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Murutinga do Sul é um município de 3737 habitantes, faz parte da CIR Lagos que é uma região de saúde composta de 12 municípios na abrangência do DRS 2-Araçatuba. A CIR Lagos está participando do Projeto PlanificaSUS, que envolve os gestores municipais e profissionais das equipes de Estratégia de Saúde da Família (eSF), Atenção Primária (eAP) e Atenção especializada e, tem por objetivo a organização da Atenção Ambulatorial Especializada (AAE). Entre as atividades desencadeadas pelo projeto no primeiro ciclo de melhoria, estão aquelas relacionadas ao macroprocesso básico de Territorialização, como: atualização de cadastros, estratificação de risco familiar, identificação das subpopulações de hipertensos e diabéticos e estratificação de risco desse grupo. A estratificação de risco familiar tem o objetivo de identificar as vulnerabilidades familiares para estruturar a atenção domiciliar, bem como para subsidiar a equipe para a elaboração de planos de cuidados para as famílias de maior risco. Desta forma, para a estratificação de risco familiar, foi adotada a escala de vulnerabilidade familiar (EVFAM), uma escala que aprofunda a avaliação familiar em 04 dimensões: renda, cuidados de saúde, família e violência. O município a partir de discussão com a equipe padronizou o instrumento na rede municipal e os agentes comunitário de saúde (ACS) aplicaram o instrumento e apresentaram relatos importantes sobre os aprendizados e benefícios para o cuidado em saúde no município.
A implantação EVFAM é um instrumento que tem como potencial potencializar o trabalho dos ACS, uma vez que as dimensões apresentadas pela escala possibilita a eSF/eAP identificar as desigualdades, e partir de então buscar a igualdade de oportunidades que possam contribuir com melhores resultados em saúde. A escala contribui com o processo de reorganização da Atenção Primaria em Saúde (APS), sendo que a equipe conhecendo melhor a população a partir da vulnerabilidade poderá reorganizar e programar o cuidado, apoiando a gestão de base populacional.
Com o inicio do PlanificaSUS no território, que contou com momentos junto aos gestores municipais, profissionais das equipes assistenciais e, assinatura de um termo de compromisso pelos prefeitos municipais foi iniciado o Primeiro Ciclo de Melhoria que ocorreu no período de junho a dezembro de 2024, conforme metodologia proposta pelo projeto. A metodologia do Ciclo de Melhoria segue a ferramenta do PDSA com as fases de Planejamento, Operacionalização, Monitoramento e Avaliação. A linha de cuidado priorizada na região, dialogando com as prioridades identificadas no Planejamento Regional Integrado, foi a cardiovascular, com atenção à hipertensão e diabetes. Na fase de planejamento do Ciclo de Melhoria foram elaborados e discutidos metas e indicadores com participação dos gestores, membros das equipes de saúde, apoiadores da SES/DRS e Equipe Einstein, para serem executadas durante o primeiro ciclo. Dentro das metas pactuadas para ser realizada num período de 3 meses (Fase Operacionalização) ficou estabelecida a Aplicação da EVFAM para estratificação de risco familiar em 100% das famílias. O município de Murutinga do Sul após realização de capacitação com toda equipe de ACS, realizou discussão com os demais profissionais da equipe, padronizou o instrumento na rede municipal e iniciou a aplicação da EVFAM em todo território. Na fase de monitoramento e avaliação, os ACS foram ouvidos para identificar sua percepção sobre o uso da escala e o impacto da sua aplicação para o planejam
A implementação da EVFAM desenvolveu novas habilidades e atitudes entre os ACS, permitindo a identificação das fragilidades nas famílias e desencadeando ações que envolvem toda a equipe em um trabalho intersetorial. Os ACS relataram um novo olhar sobre as famílias que acompanhavam há anos, uma vez que a EVFAM faz a avaliação de dimensões que evidenciam vulnerabilidades não percebidas no seu cotidiano de visitas. O município de Murutinga do Sul conta com 3.737 habitantes, com 02 eSF, na qual podemos observar que, 90,7% das famílias estão com risco familiar estratificado, que foram realizados por 10 ACS, entre as quais 72,3% apresentam baixa vulnerabilidade, 13% com moderada vulnerabilidade e 5,4% alta vulnerabilidade familiar. A partir da utilização da EVFAM, que possui 14 itens contemplando as dimensões de “renda, cuidado em saúde, família e violência”, foi possível classificar as famílias de acordo com sua vulnerabilidade, que está possibilitando reorganizar o trabalho da equipe, desenvolvendo ações de acordo com risco apresentado, conforme afirma uma profissional, que atua há 13 anos como ACS que ao aplicar a escala numa família na qual possui um paciente com sequela de AVC há 03 anos, acabou descobrindo coisas que não conhecia, afirmando que: “descobre coisas que não consegue ver em visita”, sendo que após houve discussão do caso, com a equipe e gestora municipal, na qual foi necessário envolver outros setores do município, promovendo assim a intersetorialidade. Nesse c
Atualmente, o projeto continua sendo desenvolvido através de workshops e oficinas, sendo que o ciclo de melhoria passa a incluir de novos processos e pactuação de novas metas, para oferta do cuidado com segurança e dessa forma traduzir em resultados favoráveis a essa subpopulação. Os resultados na utilização da EVFAM confirmam a necessidade de dar continuidade junto aos municípios que aderiram ao PlanificaSUS, uma vez que as informações obtidas pelos ACS possibilitam conhecer melhor a população e classificar as famílias nos respectivos grupos de vulnerabilidade e dessa forma programar o cuidado através de uma discussão que envolve toda equipe. A visão do território por estratos de vulnerabilidade das famílias e a orientação da programação do cuidado centrada nas necessidades identificadas estão no escopo da organização de processos da APS para a gestão de base populacional, como preconizado pela PAS. Nesta conjuntura, a utilização da EVFAM-enuncia, com evidências de validade robustas e que contemplam o cenário nacional, demonstram ser um instrumento conciso capaz de mensurar a vulnerabilidade familiar com potencial de ampla aplicação por profissionais no Brasil.
PlanificaSus, Estratificação de risco, EVFAM
ELAINE APARECIDA BECELI COLTRI, LILIANE CRSITINA NAKATA, LUZINETE APARECIDA DIAS OTTOBONI, KAREN DANIELA TASSI GOMES, ALINE CRISTINA LIMA SOUZA, ALINE FIORINI DOS SANTOS FELTRIN