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A tuberculose (TB) é uma das principais doenças infecciosas do mundo e um grande desafio de saúde pública no Brasil, que permanece entre os 30 países com maior carga da doença, segundo a OMS. Causada pelo Mycobacterium tuberculosis, a TB afeta principalmente os pulmões e se transmite pelo ar, sendo mais prevalente em populações vulneráveis, como pessoas vivendo com HIV, em situação de rua, privadas de liberdade, indígenas e aqueles que vivem em condições precárias. A detecção precoce é essencial para conter a transmissão e iniciar rapidamente o tratamento, reduzindo complicações e mortalidade. Nos últimos anos, o SUS implementou estratégias para melhorar o diagnóstico da TB, incluindo o Teste Rápido Molecular (TRM-TB), que permite identificar a doença precocemente, detectar resistência medicamentosa e agilizar o início do tratamento. Essa tecnologia contribui para a quebra da cadeia de transmissão e a redução da morbimortalidade. Outras iniciativas, como busca ativa de casos, tratamento diretamente observado (TDO) e capacitação contínua dos profissionais de saúde, reforçam a eficiência na identificação e controle da TB. Essas estratégias são fundamentais para reduzir a incidência da doença e aprimorar o enfrentamento da tuberculose no Brasil.
Demonstrar a frequência de solicitação de testes rápidos para tuberculose em diferentes segmentos do sistema de saúde, incluindo unidades básicas e especializadas, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais públicos e privados. Além disso, analisar a porcentagem de positividade encontrada em cada segmento do sistema de saúde com o intuito de identificar as populações mais afetadas pela doença e direcionar esforços para que essas sejam mais efetivamente alcançadas e atendidas pelo sistema.
A Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto, por meio do Programa de Controle da Tuberculose, garantiu a implantação do Teste Rápido Molecular para Tuberculose (TRM-TB) no município, após negociação com esferas estaduais e federais. O equipamento foi recebido em setembro de 2014 e sua implementação completa ocorreu em outubro do mesmo ano. Inicialmente, o Laboratório Municipal atendeu unidades de saúde municipais e penitenciárias, proporcionando diagnósticos mais rápidos e precisos. O impacto foi significativo, especialmente nas Unidades de Pronto Atendimento, onde pacientes com suspeita clínica de tuberculose passaram a receber diagnóstico e início de tratamento no mesmo atendimento. Diante dos benefícios, o serviço foi ampliado para pacientes hospitalizados, priorizando a testagem de indivíduos em leitos de isolamento, agilizando a liberação de vagas quando os resultados eram negativos e permitindo o início imediato do tratamento nos casos positivos. Para entender melhor o perfil dos pacientes diagnosticados e as principais portas de entrada no sistema de saúde, foi realizado um estudo retrospectivo analisando os exames TRM-TB realizados entre janeiro e junho de 2020 a 2024. O objetivo é identificar os setores com maior número de diagnósticos e avaliar a detecção precoce da doença. Muitos casos são diagnosticados tardiamente, em unidades de emergência ou hospitais, o que reforça a necessidade de intervenções mais eficazes para alcançar precocemente as populações vulneráveis.
No período analisado, foram realizados 8.008 testes TMR para tuberculose (TB), com 659 positivos (8,2%). A pandemia de COVID-19 afetou a atenção básica e a busca ativa, com redução nos testes em 2020 e 2021. Em 2020, foram 1.452 testes (positividade de 8,1%) e em 2021, 1.203 testes (6,7%). Com a redução das restrições em 2022, houve aumento nos testes: 1.467 em 2022 (9,3%), 1.835 em 2023 (8,5%) e 2.051 em 2024 (8,2%). Nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), o número de testes aumentou 175%, de 280 em 2020 para 772 em 2024, com positividade média de 10,7%. Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), houve redução de 33% nos testes, de 172 em 2020 para 114 em 2024, mas com alta positividade de 25,4%, indicando diagnóstico tardio. Nos hospitais, o número de testes dobrou, de 108 em 2020 para 219 em 2024, com positividade média de 9,0%. Nas unidades prisionais, houve pequeno aumento (6%), com positividade de 3,8%. Esses dados mostram avanços na detecção precoce, especialmente nas UBSs, mas o diagnóstico tardio nas UPAs destaca a necessidade de reforçar a busca ativa e melhorar a detecção nas UBSs para garantir tratamento imediato e evitar a progressão da doença. Estratégias para atrair os pacientes das UPAs para as UBSs também são necessárias, pois estas unidades oferecem melhor estrutura para o diagnóstico precoce e o manejo integrado da TB.
O aumento substancial no número de testes realizados nas Unidades Básicas de Saúde destaca a eficácia crescente do sistema de saúde na detecção precoce da doença. No entanto, a persistência de altos índices de positividade nas UPAs indica que muitos casos continuam a ser identificados tardiamente, sugerindo a necessidade de estratégias adicionais para promover a busca ativa e a adesão ao diagnóstico precoce nas UBSs. Esse cenário reflete a importância de fortalecer a atenção primária como porta de entrada preferencial para o diagnóstico da tuberculose, garantindo que o tratamento seja iniciado o mais rapidamente possível e que a transmissão da doença seja contida de maneira eficaz. Acessar as populações mais vulneráveis que buscam atendimento nas UPAs requer uma abordagem multifacetada e integrada, envolvendo ações tanto dentro quanto fora das unidades de saúde: É fundamental capacitar as equipes das UBS para identificar sinais precoces de tuberculose e realizar busca ativa de casos, especialmente entre populações em áreas de maior vulnerabilidade, como comunidades de baixa renda, abrigos, instituições de longa permanência. E estender os horários de atendimento nas UBSs para facilitar o acesso de pessoas que trabalham o dia todo.
TMR, TUBERCULOSE, UBS, UPA
ELAINE CRISTINA MANINI MINTO, LUIZ BENJAMIN TRIVELLATO FILHO, EDUARDO BRAS PERIM, GISLAINE CARLA BOVO GONÇALVES, GABRIELA INARA ARCARO VICENTINI, MARIA LIDIA MARIN, LARISSA ELIS SILVA CRIVELARI, GABRIEL MARTINS DA COSTA MANSO, HUGO MAISTRELO TORRES LIMA