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É função primordial das unidades de controle de zoonoses formular, criar estratégias e manter ações de vigilância, prevenção e controle dos agravos, no âmbito do SUS, sob os princípios da integralidade e universalidade. A Organização Pan-Americana de Saúde tem demonstrado preocupação com as mudanças de procedimentos técnicos, no uso das tecnologias disponíveis, na integração dos conhecimentos, nas formas de utilização dos recursos e nos modos de concretizar a participação social. Passou então a recomendar um enfoque global das ações, agrupadas de acordo com o conjunto de problemas da população, sendo executadas de forma integral, evitando-se programas isolados. São patentes e notórios os problemas que ainda afetam o desenvolvimento do SUS e não diferentemente, os serviços de controle de zoonoses, tal como a insuficiência de recursos humanos, agravados pela ausência ou pouca valorização de seu papel como órgão de vigilância e prevenção. Mogi das Cruzes possui uma extensão territorial de 712.541 km² e uma população que ultrapassa os 450 mil habitantes. Uma equipe escassa não garante a plena execução de todas as ações de vigilância e controle de agravos zoonóticos, cujos dados apontam representar mais de 60% das doenças infecciosas no mundo. O agrupamento do serviço é uma estratégia de organização de seus limitados recursos visando a máxima eficiência, o atendimento integral, universal e equânime, ainda que não seja tecnicamente possível o alcance absoluto de todo o território.
Desenvolver as atividades vigilância, prevenção e controle de zoonoses e de acidentes causados por animais peçonhentos e venenosos, de relevância para a saúde pública de forma segmentada, por bairros, seguindo uma classificação de risco, visando o atendimento sob a diretriz da integralidade e finalização por esgotamento.
São elencados bairros com base em critérios geográficos, demográficos, epidemiológicos e de viabilidade operacional, através de recursos digitais de geoprocessamento baseados em setorização epidemiológica já empregada pelo Programa de Vigilância e Controle de Arboviroses (Software MapInfo Pro 2019 e Google Earth Web), além da compilação de dados de faturamento mensal da Secretaria de Saúde e a alimentação das plataformas digitais online da Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo. Por ordem de classificação, as áreas são submetidas a diagnóstico de situação primariamente realizado pelos Agentes de Controle de Zoonoses, através da visitação domiciliar, registro de atividades e aplicação de questionário. A equipe de educomunicação em saúde ainda firma contato com todas as unidades de ensino, instituições religiosas e lideranças de bairro locais, a partir dos quais há participação dos médicos veterinários para de orientações técnicas sobre as possíveis doenças ou agravos zoonóticos de ocorrência local, bem como para o estabelecimento de vínculo profissional e obtenção de informações para a implementação das ações desenvolvidos pelo CCZ. Todos os segmentos são trabalhados por esgotamento, até que todas as ações aplicáveis à realidade epidemiológica do local sejam satisfatoriamente executadas, com pendências máximas de 15% sobre as demandas levantadas, considerando-se ainda o encaminhamento a outras pastas/órgãos/instituições de questões não atribuíveis ao CCZ.
O projeto teve início no mês de maio de 2024 e objetiva-se a reavaliação do cenário epidemiológico das áreas trabalhadas após o periodo de 1 ano. Espera-se a redução dos índices de infestação por Aedes aegypti nas área trabalhadas; redução das demandas de ouvidoria nas áreas trabalhadas; redução das taxas de incidência de doenças ou agravos zoonóticos nos anos subsequentes nas áreas trabalhadas; maior trabalho integrativo entre as diversas pastas da administração pública municipal; melhor conhecimento da população acerca do papel do Centro de Controle de Zoonoses como assegurador de saúde pública; melhor domínio do CCZ sobre as condições epidemiológicas das doenças ou agravos zoonóticos endêmicos no município; melhor conhecimento sobre a capacidade operacional real do CCZ. O Projeto conta atualmente com 10 bairros sob atividade e monitoramento para avaliação final ao término do período de 1 ano. Contudo, considerando a defnição de “saúde” pela OMS, aponta-se a necessidade da intersetorialidade entre as pastas da administração municipal, dado que as condições de saúde de uma população é determinada por condições multifatoriais.
Aos serviços de controle de zoonoses municipais recai a responsabilidade de projetar estratégias visando o máximo aproveitamento de seus limitados recursos, ainda que cientes da improbabilidade do alcance absoluto de todas as doenças/agravos a eles atribuídos no âmbito do SUS. O Centro de Controle de Zoonoses de Mogi das Cruzes divide suas atribuições técnicas em 15 programa de vigilância e controle permanentes que buscam a abrangência de todos os agravos zoonóticos epidemiologicamente identificados em seu território. Com o projeto em questão objetiva-se uma maior resolutividade das demandas, a melhoria dos indicadores de saúde relacionados aos agravos zoonóticos e a detecção de eventos, talvez, negligenciados até então.
Zoonoses, integralidade, vigilância
DEBORA FUMIE MURAKAMI