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O monitoramento realizado pelo COSEMS/SP, entre os anos de 2021 e 2025, revela um cenário de significativa rotatividade entre os gestores municipais de saúde no estado de São Paulo, com 1131 trocas registradas em 408 municípios — o que corresponde a 63% do total de cidades paulistas.
Esta instabilidade poderia impactar diretamente nas políticas públicas e colocar em risco sua continuidade, fragilizando a gestão do SUS no território. E é neste cenário que o COSEMS/SP tem tido papel fundamental!
Como uma instancia suprapartidária, representa desde sua criação, a 39 anos, os 645 municípios, paulistas, de diferentes portes e distribuídos entre os grandes centros e interior, se consolida no seu papel de defesa dos municípios. Sua participação histórica nas Comissões Intergestores Bipartite (CIB) e Comissões Intergestores Tripartite (CIT), previstas em Lei, tem contribuído significativamente para assegurar governança horizontal e contínua, com deliberações sobre as políticas públicas estaduais, que transcendem as mudanças político-partidárias.
Soma-se a isso, o seu compromisso histórico, aprovado em todas as suas Cartas anuais, na criação e manutenção de diferentes estratégias para o fortalecimento da gestão municipal e para tanto, tem diferentes estratégias para alinhamento, atualização e fortalecimento dos gestores e equipes municipais.
Além de sua Assessoria Técnica, conta com a Estratégia Apoiadores, perene a 18 anos. que atua como apoio capilar à gestão municipal nas 62 Regiões de Saúde, participando ativamente das CIR, Câmaras Técnicas e Fóruns regionais. Trabalham como agentes fundamentais na potencialização da capacidade técnica/política da gestão municipal, com processos contínuos de Educação Permanente para as equipes e Acolhimento aos novos gestores, além de adotar diferentes estratégias para fortalecimento das instancias de pactuação e governança regional.
Assim, mesmo diante de um ambiente marcado pela alta rotatividade entre os gestores municipais, o COSEMS/SP, em função da sua atuação e suas estratégias, tem assegurando apoio técnico e político às gestões, o que tem resultado em estabilidade institucional, evitando solução de continuidade para as políticas públicas pactuadas e o planejamento regional e estadual da saúde no estado.
1.1. Gráfico 1 – Número de substituições de secretários, segundo município, no período de janeiro 2021 a agosto de 2025.

Fonte: Monitoramento realizado pelos apoiadores e planilha de Monitoramento da rede colaborativa.
O Gráfico 1, que apresenta o número de trocas por município no período de 2021 a agosto de 2025, evidencia que a maioria dos municípios paulistas teve ao menos uma substituição de secretário de saúde no intervalo analisado. Foram registradas 365 cidades com uma troca, 123 com duas e 35 com três trocas, havendo casos extremos de até oito substituições. Embora uma mudança de gestão ao longo do mandato seja comum, a repetição frequente dessas substituições compromete a continuidade administrativa e a execução das políticas de saúde locais.
1.2. Gráfico 2. Número de trocas de gestores por Região de Saúde no período de janeiro de 2021 a agosto de 2025.

Fonte: Monitoramento realizado pelos apoiadores e planilha de Monitoramento da rede colaborativa.
O Gráfico 2, que distribui as trocas de gestores por Região de Saúde, mostra diferenças significativas entre as regiões. Algumas Regiões, como Adamantina e Alta Mogiana, concentram maior número de substituições, enquanto outras mantêm índices menores. Essas variações refletem o peso dos contextos políticos e administrativos locais, além da estrutura de apoio técnico disponível. Regiões com maior rotatividade tendem a enfrentar maiores desafios na articulação regional e na implementação de estratégias conjuntas.
1.3. Gráfico 3. Percentual de troca de gestores segundo número de municípios por CIR, no período de janeiro de 2021 a agosto de 2025.

Fonte: Monitoramento realizado pelos apoiadores e planilha de Monitoramento da rede colaborativa.
O Gráfico 3 apresenta o percentual de trocas de gestores considerando o número de municípios por Região de Saúde. As regiões com maior quantidade de municípios também são as que registram índices mais altos de substituição, o que sugere que a complexidade administrativa e a diversidade política desses territórios dificultam a estabilidade das equipes. Esse resultado reforça a importância do fortalecimento da governança regional e do apoio contínuo às secretarias municipais, especialmente nos territórios mais amplos.
2. ROTATIVIDADE DE GESTORES 2021
O primeiro ano da gestão municipal (2021) apresentou alta rotatividade, com 166 trocas de gestores distribuídas em 53 regiões de saúde (84%). Esse comportamento é típico de início de mandato, quando novas administrações redefinem suas equipes. No entanto, o fato de 26 municípios terem realizado mais de uma troca já em 2021 revela fragilidade na consolidação das gestões recém-iniciadas.
2.1.1. Gráfico 4. Rotatividade de Gestores por Região de Saúde em 2021.


Fonte: Monitoramento realizado pelos apoiadores
Cerca de 20% dos municípios do estado tiveram troca de gestor em 2021 (132 municípios), sendo que 26 municípios tiveram mais de 1 troca.
3. ROTATIVIDADE DE GESTORES 2022
Em 2022, ocorreram no estado de São Paulo 149 trocas de gestores (23%), distribuídas em 61 regiões de Saúde (97%) e 226 municípios (35%), sendo que 110 municípios já tiveram mais de 1 troca de gestor em 2022. Em comparação ao ano de 2021 tivemos um número maior de municípios que tiveram troca de gestores, mas a diferença na quantidade de trocas não é grande, de 12%.
3.1Gráfico 5. Rotatividade de Gestores por Região de Saúde em 2022.

Fonte: Planilha de Monitoramento Rede Colaborativa – Estado de São Paulo, Jan a Dez/2022.
4. ROTATIVIDADE DE GESTORES 2023
Em 2023, ocorreram no estado de São Paulo 95 trocas de gestores, distribuídas em 63 regiões de Saúde (97%) em 75 municípios (12%). Em comparação aos anos anteriores, a diferença grande, diminuiu em mais de 30% o número dos municípios que tiveram troca de gestor. A quantidade de trocas também teve uma diminuição importante de 64%.
4.1. Gráfico 5. Rotatividade de Gestores por Região de Saúde em 2023.

5. ROTATIVIDADE DE GESTORES 2024
Em 2024, ocorreram no estado de São Paulo 234 trocas de gestores, distribuídas nas 62 regiões de Saúde em 177 municípios. Em comparação aos anos anteriores, a diferença grande, aumentou em mais de 100 o número dos municípios que tiveram troca de gestor. A quantidade de trocas também teve um aumento importante de 246%.
5.1. Gráfico 5. Rotatividade de Gestores por Região de Saúde em 2024.

6. ROTATIVIDADE DE GESTORES DE FEVEREIRO A DEZEMBRO DE 2025
Conforme mencionado na introdução, ressalta-se que o mês de janeiro de 2025 não foi considerado na análise, por corresponder ao início da nova gestão municipal. Essa exclusão tem por objetivo assegurar maior consistência metodológica, considerando o período de transição administrativa característico do início de mandato. De fevereiro a dezembro de 2025, ocorreram no estado de São Paulo 175 trocas de gestores, distribuídas nas 62 regiões de Saúde em 130 municípios.
6.2. Gráfico 6. Rotatividade de Gestores por Mês de fevereiro a dezembro 2025.

Fonte: Planilha de Monitoramento Rede Colaborativa – Estado de São Paulo, fev a dez/2025.
No Gráfico 6, que analisa a movimentação mensal de fevereiro a dezembro de 2025, observa-se variação na frequência das trocas ao longo do período, com picos que podem estar associados a ajustes políticos ou reorganizações internas das prefeituras. Esses dados indicam que o primeiro ano de gestão municipal continua sendo o momento de maior instabilidade, exigindo acompanhamento próximo das instâncias de apoio e coordenação regional para garantir a continuidade das ações de saúde. De fevereiro a dezembro de 2025, ocorreram no estado de São Paulo 175 trocas de gestores, distribuídas nas 62 regiões de Saúde em 130 municípios.
6.3. Gráfico 7. Troca de Gestores no estado de São Paulo em janeiro de 2025.

O Gráfico 7 mostra o impacto das eleições municipais no início de 2025, quando 302 municípios — quase metade do estado — substituíram seus secretários de saúde logo em janeiro. Esse movimento, típico de início de mandato, representa um desafio para a consolidação das políticas públicas e reforça a importância do trabalho de acolhimento e integração promovido pelo COSEMS/SP e pela Rede Colaborativa. O apoio às novas gestões é fundamental para assegurar a transição qualificada e a manutenção do compromisso com a saúde pública no território paulista.
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise do acumulado de trocas por município (de 2021 a agosto de 2025) mostra que, embora a maioria (365) tenha tido apenas uma substituição no período, um número expressivo de cidades passou por múltiplas mudanças: 123 tiveram duas trocas, 35 tiveram três, sete tiveram quatro, um município registrou cinco trocas, dois tiveram seis e um chegou a oito substituições no cargo. Essa recorrência em determinados municípios pode indicar contextos locais de fragilidade institucional, pressão política ou dificuldades específicas de gestão, que mereceriam uma investigação mais aprofundada.
Quando examinamos a evolução anual, percebemos flutuações importantes. Em 2021, ano de início de nova gestão municipal, ocorreram 166 trocas, afetando 84% das regiões de saúde — um movimento esperado em anos de transição de governo. Em 2022, o número de trocas permaneceu elevado (149), com aumento de 12% no número de municípios impactados em relação ao ano anterior, indicando que a instabilidade se manteve além do período de posse. Já em 2023, houve uma redução expressiva: 95 trocas, com queda de mais de 30% no número de municípios afetados e redução de 64% na quantidade de trocas em relação a 2022. Esse declínio pode refletir um período de acomodação das equipes ou uma maior estabilidade após os primeiros anos de gestão.
Entretanto, em 2024, o cenário se inverteu de forma abrupta: foram registradas 234 trocas — um aumento de 146% em relação a 2023 —, atingindo 177 municípios. Esse salto representa mais do que o dobro de trocas em relação ao ano anterior e sugere a influência de fatores externos ou ciclos políticos que impactaram a permanência dos gestores. Já no período de fevereiro a agosto de 2025, ainda que em menor escala, foram contabilizadas 128 substituições, distribuídas em 101 municípios, indicando que a rotatividade seguiu em ritmo relevante mesmo após o pico de janeiro — mês em que, vale ressaltar, 302 municípios trocaram seus secretários em decorrência das eleições, movimento considerado natural e, por isso, excluído da análise de rotatividade.
A distribuição geográfica das trocas também chama a atenção: praticamente todas as regiões de saúde do estado foram afetadas em algum momento, com percentuais de cobertura que chegaram a 97% em 2022, 2023 e 2024. Isso reforça a natureza generalizada do fenômeno, que não se restringe a áreas específicas, mas permeia todo o estado.
Em síntese, os dados apontam para um ambiente de gestão com baixa continuidade e alto turnover, o que pode comprometer a consolidação de políticas de saúde, a coordenação de redes regionais e a própria governança do SUS em nível municipal. A alternância frequente de gestores dificulta a implementação de projetos de longo prazo, a manutenção de equipes técnicas estáveis e a construção de relações de confiança com a comunidade e com os serviços de saúde. A qualificação desse fenômeno por meio de análises anuais e regionais permite não apenas dimensionar o problema, mas também subsidir a reflexão sobre estratégias para conferir maior solidez e permanência à liderança na saúde pública municipal.