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A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é caracterizada pela elevação sustentada dos níveis de pressão arterial e é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e renais. Ela também é frequentemente associada a outras doenças crônicas e a eventos como morte súbita, acidente vascular encefálico, infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca e doença arterial periférica. A hipertensão arterial pode ser primária, quando surge sem causa clara; ou secundária, quando decorrente de outros problemas de saúde. Os sintomas mais comuns são: dor de cabeça, tontura, palpitações e alteração na visão. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia e Diretriz Européia de Hipertensão de 2024, uma medida pressórica considerada normal é abaixo de 120x80mmHg. Já o diabete melito tipo 2 (DM2) ocorre por perda progressiva de secreção adequada de insulina, geralmente secundária à resistência insulínica e à síndrome metabólica, além de deficiência parcial de secreção de insulina pelas células ß pancreáticas, e por alterações na secreção de incretinas. Esta condição clínica é caracterizada por hiperglicemia crônica e corresponde a 90, 95% de todos os casos de diabete melito (DM). Em 2019, 5,89% da população mundial tinha DM2, o que equivale a aproximadamente 437,9 milhões de indivíduos. O número de casos novos em 2019 foi de 21,7 milhões, o que representa 280 casos novos por 100.000 habitantes. No Brasil, a prevalência de DM2 é de 5,8%.
O objetivo deste relato de caso é descrever a experiência de um casal de pacientes com hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus sob a supervisão da Estratégia de Saúde da Família, destacando a importância e relevância da Atenção Básica, do trabalho da equipe multidisciplinar, das visitas domiciliares e do cuidado farmacêutico no manejo dessas condições crônicas.
Pacientes P.M.D. e I.S. casados, possuem HAS e DM. Não aderentes à terapia medicamentosa, nem às orientações de saúde. P.M.D. em 09/2024 teve um Acidente Vascular Cerebral. A esposa I.S. tem muita dificuldade de administrar os medicamentos. A farmacêutica foi incluída nos cuidados em 13/09/2024 e realiza Visita Domiciliar (VD), elabora o calendário posológico com os nomes de cada medicamento e quantidade a ser administrada, conforme prescrição médica. Monta para ambos uma caixa separando os medicamentos em manhã, tarde e noite, onde cada medicamento é colocado com a quantidade a ser tomada. Foi verificada a falta de vários medicamentos prescritos. Orientada a compra e/ou retirada na Farmácia Popular. Nas VD´s de 25/10/2024 e 18/12/204 pôde-se observar a dificuldade da paciente I.S. em tomar os próprios medicamentos e administrar os medicamentos ao esposo, pois as caixas estavam desorganizadas e com medicamentos faltando. Em 27/01/2025 paciente I.S., passou em consulta médica, onde foi introduzido um antidepressivo. No mesmo dia foi atendida pela Farmacêutica que elaborou novo calendário posológico. Em 05/02/2025 foi feita uma VD e constatado que a caixa estava organizada, paciente I.S. estava mais centrada e calma, conseguiu explicar como deveria tomar os medicamentos, e todos os medicamentos estavam nas caixas. Dia 07/03/2025 prevista uma VD com farmacêutico e nutricionista, pois foi verificado desinformação quanto à alimentação correta.
O caso apresentado ainda está em acompanhamento e destaca a importância do acompanhamento contínuo e das visitas domiciliares para garantir a evolução positiva dos pacientes. Considerando a necessidade de cuidados permanentes, a continuidade da assistência será essencial para promover a recuperação, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Assim, manter um acompanhamento próximo e multidisciplinar permitirá ajustar as intervenções conforme a evolução do quadro clínico, assegurando um suporte eficaz e humanizado.
O trabalho multidisciplinar na Atenção Básica é fundamental para garantir um cuidado integral e eficiente ao paciente. A atuação do farmacêutico nesse contexto desempenha um papel essencial, contribuindo para a otimização da terapia medicamentosa, a adesão ao tratamento e a segurança do uso dos fármacos. Sua colaboração com outros profissionais de saúde permite uma abordagem mais completa, prevenindo problemas relacionados aos medicamentos e promovendo o uso racional. Dessa forma, a presença do farmacêutico fortalece a qualidade da assistência e melhora os desfechos clínicos, beneficiando diretamente a saúde da comunidade.
HAS, Cuidado Farmacêutico, Diabetes, Adesão
FABIANA BANCI FERREIRA