampliar, em parceria com o estado, leitos de Clínica Médica e de UTI.

Neste cenário assistimos à ausência de uma coordenação nacional pelo ministério da Saúde em relação às diretrizes para medidas de redução de transmissão da doença e regras de isolamento social; falta de uma política de testagem e fornecimento de insumos e EPI para realização de RT-PCR, e fornecimento do quantitativo necessário de Testes Rápidos. Faltaram, desde o início da epidemia, normas técnicas e recursos financeiros para implantação de hospitais de campanha, centros de atendimento COVID e centros de acolhimento para populações vulneráveis.

No estado de São Paulo foram tomadas três medidas fundamentais para o controle da epidemia:
a) isolamento social;
b) ampliação da capacidade de atendimento hospitalar para COVID; e
c) ampliação da testagem, com disponibilização de maior quantitativo de RT- PCR aos municípios a partir de junho, porém ainda não há insumos suficientes (Swab/tubos e EPI) para garantir a coleta ampliada das amostras.

No dia 31 de maio o Governo de estado apresentou o Plano São Paulo, com proposta de mudar um dos pilares do controle da epidemia e implantar medidas de flexibilização do isolamento social, com base na capacidade do sistema de saúde de internar e cuidar dos casos graves.

As experiências internacionais, bem como o conhecimento científico acumulado sobre a pandemia de Coronavírus, indicam que a única maneira de reduzir o número de infectados é o isolamento social. Outra recomendação feita por especialistas de todo mundo para situações de maior transmissão da doença é o chamado “lockdow”, com fechamento radical de praticamente todas as atividades econômicas e proibição da circulação das pessoas nas cidades.

A decisão de adotar medidas de flexibilização do isolamento social do Plano São Paulo, baseadas na capacidade de internar casos graves em leitos hospitalares das regiões do estado causam grande preocupação aos especialistas em saúde pública e epidemiologia, aos gestores e profissionais de saúde. Todos apontam o risco de haver um crescimento ainda maior de casos de COVID-19 em todo o estado.

Neste sentido, o COSEMS/SP tem buscado estratégias para apoiar os gestores nesse momento crucial em que o Plano São Paulo aponta medidas de flexibilização do isolamento social, com as curvas ainda crescentes de casos novos e óbitos no estado.

Uma dessas estratégias é a utilização da ferramenta “Simulador de Casos e Leitos Hospitalares- COVID-19” para uso dos municípios do estado de São Paulo, que permite o monitoramento de casos de COVID-19 nas regiões e municípios.

Essa ferramenta, desenvolvida pelo Departamento de Engenharia de Produção e do Núcleo de Educação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Minas Gerais, por meio do Laboratório de Tecnologias de Apoio à Decisão em Saúde (LABDEC), permite o monitoramento de casos de COVID-19 nos estados e municípios brasileiros e apresenta uma modelagem matemática para estimar a transmissão do vírus em momentos futuros e a disponibilidade de leitos UTI e de enfermaria de clínica médica nos estados em cada período, bem como os impactos das políticas de distanciamento social nesse processo.

Essa ferramenta está disponível para acesso pelo link https://labdec.nescon.medicina.ufmg.br/webcovid19/

O COSEMS/SP firmou uma parceria com os pesquisadores do LABDEC visando a customização da ferramenta, o que possibilitou sua utilização pelos territórios dos Departamentos Regionais de Saúde (DRS) da SES/SP. Essa ferramenta será enviada semanalmente e-mail aos gestores municipais, com atualização de número de casos e leitos.

Essa atualização utilizará como fonte de dados dos casos novos de COVID-19 os Boletins do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE/SES-SP), disponíveis na página do SEADE (https://www.seade.gov.br/coronavirus). Para o número de leitos de UTI e Clínica Médica SUS a fonte é o Mapa de Leitos do Estado São Paulo e para os leitos não SUS a fonte é o CNES. Tais atualizações visam ajustar o modelo matemático utilizado e aumentar a capacidade de previsão.

Os parâmetros utilizados para as estimativas têm referências internacionais e científicas publicadas para tempo de internação dos pacientes, número de novos casos e percentual da população infectada. As premissas também podem ser mudadas e validadas pelos gestores e profissionais da saúde.

A partir dessa ferramenta, o COSEMS/SP está realizando uma análise do Decreto nº 64.994/2020, que instituiu o Plano São Paulo e definiu quatro fases com lógica decrescente de graus de restrição de serviços e atividades – vermelha, laranja, amarela e verde, de acordo com a combinação de indicadores de capacidade do sistema e evolução da epidemia, para cada região do estado.

Análise comparativa: Simulador de Leitos e Plano São Paulo

Nessa análise o usuário pode verificar a cor definida pelo Decreto ( 13ª atualização) para sua região e as informações do simulador por meio do arquivo em PDF disponível aqui para download – resultados simulador 13_09 e PLANO SP 11_09 com analise, além de gráficos por região com a situação de casos novos, óbitos, internações e calculo do R efetivo

Na versão atualizada até 13/09/2020 as estimativas calculadas pelo simulador consideram o número de casos com as taxas de isolamento social dos últimos dias.

Com a flexibilização do isolamento social pode haver elevação das curvas que ainda estão em ascensão e impacto negativo naquelas que iniciam seu declínio nesse momento ou nos próximos dias.

Nenhum país que conseguiu controlar as taxas de infecção flexibilizou o isolamento social com curvas de contágio ascendentes. Por mais leitos que o sistema de saúde tenha capacidade de ampliar, essa ampliação nunca será compatível com a elevação do número de casos.

Neste sentido, reiteramos que a missão dos sistemas de saúde deve ser evitar a doença e posteriormente prover os cuidados aos que adoeceram, pois mesmo se fosse possível ter a totalidade de leitos necessários, ainda assim sabemos que pessoas irão a óbito, pois o mundo ainda não dispõe de terapias e medicamentos que garantam a cura da COVID-19.

Com base nos resultados obtidos a cada análise, recomendamos que não somente mais leitos sejam criados, mas, sobretudo, que tenhamos ampliação dos testes e que o isolamento social seja intensificado enquanto não observarmos uma tendência de diminuição da curva de contágio por, pelo menos, 15 dias.

 

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