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Quando o SUS foi criado, foi pensado e reivindicado uma atenção primária à saúde (APS) que preconizasse a prevenção e a promoção em saúde, e é incentivando o desenvolvimento e aplicação de práticas pioneiras que foi marcado seu início, assim no decorrer de sua história essas iniciativas foram normatizadas através do PNAB, essas práticas integrativas e complementares em saúde (PICS) são definidas como tratamentos que utilizam recursos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais, […] sendo a prevenção e a promoção em saúde pontos fortes de sua atuação segundo Carvalho et all (2023). Ainda para a mesma autora as PICS são preferíveis na APS já que podem ocorrer antes, depois ou concomitante ao cuidado biomédico, contribuindo para o pluralismo de cuidados à saúde. O relaxamento através de exercícios de respiração e através da concentração mental é uma ferramenta utilizada de forma milenar (Grant e Rainville, 2009), no princípio de forma religiosa e após a década de 70 através de estudos científicos (Kane, 2006). Hoje a meditação em seus mais diversos formatos está inserida na PICS e nas práticas da psicologia (Demarzo, 2011). O atendimento individualizado não tem dado conta da demanda de ansiosos que chegam no serviço em busca de atendimento psicológico, foi pensando neste cenário, que utilizei a prática que faço para benefício próprio há mais de 8 anos ininterruptos poderia ser uma estratégia coletiva de promoção e prevenção de saúde.
O Sistema Único de Saúde (SUS) desde o início incorporou Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), a meditação e técnicas de relaxamento, como a respiração diafragmática, têm sido estudadas e integradas nessas práticas para auxiliar no manejo da ansiedade e estresse. Neste ano iniciei um grupo de relaxamento meditativo no CEU Ponte Alta que atendiam a abrangência de duas unidades básicas de saúde para atender à demanda crescente por suporte psicológico. Os encontros, que incluíam técnicas de respiração e relaxamento, mostraram-se benéficas para a qualidade de vida dos participantes, este documento destaca a importância de promover essas práticas integrativas, especialmente em áreas periféricas, e sugere que é necessário investir na capacitação de profissionais para ampliar o acesso e a implementação dessas técnicas no SUS.
O grupo de relaxamento meditativo se deu no tempo de 1 hora de prática, com a técnica do silêncio, respiração diafragmática e relaxamento corporal para pessoas a partir dos 8 anos, com condições físicas de sentar no chão e condições cognitivas de compreender comandos simples para a técnica, às sextas-feiras 14 horas no Centro de Educação Unificado (CEU) Ponte Alta. O encaminhamento para este grupo se deu em um primeiro momento através da equipe E-mult das UBS’s Ponte Alta e Santa Paula e depois de alguns encontros aberto a toda população que se interessasse, foi realizado por mim com supervisão do psicólogo João Victor Rezende dos Santos em um primeiro momento e depois pelo psicólogo Luís Eduardo Alves de Carvalho. O início do planejamento, formulação, discussão e divulgação deste grupo se deu nos meses de março, abril e maio e teve seu primeiro encontro no mês de junho de 2024. Durante os encontros, foi solicitado de forma anônima que cada participante respondesse uma avaliação que tinha como pretensão sentir como cada pessoa chegava e como se sentia ao sair do encontro, para responder como se sente, eu deixei disponível um cartão com emoções e sentimentos que mais se aproximassem do que sentiam naquele momento. Os encontros ainda acontecem no mesmo dia, horário e local, com previsão de encerramento quando eu concluir meu período de residência em 2026, caso alguém da unidade se interesse na condução do grupo, o mesmo pode permanecer.
Neste grupo foi possível fornecer a possibilidade de acesso da população periférica a práticas e instrumentos de ponta em saúde mental. Pude ver através da análise da população que acessou o grupo uma incidência maior de mulheres, de maior idade e com perfil de já frequentarem outros grupos da unidade básica. Penso que o horário do grupo seja um fator determinante para este resultado. O dia da semana escolhido foi pensado justamente por já ter acontecido a semana toda e o acúmulo do estresse pode ser mais sentido. Mesmo a população que foi encaminhada e não tinha compromisso neste horário, não comparecia e dava a devolutiva no atendimento individual depois que não sentia interesse em práticas em grupo, então penso que é importante que os profissionais se apropriem dessa importante técnica para auxiliar na cultura da população sobre desacelerar em meio nossa rotina caótica. Foi possível observar que em todos os encontros pelo menos uma pessoa avaliava como saindo do encontro mais relaxado.
Concluo com essa experiência que se faz necessário cada vez mais um olhar interventivo sobre o nosso fazer na saúde pública, identificando a integralidade, universalidade e equidade em nossas práticas do dia a dia. Também existe a necessidade de incentivo para mais práticas integrativas e complementares dentro das unidades básicas de saúde, pois mesmo com a normativa, poucas são as ações que acontecem de fato nestes espaços, principalmente nas zonas mais periféricas da cidade. A prática de relaxamento, precisa ser melhor disseminada, e precisa que haja um trabalho de cultura deste tipo de prática como ferramenta de prevenção a cultura da medicamentalização. Temos aqui nesta cidade de Guarulhos um equipamento potente, que é a CEMPICs, precisamos valorizar e investir em capacitação para os servidores de todo o município, os transformando em multiplicadores e possibilitando que essas práticas cheguem a toda a população, em especial, a periférica.
meditação, relaxamento, SUS, PICS
AMANDA KARINA FERREIRA JOAQUIM