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Ubatuba conta com um serviço municipal muito especial: o Núcleo de apoio ao paciente oncológico “Francine Maia”, local de receptividade, acolhimento e atendimentos multidisciplinares aos pacientes em tratamento oncológico. A equipe do Núcleo, tradicionalmente, realiza eventos sobre o Outubro Rosa, mas no ano de 2024, solicitaram o apoio do NEPS para que o evento fosse disponibilizado de maneira interativa, considerando que teriam um grande número de participantes e que ocorreria no Teatro Municipal de Ubatuba. O Núcleo de Educação Permanente de Ubatuba (NEPS) trabalha com muitas oficinas e utiliza metodologias ativas de ensino, objetivando despertar o interesse e a criatividade dos participantes, fugindo da lógica de palestras ou técnicas verticalizadas de ensino, priorizando a construção horizontal dos saberes, pois a participação nessa construção coletiva tem o poder de transformar as práticas, saberes e democratizar o acesso a informação. Eis o desafio: auxiliar num evento de grande importância e visibilidade, utilizando técnicas de metodologias ativas de aprendizagem, que fossem envolvente, divertidas, sensível e despertasse a capacidade de conscientização sobre o câncer de mama e, ainda, que colocasse as pacientes do Núcleo, que desejavam compartilhar suas histórias, em papel de protagonismo, respeitando as suas histórias, vivências e explorando a força e a trajetória percorrida na luta contra o câncer de mama.
Narrar a exitosa parceria do NEPS com o Núcleo de Apoio ao paciente oncológico “Francine Maia”, na realização do Outubro Rosa, com a participação das mulheres em acompanhamento oncológico, destacando o seu protagonismo no processo decisório e participativo no seu tratamento. Apresentar aos participantes o conceito de cuidado paliativo, humanizando o processo de respeito aos limites da capacidade terapêutica, trazendo leveza através de atuação teatral de uma paciente em cuidados paliativos. Apresentar um desfile de moda praia, onde as modelos foram as pacientes mastectomizadas do Núcleo, onde um colaborador da sociedade civil forneceu as roupas de banho desenvolvidas para mulheres mastectomizadas, através de maiôs e biquínis desenvolvidos dentro dessa proposta, estimulando a participação dessas mulheres num universo que excede o diagnóstico.
O NEPS foi contatado pelo Núcleo Francine Maia, realizamos várias reuniões a fim de desenhar o evento a ser criado, as ideias surgiam da criatividade da querida enfermeira Sueli, idealizadora do Núcleo Francine Maia, e de seus colaboradores, o NEPS anotava as ideias e saia de cada encontro com a tarefa de materializar as propostas. Três momentos precisavam ser incluídos: A abordagem da importância do diagnóstico precoce e a rede de apoio, trazer a luz os cuidados paliativos e a autonomia e protagonismo das mulheres em acompanhamento no núcleo Francine Maia, assim como a sua autoestima e a percepção da importância da sua história pessoal, suas vivencias e a sua subjetividade na vida das pessoas que estariam no evento. Então optamos pela interação de todos através do aplicativo Mentimeter, através da projeção do grau de informação de cada um no telão do teatro, a oncologista desenvolveu as explicações de maneira simples e eficaz, a abordagem do paciente em cuidados paliativos se deu através da encenação, baseada na vivência da nossa paciente e da oncologista ao ser informada sobre ser inserida nos cuidados paliativos, trazendo a angústia, medo, aceitação e gratidão por esse processo tão complexo, e o encerramento aconteceu com o desfile de moda praia, que trouxe a proposta da autoestima e força das pacientes, foi uma performance impactante, poderosa e desenvolvida por mulheres reais, com suas histórias, medos, incertezas e celebração da vida e das pequenas grandes conquistas
O Teatro Municipal de Ubatuba alcançou a sua capacidade máxima de pessoas, tínhamos ACS, pacientes (inclusive recém diagnosticados), familiares das pacientes, profissionais de saúde e sociedade civil como um todo. A exploração do protagonismo dessas mulheres no evento foi de extrema importância e sensibilidade, o evento contou com participação de todos através do aplicativo Mentimeter, onde os participantes conseguiam em tempo real projetar as suas impressões e considerações no telão do teatro, direcionando assim a explicação da nossa médica oncologista sobre fatores de risco e demais explicações importantes. A nossa paciente em cuidados paliativos realizou uma atuação teatral com a médica oncologista, contando como foi a experiência de ser inserida na paliatividade, e esse relato sensível e extremamente rico trouxe a luz uma discussão que, muitas vezes, é desconsiderada ou não verbalizado, essa abordagem foi profunda e necessária, o evento despertou emoções intensas, a expressividade das mulheres participantes excederam a nossa vã compreensão sobre o processo saúde/doença. O encerramento aconteceu com o desfile das pacientes, ao fundo, a projeção de suas vivências, e músicas vibrantes permeando o evento, o encerramento levou os expectadores às lagrimas, uma mistura de admiração e surpresa, enfim: personificação da força da mulher na luta contra o câncer de mama.
Muitos eventos ocorrem ao longo do país no Outubro Rosa, muito se discute sobre os desdobramentos, rastreamento, condutas terapêuticas e as condições nas quais cada mulher estará enfrentando o câncer de mama. Optamos por trazer a face que pouco se aborda: a autoestima, o protagonismo, as conquistas e retrocessos ao longo do caminho, e também trazer a luz e desmistificar/ desestigmatizar os cuidados paliativos, que ainda é visto como: “não há mais nada a ser feito”. A desconstrução desse conceito aflorou emoções diversas, mudou percepções e trouxe esperança a todos os participantes, foi uma espécie de injeção de ânimo em cada um que ali estava, mas a mensagem poderosa que esse evento trouxe foi sublime: “Enquanto houver vida, há o que ser feito”. O NEPS de Ubatuba sempre atuou em outras frentes relacionadas à prevenção, recuperação e promoção da saúde, mas estar envolvido no desenvolvimento e apoio a um evento dessa magnitude, aprimorou processos de trabalho, mudou nossa concepção, foi uma experiência transformadora dos processos de trabalho.
Cancer de mama, outubro rosa, PNEPS, Ubatuba
MARIA OLIVIA PIMENTEL SAMERSLA, AMÁLIA ROCHA BARROS VIEIRA, SUELI EDNA PEDROSA DA SILVA, ANGELA MARIA DOS SANTOS PACCAGNINE, VICENTE PAULO NUNES ARAÚJO, SIMONE BRITO DOS SANTOS MARCONDES, RAUL DE OLIVEIRA BARBOSA, LUKAS GOMES DE CAMPOS, LUIZ CLAUDIO MARTINS DE ALCANTARA, KELVIN RANIERI ABREU DA SILVA, JOAO SARAGOSSA