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Com o progresso da tecnologia na área da saúde e os avanços da Medicina, a taxa de sobrevida dos bebês de risco foi ampliada significativamente nas últimas décadas. Houve então a necessidade de acompanhamento dessas crianças de maneira sistemática para observar a evolução do desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) e minimizar os prejuízos que os fatores de risco poderiam provocar. Dentre os fatores de risco estão: o baixo peso ao nascimento (BP) (menor de 2500g), o recém-nascido pré termo(RNPT), a asfixia neonatal (ANN) grave (Apgar menor que 5 no 5º minuto de vida), síndromes genéticas, fator pré natal de risco (doenças de transmissão vertical como toxoplasmose, sífilis, uso de substância psicoativa na gestação), malformações congênitas, problemas relacionados ao parto e pós parto imediato, risco familiar (consanguinidade, pais com deficiência auditiva ou intelectual, familiar de 1º grau com TEA…). Os bebês classificados de risco apresentam maiores chances de alterações no crescimento e no DNPM nos primeiros anos de vida. O acompanhamento realizado por uma equipe multidisciplinar na primeira infância identifica atrasos e deficiências, possibilita a intervenção precoce para um desenvolvimento adequado e oferece apoio a família, para que esta esteja apta a estimular e cuidar da criança.
Este trabalho tem por objetivo relatar a experiência e os resultados obtidos no atendimento conjunto pela fonoaudiologia e fisioterapia com bebês de risco no Ambulatório de Pediatria de Alto Risco e Especialidades (AMPARE) do município de Santana de Parnaíba, no ano de 2024. A fonoaudióloga e a fisioterapeuta do AMPARE acompanham, detectam e intervêm precocemente nas alterações do desenvolvimento dos bebês de risco e orientam os familiares quanto às suas necessidades.
Bebês classificados de risco são encaminhados para o AMPARE, ambulatório multiprofissional com pediatra, fonoaudiólogo e fisioterapeuta, que conta também com a colaboração de neuropediatra, oftalmologista infantil, cardiologista infantil, pneumologista infantil e otorrinolaringologista. A fonoaudióloga incentiva e orienta o aleitamento materno, avalia as funções estomatognáticas, da coordenação da deglutição, aspectos cognitivos e de desenvolvimento da linguagem. A fisioterapeuta avalia o desenvolvimento sensório motor e orienta os pais quanto à estimulação precoce. As duas profissionais realizam o atendimento individual do bebê através de consulta compartilhada. A frequência de atendimento é mensal, ou pode ser bimestral, de acordo com a avaliação do bebê e o seu DNPM. Quando necessário, a fisioterapeuta e a fonoaudióloga encaminham o bebê para atendimento semanal com equipe de reabilitação do município. Todos os bebês fazem o acompanhamento auditivo através de encaminhamento para reteste de emissões otoacústicas (EOA) aos 3 meses, 6 meses e 1 ano de idade; para os recém nascidos pré termo (RNPT) considera-se a idade corrigida para tais encaminhamentos. Caso o bebê apresente dois resultados de EOA alterado, é encaminhado para o otorrinolaringologista. A alta com a fonoaudióloga e a fisioterapeuta do AMPARE se dá após a criança iniciar marcha independente e fala, ou automaticamente aos 2 anos de idade com realização de encaminhamentos, se necessário.
No ano de 2024, as especialidades de fonoaudiologia e fisioterapia do AMPARE acompanharam 123 bebês, totalizando 429 atendimentos. Em relação ao fator de risco, tivemos 3 bebês encaminhados por BP, 6 por ANN grave, 18 por complicações no parto e pós parto imediato, 07 por síndrome genética, 37 por fator pré natal, 8 por malformação congênita, 6 por risco familiar, 14 por gestação múltipla e 75 por prematuridade. Vale ressaltar que 54 bebês apresentaram mais de um fator de risco associado. Dos 123 bebês atendidos em 2024: 62% apresentaram atraso do DNPM e apenas 6,5% necessitaram de encaminhamento para equipe de reabilitação por não adequarem o DNPM com as orientações recebidas; os demais alcançaram o DNPM adequado com o atendimento mensal no AMPARE; 10% foram encaminhados precocemente por apresentarem síndrome genética ou malformação que demandasse intervenção de equipe de reabilitação; receberam orientações quanto a estimulação pela fonoaudióloga e fisioterapeuta do AMPARE antes de iniciar o tratamento semanal, minimizando prejuízos; 5% mantiveram atraso de linguagem e 9% apresentaram sinais sugestivos para TEA e receberam encaminhamento para acompanharem com equipe de reabilitação antes dos 2 anos de idade; 14% mantiveram o DNPM adequado durante todo o acompanhamento com fonoaudióloga e fisioterapeuta do AMPARE, com as orientações recebidas.
Fica evidente a efetividade do atendimento conjunto pela fonoaudiologia e fisioterapia em detectar precocemente alterações motoras, comportamentais e cognitivas e proporcionar por meio de orientações aos familiares o desenvolvimento adequado, reduzindo a comorbidades dos bebês. E, quando necessário, realizar encaminhamentos precoces. Podemos também considerar que o vínculo com os pais foi efetivo e a proposta de oferecer suporte técnico e apoio às famílias foi alcançada.
bebês de risco, desenvolvimento, ESTIMULAÇÃO
JANAINA CRUZ MARINI, RAFAELA SODERINI FERRACCIU, ANDREA MARCONDES PALMIERI DA CRUZ, MELISSA GOMES DE OLIVEIRA, TANIA CRISTINA MINGARELLI, NATÁLIA CALDEIRA PONTES, MARIA SILVIA DE ALMEIDA MELLO FREIRE, JOSÉ CARLOS MISORELLI (IN MEMORIAM)