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Na adolescência, é comum ter a expansão do interesse nas relações com os pares e a diminuição do contato com a família nuclear. Entretanto, no Transtorno do Espectro Autista (TEA), os adolescentes apresentam pouco interesse nas relações sociais, e estão mais suscetíveis a desenvolver sintomas de depressão e ansiedade. Além disso, apresentam dificuldades na reciprocidade emocional e social, em compartilhar interesses e estabelecer uma conversa, reconhecer gestos e expressões faciais, iniciar, manter e entender relacionamentos. Dessa forma, o presente trabalho visa apresentar o desenvolvimento de um grupo com adolescentes autistas na cidade de Cândido Mota, estado de São Paulo.
Contribuir para o desenvolvimento de vínculos: compartilhamento de experiências; resolução de problemas; autonomia; habilidades de comunicação e interação social.
O grupo terapêutico baseia-se na ABA (Análise do Comportamento Aplicada), que é uma ciência que tem como objetivo melhorar o comportamento humano, produzir o bem-estar das pessoas, a autonomia, e a capacidade de viver socialmente. Na seleção foram levantados os seguintes critérios: faixa etária (12 a 18 anos); estar em atendimento individual há pelo menos 6 meses; ter o diagnóstico de TEA, sem comorbidades associadas; Nível 1 de suporte; e apresentar limitações nas interações sociais. A partir desse levantamento, foram selecionados 4 (quatro) participantes para compor o grupo. Os encontros são realizados em formato quinzenal, e seguem o modelo descrito por Brasileiro e Pereira (2018) que é dividido em três etapas: a primeira ocorre o treino de habilidades básicas de conversação; na segunda etapa, tem a ampliação do repertório de conversação, reconhecimento de emoções, treino de cooperação e competição com a utilização de jogos; e por fim, a desestruturação do grupo. Durante os encontros são apresentados modelos e feedbacks da terapeuta, assim como, a construção de histórias sociais, utilização de scripts, vídeos e saídas terapêuticas.
Desde 2023 até o presente momento, foram realizados 40 encontros quinzenais, o que implica relatar sobre a evolução dos adolescentes nesse período. Foram realizados treinos para desenvolvimento das habilidades de comunicação (que é a capacidade de iniciar um diálogo, responder perguntas, fazer elogios ou críticas); de civilidade (saber se apresentar, despedir e agradecer); de sentimento positivo (fazer amizades e ser solidário), de autocuidado e autonomia, que pertencem a primeira e a segunda etapa descrita por Brasileiro e Pereira (2018). Vale mencionar que dois dos participantes do grupo iniciaram cursos profissionalizantes e estão se preparando para o mercado de trabalho, o que implica ressaltar sobre a importância de preparar esses adolescentes no espectro para a vida adulta.
Estudos apontam que o trabalho com grupo de adolescentes autistas ainda é pouco estudado, mostrando assim, a importância de mais pesquisas desenvolvidas sobre esse tema, pois é comum adolescentes e jovens autistas sentirem-se solitários e em prejuízo em diversas áreas da vida, como trabalho, amizades e relacionamentos, por não saberem o que fazer e como lidar em situações que exigem competências que ainda não foram desenvolvidas devido ao diagnóstico de TEA.
Adolescentes, Transtorno do Espectro Autista
MEIRIZE PICOLI DE LIMA