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O Brasil tem recebido um número crescente de refugiados de diferentes regiões do mundo, e a adaptação do sistema de saúde para atender a essas populações é um desafio emergente. Este relato de caso descreve o acompanhamento de uma família afegã inicialmente composta por 13 integrantes sendo eles 03 homens, 02 mulheres e 08 crianças porém devido a uma doença genética ocorreu a perda da integrante mais jovem, sendo assim a família hoje é composta por 12 pessoas, atendidas pela UBS Continental, em Guarulhos. A família enfrenta barreiras linguísticas, culturais e sociais, além de múltiplas necessidades de saúde, com destaque para o acompanhamento de uma criança com epilepsia, uma gestante de alto risco por diabetes gestacional e restrição de crescimento fetal e um núcleo familiar desestruturado com a perda da criança. O atendimento a refugiados nas unidades de saúde demanda uma abordagem diferenciada, que considere as barreiras de comunicação e as diferenças culturais. Refugiados muitas vezes chegam ao Brasil com um histórico de deslocamento forçado, traumas e vulnerabilidade social, o que torna crucial a implementação de práticas sensíveis e inclusivas no atendimento. Esse relato justifica-se pela necessidade de contextualizar as estratégias utilizadas para superar os desafios e promover um cuidado integral, humanizado e eficiente, destacando a importância da equipe multiprofissional e do desenvolvimento de um protocolo de atendimento adaptado às necessidades dessa população.
Descrever o atendimento integral, equitativo e multidisciplinar realizado para uma família afegã refugiada na UBS Continental, com foco nas dificuldades enfrentadas devido às barreiras culturais e linguísticas, e nas estratégias adotadas para garantir o sucesso do acompanhamento da família. A equipe teve o cuidado de manter o atendimento, sempre que possivel, por profissionais do sexo feminino conforme a preferência cultural.
Este relato de caso baseia-se no acompanhamento de uma família afegã de 12 integrantes, que são refugiados e falam exclusivamente a língua persa. O atendimento foi realizado por uma equipe multiprofissional composta por médicos, enfermeiros, dentistas, farmacêuticos, atendentes SUS e agentes comunitários de saúde. O primeiro contato da família com a unidade foi devido a internação da criança mais nova com alteração genética grave e seguiu com os demais membros através do controle no calendário vacinal; o manejo da epilepsia infantil foi realizado em parceria com um neurologista da rede de apoio, e o pré-natal da gestante de risco, que apresentava diabetes gestacional, foi acompanhado de forma intensiva pela unidade. A UBS Continental implementou um protocolo de acolhimento para os refugiados, que incluiu conversas, receitas e orientações traduzidas via Google Tradutor para persa e ações voltadas à sensibilização cultural dos profissionais.
Calendário vacinal: A equipe atualizou as vacinas seguindo o calendário do ministério da saúde tendo boa aceitação por parte da família. Criança com epilepsia: A menina foi acompanhada regularmente pela equipe da UBS e neurologista, e as crises epilépticas estão em processo de ajuste medicamentoso para o controle. Gestante de risco: A gestante teve o pré-natal bem-sucedido. A ligação de confiança estabelecida entre a equipe e a paciente foi crucial para garantir a adesão às orientações e cuidados. O bebê nasceu com saúde, e ambos seguem sendo monitorados conforme protocolo municipal. Após o nascimento a família enfrentou dificuldade para o registro da menor em nosso país por conta da barreira linguística e através da figura do agente comunitário de saúde, contato com ONGs especializadas e o apoio da assistência social obtivemos êxito. Atendimento multiprofissional: A família teve acesso a atendimentos odontológicos, psicológico, nutricional e ao suporte dos agentes comunitários de saúde, que realizaram visitas domiciliares regulares, fortalecendo o vínculo com a comunidade e monitorando as condições sociais e de saúde da família. Protocolo de atendimento a refugiados: A criação de um ambiente acolhedor e sensível às necessidades culturais foi fundamental para o sucesso do atendimento. O protocolo desenvolvido pela UBS incluiu a disponibilização de materiais informativos adaptados para a língua e a capacitação da equipe para atender refugiados com empatia.
O caso da família afegã acompanhada pela UBS Continental exemplifica a importância de um atendimento multidisciplinar e culturalmente sensível para refugiados. A superação das barreiras linguísticas e culturais foi possível graças ao vínculo, uso de dispositivos de tradução e à criação do protocolo de acolhimento específico, que possibilitou o acompanhamento da família. O envolvimento da equipe multiprofissional e a implementação de estratégias de humanização do atendimento foram essenciais para garantir a qualidade, equidade e a integralidade do cuidado prestado, promovendo a inclusão e a confiança entre profissionais de saúde e a família. No caso supracitado, a criação deste vínculo forte de confiança foi essencial, permitindo que a equipe fosse convidada para um momento simbólico e significativo, como o café em sua residência, quebrando barreiras culturais e territoriais.
Refugiados, saúde, barreiras, UBS Continental
MARIA VICTÓRIA FERREIRA DE SOUZA VIEIRA DA CUNHA, CLAUDIA DENIZ RONANZINI, ELISANGELA MARINA PAULINO, BEATRIZ COSTA FERREIRA, EURIDES DA CRUZ MACEDO, ERIKA UHERA HIGA