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O acesso é um dos grandes desafios da Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil. Ações voltadas para a ampliação do acesso são fundamentais para o fortalecimento do SUS. Entende-se o acesso como o uso oportuno dos serviços para alcançar alta resolutividade (Souza et al., 2008; Starfield, 2001) e há diversas barreiras, incluindo obstáculos organizacionais e dificuldades relacionadas à utilização dos serviços (Busse et al., 2006). É essencial que as UBS analisem seus processos de trabalho, a fim de criar ações alinhadas à realidade epidemiológica e demográfica do território. No município de São Paulo, no período pós-pandemia, identificou-se a necessidade de ampliar o acesso à APS, reduzir o absenteísmo e a perda primária. Como estratégia, definiu-se a ampliação da porcentagem de atendimentos por demanda espontânea a 70% da agenda, reduzindo os agendamentos programados que foram mantidos para priorizar populações vulneráveis (gestantes, puericultura e etc.). Essa reorganização da APS exigiu a reformulação dos processos de trabalho das UBS para fortalecer atributos essenciais como longitudinalidade, coordenação do cuidado e integralidade. A Educação Permanente em Saúde foi utilizada como ferramenta de apoio à gestão, proporcionando espaços de reconstrução dos processos, ampliando as possibilidades de cuidado (Brasil, 2009). A experiência ocorreu em uma UBS na região norte do município de São Paulo, iniciando em maio de 2024 e em andamento até o presente momento.
Objetivo Geral Ampliar o acesso a uma Unidade Básica de Saúde na região norte do município de São Paulo por meio de uma metodologia de Educação Permanente em Saúde, em parceria com a equipe e a gestão do serviço de saúde. Objetivos Específicos – Relatar a experiência de ampliação do acesso em uma Unidade Básica de Saúde na região norte do município de São Paulo; – Apresentar uma proposta metodológica para a ampliação do acesso, fundamentada na literatura sobre o tema e baseada na Educação Permanente em Saúde; – Apresentar os resultados parciais da experiência, considerando que o processo ainda está em andamento.
Foram realizadas ações para levantar as necessidades de Educação Permanente junto à equipe da unidade. Em maio foi implantada uma planilha de mapeamento da demanda. Em outubro foi realizada uma conversa com a gerente da unidade para compreender os fluxos internos da unidade. Foram organizadas, a seguir, rodas de conversa com todos os profissionais da UBS para entender como percebem o acesso, o itinerário dos usuários dentro do serviço, bem como dificuldades e potencialidades do modelo vigente. Analisou-se os dados da planilha de demanda da unidade e alguns prontuários. Com base nas informações levantadas, organizou-se uma reunião com a equipe para apresentar os principais desafios identificados: modelo de atendimento centrado no médico, perda da coordenação do cuidado pelas equipes de referência para atendimento da demanda do dia, baixa atuação da enfermagem em consultas, grande volume de demandas relacionadas à troca de receitas e resultados de exames, sem uma gestão do cuidado da população adscrita. A partir da devolutiva, foi formado um grupo de trabalho com representantes de todas as categorias profissionais com o objetivo de discutir os problemas identificados e propor estratégias para reorganizar os processos e garantir uma assistência integral, com coordenação do cuidado e longitudinalidade. O grupo realiza reuniões semanais e elabora propostas, que são construídas em um processo de gestão compartilhada. O processo foi realizado pela gestão da SBCD.
Com os resultados obtidos, algumas reorganizações nos processos foram realizadas. Foram estruturados fluxos e instrumentos de acompanhamento para os usuários do território que fazem uso de medicação contínua. Antes, essa demanda ocupava 17% da agenda de forma desordenada, sendo atendida por médicos que não eram os de referência para o usuário. Para otimizar esse atendimento, foi estabelecido um fluxo específico para cada equipe, organizando espaços na agenda conforme a necessidade. A população foi estratificada de acordo com o protocolo municipal, diferenciando consultas rápidas de novas avaliações. Como resultado, em novembro, a demanda espontânea para a chamada “troca de receita” caiu para 9,5%. Em dezembro, as equipes criaram um instrumento de monitoramento para os usuários de medicação contínua, com o objetivo de melhorar a gestão da saúde no território. Esse monitoramento permite a busca ativa desses pacientes quando necessário e amplia o escopo das ações para além da prescrição medicamentosa, incorporando estratégias de prevenção e promoção da saúde com a participação da eMulti. Atualmente, a equipe segue discutindo e aprimorando a organização da agenda e das equipes dentro do modelo de Acesso Avançado. Em fevereiro de 2025, será elaborado um perfil detalhado dos usuários que fazem uso de medicação contínua. Além disso, serão estruturadas ações para discutir as solicitações e a demanda por resultados de exames, incorporando o uso da consulta digital.
A experiência demonstra a importância da Educação Permanente como ferramenta essencial para a ampliação do acesso à Atenção Primária à Saúde (APS). Esse processo contínuo de cogestão da equipe permite uma análise aprofundada dos principais desafios e a reorganização dos processos de trabalho. O levantamento de dados e o conhecimento do território, a partir da demanda espontânea da população pela unidade, são instrumentos fundamentais para mapear e equilibrar a relação entre demanda e oferta de serviços de forma organizada. Esse mapeamento possibilita a construção de ações sucessivas voltadas para a qualificação dos fluxos e processos, garantindo um cuidado integral mais eficiente. Mensalmente, os apoiadores da SBCD participam das reuniões para acompanhar o andamento das ações, produzir novas análises e definir encaminhamentos, mantendo um ciclo contínuo de aprimoramento. Ainda há diversas ações a serem desenvolvidas, com foco na promoção da saúde e na organização de outros fluxos assistenciais que necessitam de ajustes para uma gestão mais eficiente dos cuidados. As mudanças já são reconhecidas pela população através do conselho gestor da UBS que relata melhora no atendimento a população.
VILA ALBERTINA
TATIANA DE VASCONCELLOS ANEAS, MARCIA KELLY MORAES DE ARAUJO VINICIUS TADEU DA SILVA FERNANDES, FERNANDA BELLIANTANE PIVA, VINICIUS TADEU DA SILVA FERNANDES