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A obesidade é uma doença crônica não transmissível (DCNT) de origem multifatorial e complexa. A prevenção e o diagnóstico precoce são importantes aspectos para a promoção da saúde e redução de morbimortalidade, não apenas pela obesidade ser um fator de risco importante para outras doenças, mas também por interferir na duração e qualidade de vida e, assim, ter implicações diretas na saúde mental dos indivíduos (MS, 2022). Estima-se que em 2035, 1 em cada 4 pessoas conviverá com a obesidade no mundo e, no Brasil a projeção também é preocupante, pois a cada 10 adultos, 4 serão obesos (ABESO, 2023). Por isso, a obesidade já é reconhecida pelo Ministério da Saúde como um problema de saúde pública. As recomendações sugerem que sejam priorizadas ações de prevenção à doença (MS, 2022). Nesse sentido, a Atenção Primária à Saúde (APS) é lugar privilegiado para ações e o Projeto Vida Leve é uma iniciativa da equipe de Saúde da Família do Pontal da Cruz, desenvolvido no Centro de Apoio Educacional (CAE) do Pontal da Cruz, sendo as atividades coordenadas por uma equipe multiprofissional da secretaria de Saúde (SESAU) em parceria com a secretaria de Esportes (SEESP) da Prefeitura de São Sebastião – SP.
Realizar grupo de educação em saúde para apoiar e incentivar o processo de mudança de estilo de vida de indivíduos com sobrepeso e obesidade por meio do aconselhamento multiprofissional. Possibilitar aos participantes reflexão crítica e vivências sobre comportamento alimentar, saúde mental, alimentação saudável, autoimagem/imagem corporal, prática de exercícios físicos, qualidade de vida e autonomia na adoção de hábitos de vida saudáveis. Minimizar as complicações relacionadas à obesidade e engajar os participantes na busca de uma vida que priorize a saúde.
O Projeto Vida Leve iniciou em 2022 com usuários da Unidade de Saúde da Família Pontal da Cruz, maiores de 18 anos e com Índice de Massa Corporal (IMC) maior ou igual a 30Kg/m2 que tinham interesse em mudar hábitos de vida e obterem redução de peso corporal. Em 2023, as vagas foram ampliadas para Unidades de Saúde da Família da região central e costa norte, abrangendo ao todo, usuários de 12 equipes de saúde. O critério IMC também foi ampliado para igual ou superior a 25, passando a incluir pessoas com sobrepeso. As inscrições são abertas e divulgadas no início do semestre. Trata-se de um grupo fechado, com encontros semanais e duração semestral. As atividades são realizadas no Centro de Apoio Educacional do Pontal da Cruz e coordenadas por uma equipe composta por médica, psicóloga, nutricionista e educador físico. Agentes comunitários de saúde e administrativos e profissionais de enfermagem também colaboram com o grupo. Através de rodas de conversa e vivências, são trabalhados temas como obesidade e doenças associadas, síndrome metabólica, comer consciente, dietas da moda, classificação de alimentos de acordo com o Guia Alimentar para a população brasileira, montagem do prato saudável, autoestima, identidade e imagem corporal, tipos de fome, incentivo à prática de atividade física, entre outros. São realizadas também avaliações médica, física e de consumo alimentar individuais, com o intuito de fornecer orientações específicas e ajustadas às necessidades de cada participante
Desde o início do projeto, em 2022 e até o momento, foram realizadas 5 edições, sendo a primeira anual e as outras semestrais. Do total de participantes inscritos, cerca de 30% encerram as atividades programadas, o que evidencia as dificuldades em se aderir mudanças de estilo de vida como parte fundamental do tratamento de saúde. Dos integrantes que frequentaram o grupo do início ao fim do período, coletivamente, os resultados indicam média de ganho de 26,6% de massa muscular, perda de 11,42% de gordura, redução de 7,87% do Índice de Massa Corporal inicial, sendo observada uma redução de 11,57% do peso inicial. De modo geral, verificou-se melhora nos hábitos de vida. Do ponto de vista alimentar, os participantes relatam terem incorporado alimentos naturais à dieta, reduzido a frequência do consumo de alimentos industrializados e passaram a ler rótulos de produtos alimentícios para a busca de melhor opção de compra. Observa-se melhora também na percepção de si, da relação estabelecida com a comida, no reconhecimento de emoções e enfrentamento das insatisfações corporais. Há relatos de melhora na autoestima e bem-estar. Alguns dos desafios encontrados foram a redução do número de pessoas comprometidas com o projeto considerando o início e encerramento dos grupos, a dificuldade de reduzir consumo de alimentos adoçados, fortalecer estratégias mais saudáveis para regular as emoções e manter constância na prática de exercícios físicos.
A Atenção Primária à Saúde é um local privilegiado para a promoção de saúde e, no caso da obesidade, para o enfrentamento dessa doença e do cuidado das consequências que esse excesso de peso possa causar nos indivíduos (SOEIRO ET AL., 2019). Desenvolver estratégias de cuidado aos sujeitos com excesso de peso representa um grande desafio para os profissionais de saúde (MS, 2016). As atividades em grupo são estratégias para o tratamento da obesidade consideradas de grande importância, pois permitem que os membros do grupo compartilhem possibilidades de solução para situações-problema, favorecendo a efetividade e a adesão dos usuários (MS, 2021; SOEIRO ET AL, 2019). Alguns estudos têm apontado que a intervenção coletiva mostrou melhores resultados de redução de peso quando comparada à abordagem individual (MS, 2021).
Bem-estar, autoestima, obesidade, saúde
MARIANA ARREAZA GIOVANETTE, VIRGINIA TEIJEIRA DE FREITAS VIEIRA, JULIANA PEIXOTO PIZANO, PAULA MAYUMI KOSAKA, ROSANETE ALVES, DAVID CAMARGO JUNIOR, LAYSA PIRES, DILMARA ABREU