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As arboviroses urbanas são agravos de relevância em saúde pública com importância crescente em ambientes urbanos com marcada sazonalidade e epidemias e surtos frequentes, notadamente a Dengue. Em 2024 o estado de São Paulo apresentou 2.178.759 casos prováveis de Dengue, com um coeficiente de incidência de 4.739,2 casos por 100 mil habitantes, 2.169 óbitos e letalidade de casos prováveis de 0,10 (MS). Essa epidemia correspondeu a um aumento de 6,5 vezes o número de casos de 2023 e 7,4 vezes o número de óbitos por dengue, com uma elevação de quase 10% da letalidade. Se o controle do vetor Aedes aegypt pode ter importância fundamental na diminuição da carga de doença e transmissão, devendo ser realizado durante todo o ano, as ações não tem sido suficientes para conter o avanço e consolidação da doença em decorrência de uma realidade complexa de múltiplos fatores: descontinuidade das ações, uso de técnicas não efetivas por implantação parcial ou eficácia científica não estabelecida. Durante o recrudescimento da transmissão, a visibilidade dos casos tende a ser respondida pelos gestores locais com ações focadas no combate ao vetor e as ações clínicas de rede têm menor ênfase.
Ampliar a sensibilidade diagnóstica de casos de dengue com estratégia ativa de busca e identificação Detecção precoce de casos para início imediato de estratégias de hidratação e controle ativo de possíveis complicações Redução da letalidade dos casos de dengue com a introdução de tratamento precoce através da hidratação e controle de sintomas
A secretaria de saúde de São Caetano do Sul desenvolveu um plano de manejo da Dengue durante a epidemia de 2024 com manutenção das estratégias de combate ao vetor e disseminação de algoritmo de identificação e classificação de suspeitos de Dengue, realização de exames e orientação de hidratação precoce e identificação de Sinais de Alarme nas unidades de emergência e urgência: UPA e PSs, como fazia todos os anos. Em 2024 implantou em área adaptada para isso, um dispositivo em todas as Unidades Básicas de Saúde, denominado ECAD – Equipe de Cuidado Avançado de Dengue, com as seguintes características: •Coordenação da enfermagem para acolhimento, classificação e encaminhamento oportuno na unidade, realização de teste rápido em casos suspeitos, •NOTIFICAÇÃO DO CASO SUSPEITO à Vigilância Epidemiológica. •Diante da situação epdemiológica os casos suspeitos de Dengue, Chikungunya ou Zica devem ter a inves�gação diagnós�ca realizada através dos exames adequados, mas o MANEJO CLÍNICO DEVE SER REALIZADO CONSIDERANDO O CASO COMO DENGUE ! •Supervisão e observação em área de HIDRATAÇÃO PRECOCE – HP em que estarão pacientes classificados com risco A e B para recebimento de hidratação oral, orientações de soro caseiro e distribuição de SRO e início da hidratação precoce. •Pacientes classificados como C e D, iniciar imediata hidratação endovenosa enquanto se aguarda encaminhamento ou transferência, •Atendimento de pacientes em retorno à unidade para realização de controles: medidas
A ativação dos dispositivos ECAD ampliou a prontidão, foco e detecção precoce dos casos suspeitos e confirmados de Dengue pela Atenção Básica- AB e realizou a contenção e controle da evolução clínica dos casos reduzindo o seu agravamento, com a hidratação precoce e a atenção cuidadosa e oportuna. A decisão de agir sobre casos confirmados e suspeitos prováveis aumentou a sensibilidade da detecção da Dengue pelas unidades de saúde e permitiu a ação mais efetiva no manejo da Dengue, a hidratação e controle de sintomas. Um dos efeitos imediatos dessa prontidão da AB foi a queda importante no atendimento de casos e suspeitos de Dengue nos Pronto Socorros do município que, desta forma, conseguiram trabalhar melhor os casos em que sinais de alarme estavam presentes e a intervenção de cuidados hospitalares e críticos são decisivos para o melhor cuidado dos doentes. Mas o principal resultado a ser destacado foi, apesar do maior registro de casos confirmados e prováveis, a contenção da letalidade da Dengue no município de São Caetano do Sul, a menor da região do ABC como indica o quadro abaixo. Mas o principal resultado a ser destacado foi, apesar do maior registro de casos confirmados e Quadro 1 – Distribuição dos casos prováveis de Dengue, óbitos e letalidade, segundo município da região do ABC em 2024, segundo notificações ao SINAN. Município do ABCD*Casos prováveisÓbitos por dengueLetalidade por Dengue Santo André14.396210,15 São Bernardo13.249160,12 São Caetano do Sul
O enfrentamento dos desafios sanitários exige a revisão e reestudo das estratégias de ação sobre cada agravo segundo suas características e pontos de vulnerabilidade para ações mais efetivas embasadas no conhecimento científico disponível e em boas práticas. A implantação de dispositivos na Atenção Básica que se adaptem às características sanitárias de cada momento exigem flexibilidade e organização segundo características fundadoras dos cuidados primários e em rede. A implantação do ECAD em São Caetano do Sul não representou gastos adicionais para o sistema local, ao contrário organizou a demanda a partir da AB, reduziu a carga de atendimento das emergências, reduziu a letalidade da epidemia e salvou vidas, com a cooperação e ação integrada no município da inteligência epidemiológica da Vigilância Epidemiológica. Podemos supor que a significativa contenção da Letalidade por Dengue em São Caetano do Sul pode ser efeito da implantação do dispositivo ECAD e da prontidão e preparo da Atenção Básica para intervir com cuidados primários no controle dos casos de Dengue. A coordenação dos trabalhos em rede permitiu acompanhar o ritmo da epidemia e criar mecanismos antecipatórios de controle para promoção e proteção da saúde.
dengue, arboviroses urbanas, desafios sanitários
DANILO SIGOLO ROBERTO, FABIO BERTOLA AGOSTINI, GABRIELA GARCIA FUENTES, GABRIELA TONON DE OLIVEIRA XAVIER, MARIA DE LOURDES ASENCIO MILANI, MELISSA VAUTIER, NEIDE HIROMI MIYAGI MIYAZAKI, REGINA MAURA ZETONE GRESPAN, SERGIO FERNANDO RODRIGUES ZANETTA, VALQUIRIA MARIA MARTINS SILVA, MEIRYELLEN MIDIA MACEDO ROMANO, CIBELE CRISTINE REMONDES SEQUEIRA