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No contexto do SUS, as equipes de Estratégias de Saúde da Família (ESF) desempenham um papel essencial na promoção da saúde e prevenção de doenças. No entanto, um desafio enfrentado por esses serviços é o analfabetismo, principalmente entre a população idosa, que pode comprometer a eficácia das orientações e o acompanhamento adequado dos tratamentos1. A deficiência de leitura pode dificultar a compreensão das orientações médicas e nutricionais, prejudicando a adesão ao tratamento, seja ele medicamentoso ou nutricional, e, por consequência, impactando negativamente a saúde do paciente2. A inclusão de usuários com deficiência de leitura nas orientações nutricionais, especialmente após alterações em exames laboratoriais, é uma questão relevante. Muitas vezes, esses pacientes não conseguem interpretar as informações recebidas, o que pode resultar em falhas no seguimento das recomendações nutricionais e até agravar o quadro de saúde3-4. Este estudo busca implantar estratégias de comunicação eficazes para garantir que os usuários, independentemente de sua capacidade de leitura, recebam as informações necessárias para compreender e aplicar as orientações nutricionais após alterações em exames laboratoriais. A falta de compreensão das orientações nutricionais pode acarretar complicações severas, tornando urgente a necessidade de abordagens inclusivas e adaptadas às necessidades desse público, garantindo, assim, um cuidado efetivo e igualitário.
Objetivo Geral: Promover a inclusão de pacientes analfabetos no processo de compreensão sobre seus problemas de saúde, com foco na prevenção e manejo adequado de suas condições por meio de orientações nutricionais, especialmente após a identificação de alterações em exames laboratoriais. Objetivo Específico: A pesquisa visa identificar e implementar estratégias de comunicação que facilitem a compreensão dessas orientações, garantindo que todos os pacientes, independentemente da sua capacidade de leitura, possam entender e seguir as recomendações nutricionais necessárias para o controle de sua saúde.
A metodologia utilizada é a de relato de experiência, que permite descrever as ações adotadas e refletir sobre os resultados obtidos, focando na adaptação das orientações nutricionais para torná-las acessíveis a todos os pacientes, independentemente do seu nível de escolaridade. Com base nas alterações nos exames laboratoriais, foi elaborada uma cartilha nutricional específica para cada caso, utilizando recursos visuais, como imagens e ícones, ao invés de texto escrito. Essa cartilha foi projetada para ilustrar de maneira clara e objetiva as orientações nutricionais necessárias, adaptadas às necessidades do paciente. Cartilha nutricional foi distribuída aos pacientes durante as consultas, com acompanhamento dos profissionais de saúde, que reforçaram as informações por meio de explicações orais. A abordagem é personalizada, considerando as condições de cada paciente, e o uso de recursos visuais será monitorado para garantir que o conteúdo seja entendido corretamente. Após a implementação das estratégias, foi realizada uma avaliação qualitativa com os pacientes, por meio de entrevistas e observações, para aferir a compreensão das orientações nutricionais e o impacto nas suas práticas alimentares e na adesão ao tratamento. A eficácia dos recursos visuais analisada, foi considerando uma melhoria na compreensão e na aplicação das orientações nutricionais fornecidas.
A avaliação foi realizada por meio da comparação dos exames laboratoriais dos usuários antes e após a entrega das cartilhas nutricionais. Inicialmente, os exames apresentavam alterações significativas que indicavam a necessidade de intervenções nutricionais específicas. Após a distribuição das cartilhas, adaptadas com recursos visuais, como imagens, foi possível observar uma melhoria nos resultados dos exames, refletindo positivamente nas condições de saúde dos mesmos4. A análise mostrou que, em muitos casos, os pacientes apresentaram uma redução nas alterações laboratoriais, como melhoria nos níveis de colesterol, glicemia e outros indicadores nutricionais críticos. Esses resultados sugerem que a implementação de orientações nutricionais adaptadas e mais acessíveis, através de materiais visuais, contribuiu para uma maior adesão ao tratamento e ao seguimento das recomendações dietéticas. Além disso, os usuários demonstraram um maior entendimento sobre suas condições de saúde e a importância das mudanças alimentares necessárias, conforme indicado nas avaliações qualitativas realizadas após o uso das cartilhas. A experiência, portanto, destaca a eficácia de estratégias de comunicação visual na melhoria da compreensão e adesão ao tratamento, levando a resultados clínicos mais favoráveis e uma maior autonomia dos pacientes no manejo de sua saúde.
A inclusão dos usuários com deficiência de leitura nas orientações nutricionais é fundamental para garantir a equidade no cuidado à saúde. A utilização de recursos visuais e interativos, adaptados às necessidades desses usuários, facilita a compreensão e melhora a adesão ao tratamento. Ao proporcionar acesso a informações claras, os profissionais de saúde não apenas melhoram os resultados clínicos, mas também empoderam os mesmos a tomarem decisões informadas sobre sua saúde. Assim, promover um ambiente inclusivo é uma responsabilidade ética e essencial para a eficácia do cuidado nutricional, contribuindo para um sistema de saúde mais justo e acessível.
Analfabetos, Inclusão, Estratégias, Exames
JULIA CAPI CEZAR, ADRIELI DONATI MAURO, FABIANA LORA BUENO