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Pacientes que necessitam de cuidado em saúde mental apresentam desafios significativos no manejo clínico e psicossocial, especialmente em momentos de crise, quando há intensa desorganização emocional e comportamental. Para esses casos, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) deve garantir suporte contínuo, evitando internações hospitalares prolongadas e promovendo o cuidado no território. Nesse contexto, os leitos de acolhimento integral em CAPS III infantojuvenil são fundamentais para oferecer suporte intensivo e temporário, estabilizando o paciente e preparando sua reinserção na rotina familiar e comunitária. Este relato descreve a trajetória de um paciente de 17 anos, do sexo masculino, negro, com diagnóstico de TEA atendido na rede municipal de saúde mental de Diadema. A experiência destaca a relevância desse recurso na estabilização do quadro clínico evitando uma internação psiquiátrica prolongada.
Descrever a importância do CAPS III Infantojuvenil na trajetória de um paciente em crise na rede municipal de saúde mental, com ênfase na importância do acolhimento integral como uma estratégia fundamental para a estabilização e o suporte integral durante momentos críticos.
Metodologia O paciente apresentava crises de agressividade direcionada aos cuidadores, inquietação, impulsividade, não sustentava espaços coletivos, e percorreu diferentes serviços da RAPS (acolhida noturna no CAPS Norte e Leste). Durante este período, o paciente apresentou diversos momentos de crise. O CAPS infantojuvenil funcionava em modalidade II, não possibilitando a continuidade do cuidado 24h. A estratégia encontrada pela equipe foi o paciente pernoitar em um serviço e fazer hospitalidade dia no CAPS infantojuvenil. Além disso foram realizadas diversas discussões do caso em reuniões de rede (CREAS, UBS, CAPS Leste e Norte). Embora as intervenções tenham refletido em melhora na relação entre o paciente e a família, não foi suficiente para elaboração do sofrimento psíquico apresentado pelo adolescente disparado pela dinâmica familiar e fatores psicossociais que desencadearam a crise. Após o CAPS infantojuvenil se tornar 24h, foi possível acolhimento integral do paciente, garantindo a continuidade do cuidado em um único serviço, incluindo: estabilização medicamentosa, rotinas adaptadas para facilitar a adaptação ao novo ambiente e intervenções psicoeducativas para a família, auxiliando no manejo pós-alta.
A possibilidade de ampliar o cuidado de paciente em sofrimento psíquico com acesso ao acolhimento 24h tem mostrado a efetividade na estabilização do quadro e na ampliação do projeto terapêutico singular (PTS) para que o paciente consiga sustentar os laços sociais, circulação no território, autonomia e escolhas. Após o período de estabilização, o paciente retornou ao convívio familiar, as atividades no território como aulas de violão, e a escola com acesso a sala de recurso, incluindo acompanhamento regular no CAPS infantojuvenil, apoio domiciliar pela equipe do CAPS infantojuvenil.
A experiência demonstrou que os leitos de acolhimento integral em CAPS III infantojuvenil são um recurso essencial para o manejo de crises em crianças e adolescentes. Essa alternativa evita internações prolongadas, preserva os vínculos familiares e possibilita um cuidado mais próximo da realidade do paciente. A trajetória do paciente na rede municipal evidenciou a importância da articulação entre os serviços da RAPS, garantindo um cuidado integral e contínuo, com ampliação de repertório na área do esporte, cultura e locais de fortalecimento de vínculo e convivência.
Crise, Caps IJ III, articulação em rede
CLAUDIA BOER ANNES DA SILVA, KELLY GOMES, ANALDECI MOREIRA DOS SANTOS