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A apresentação pélvica ocorre em aproximadamente 3 a 4% das gestações a termo (1), estando associada a um risco aumentado de morbidade e mortalidade fetais, principalmente devido à maior incidência de prematuridade, malformações, compressão do cordão umbilical e lesões traumáticas durante o trabalho de parto (2). Acerca deste tipo de apresentação, ainda há muita controvérsia na literatura. Desde a publicação do Term Breech Trial (TBT) em 2000, a cesariana planejada foi rotineiramente recomendada para o parto do feto na apresentação pélvica a termo (3). Em apenas alguns meses, organizações como o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG) e o American College of Obstetricians and Gynaecologists (ACOG) definiram a sua posição a favor da cesariana programada para todas as grávidas com fetos de termo em apresentação pélvica, levando a uma descida quase imediata do número de partos pélvicos vaginais (4). Apesar disso, se por um lado o parto pélvico vaginal expõe o feto a maior morbilidade, por outro lado estudos observacionais mostram que a cesariana têm mais riscos de lesão de órgãos adjacentes, hemorragia, infecção, tromboembolismo, mortalidade materna, e em gestações subsequentes, mortalidade fetal, placenta prévia e placenta anormalmente aderente (5).
O objetivo deste projeto gira em torno de relatar um trabalho de parto pélvico não instrumentalizado, buscando alcançar tanto as expectativas de parto via vaginal por parte da mãe, quanto a garantia de segurança por parte da equipe assistencial
Trata-se de um relato de caso realizado na Maternidade José, Jesus e Maria, hospital localizado na cidade de Guarulhos, no estado de São Paulo. Todas as medidas necessárias para manter o anonimato da paciente índice foram realizadas. Para tal, foram realizadas entrevistas com a paciente e solicitado autorização do hospital para a revisão de dados dispostos em prontuário eletrônico com posterior descricao narrativa simples dos fatos.
Paciente primigesta, com gestação a termo, admitida no pronto socorro da maternidade referindo dor em baixo ventre e perda de líquido via vaginal. Ao exame físico inicial, vê-se presença de dinâmica uterina e tônus uterino normal, toque vaginal com colo pérvio para três centímetros, bolsa amniótica rota espontânea com saída de líquido claro e apresentação pélvica. Discutido com paciente e acompanhante, além de equipe de plantão, sobre semelhantes riscos de parto cesariana e vaginal ,culminando com ambos concordantes e desejosos por parto vaginal. Dessa forma, realizada assistência ao parto, com ausculta intermitente e suporte materno, vigilante evolução do mesmo até dilatação total. Visualizada saída de pés fetais pelo introito vaginal seguido pelos membros inferiores, com posterior saída da inserção umbilical, identificado pulso presente e cordão umbilical corado. Identificada rotação do concepto para posição sacro-posterior e realizada manobra 180°-90°, com desprendimento de membros superiores fetais sem dificuldades, com posterior manobra de Franks-Nudge para desprendimento do polo cefálico. Nasce recém-nascido vivo, sexo feminino, APGAR 8/9, peso fetal 2810 gramas, entregue à genitora estimulando o contato pele a pele imediato sob supervisão da neonatologia, com clampeamento e secção oportunos de cordão umbilical, posterior dequitação placentária e revisão de canal de parto, sem lacerações.
Considerações Finais Os profissionais de saúde presentes durante o período expulsivo devem ser experientes na resolução de complicações do parto pélvico como os braços nucais e a retenção de cabeça última.Na maioria dos hospitais que oferecem a possibilidade de um parto vaginal nas situações de apresentação pélvica de termo, existe um protocolo escrito sobre os critérios de seleção supramencionados e os cuidados a serem prestados nestas situações
Trabalho de parto, parto pélvico
ANA OSMIRA CARVALHO SALDANHA, WARLEY LEITE FIGUEIREDO