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A Atenção Domiciliar (AD) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) é uma modalidade de cuidado caracterizada por um conjunto de ações de promoção, prevenção, tratamento de doenças e reabilitação realizadas no domicílio, garantindo a continuidade do cuidado e a integração com as redes de atenção à saúde. A AD é dividida em três modalidades, sendo a AD1 de responsabilidade da Atenção Primária à Saúde (APS), devendo ser realizada de forma habitual e contínua pelas equipes de atenção primária. A atenção domiciliar é uma atribuição de todos os profissionais da APS e constitui uma ferramenta essencial para que as equipes conheçam a realidade das famílias assistidas, ampliando a compreensão dos fatores sociais e ambientais que influenciam o processo saúde-doença. No município de Ribeirão Preto, a VD está prevista na agenda de todos os profissionais de nível médio e superior na APS e vem sendo incentivada como estratégia para ampliar o acesso a pessoas acamadas ou domiciliadas, além de possibilitar uma abordagem mais aprofundada em casos em que a percepção do domicílio e da dinâmica familiar é fundamental para a elucidação de diagnósticos e o manejo de situações de saúde complexas e desafiadoras. Diante desse contexto, cabe à gestão garantir os recursos necessários para que as equipes realizem essa modalidade de atenção na APS, assegurando uma assistência de qualidade, além de monitoramento e avaliação contínua.
Geral: Descrever o quantitativo de visitas domiciliares (VD) realizadas por profissionais de nível superior e nível médio na APS do município de Ribeirão Preto entre os anos de 2020 à 2024. Específicos: Analisar o número de pacientes distintos atendidos nessa modalidade de atenção, identificar a distribuição das visitas domiciliares por categoria profissional e por unidade de saúde e descrever as principais ações adotadas pela gestão afim de viabilizar, qualificar e fortalecer a essa oferta de VD na APS.
Estudo descritivo, retrospectivo que retrata as ações da equipe técnica da Atenção Primária à Saúde (APS) do município de Ribeirão Preto para ampliar o acesso e qualificar a VD no município. Anterior ao ano de 2020, havia uma concepção generalizada entre os profissionais da APS de que essa prática era exclusiva da Estratégia Saúde da Família (ESF) e/ou do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD). Diversos fatores contribuíram para a sensibilização das equipes e a ampliação da VD na APS, entre eles: disponibilização de transporte exclusivo para a realização das VD, capacitações das equipes promovendo qualificação técnica e alinhamento de diretrizes, corresponsabilização da APS pelo atendimento de pacientes classificados como AD1 reforçando o papel da atenção primária no cuidado domiciliar, publicação do “Guia Prático de Visita Domiciliar na Atenção Primária à Saúde para Profissionais de Nível Superior”, oferecendo diretrizes para a realização das VDs, atualização dos Procedimentos Operacionais Padrão (POP) garantindo respaldo técnico e segurança para a execução de procedimentos em ambiente domiciliar, articulação com o Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) possibilitando discussões de casos e apoio matricial para qualificação do cuidado e estruturação de modelos de agenda que asseguram a realização de visitas domiciliares por todos os profissionais da APS.
Em análise ao quantitativo de VD realizadas pela APS no ano de 2020 foram prestados 11.359 atendimentos domiciliares, seguido de 11.811 atendimentos domiciliares em 2021, 17.320 atendimentos domiciliares em 2022, 20.313 atendimentos domiciliares em 2023 e 20.479 em 2024. No ano de 2020, 4.097 pacientes distintos receberam atendimentos domiciliares. Em 2021 foram 4.313 pacientes, em 2022 somaram-se 6.599 atendimentos domiciliares, em 2023 foram atendidos 7.284 pacientes, e no ano de 2024, 8.552 pacientes foram atendidos em domicílio. Nota-se, portanto, um aumento expressivo ao longo dos anos avaliados, tanto no número de visitas quanto no número de pacientes visitados o que pode sugerir que a APS tem efetivado seu papel de porta de entrada e conseguido ampliar a oferta dessa modalidade de atenção. Os profissionais que mais realizam VD foram: enfermeiros de Estratégia de Saúde da Família (ESF), enfermeiro de Unidades Básica tradicionais, médico de ESF, auxiliar de enfermagem de ESF e técnico de enfermagem de ESF. As unidades de estratégia de saúde da família que mais realizam VD foram: USF Jardim Zara, USF Jardim Marchesi, USF Paulo Gomes Romeu, UBS Marincek e UBS Vila Tibério e as unidades básica tradicionais foram: UBS Vila Recreio, UBS Parque Ribeirão Preto, UBS Simioni, UBS Presidente Dutra e UBS Adão do Carmo.
Os achados deste estudo podem fornecer subsídios valiosos para a gestão na garantia das condições operacionais necessárias à realização das visitas domiciliares (VD) na Atenção Primária à Saúde (APS). Além disso, servem como base para o desenvolvimento de ações contínuas de educação permanente, promovendo a qualificação das equipes de saúde e a padronização das práticas assistenciais. Também favorecem o fortalecimento da articulação com as redes de atenção à saúde, ampliando a resolutividade do cuidado prestado. Por fim, esses achados podem orientar o planejamento de intervenções estratégicas para expandir o acesso e a efetividade dessa modalidade de atendimento, contribuindo para a equidade e integralidade na assistência.
Atenção Primária à Saúde Atenção Domiciliar
MIRELA MODOLO MARTINS DO VAL, THATIANE DELATORRE, MARIANA BODONI MASSOCATO MACHADO, TATIANE SOARES COSTA, JULIANA BARCELOS DA COSTA LIMA, FERNANDA FERREIRA COSTA, VANESSA COLMANETTI BORIN DANELUTTI, GIOVANNA TERESINHA CANDIDO