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Na UBS Pq Reid após matriciamentos/discussões de casos EMULTI e ESF foi percebido uma alta demanda de pacientes em sofrimento mental, especialmente com queixas de ansiedade/depressão, bem como uso de medicalização no cuidado dessas pessoas. Com intuito de trabalhar a desmedicalização e cuidar de forma integral dos pacientes foi criado o grupo MoviMENTES. Com abordagem integrada, o projeto visa não apenas cuidar da saúde mental, mas também criar um espaço de acolhimento, onde fragilidades e potencialidades dos participantes sejam reconhecidas. Ao realizar atividades diretamente no território e com apoio da associação de moradores, buscamos estreitar laços com a comunidade, promovendo saúde emocional e bem-estar de forma acessível e inclusiva para todos. Além disso, para as mulheres, o projeto oferece uma oportunidade de empoderamento e fortalecimento, ao passo que para os homens, busca-se conscientização sobre a importância de cuidar da saúde emocional e de romper com estigmas de gênero. Realizado quinzenalmente em espaço comunitário, na associação de moradores do território da UBS, o grupo é aberto para homens e mulheres. O intuito é aproximar-se da comunidade e criar um ambiente acolhedor, no qual seja possível reconhecer e valorizar fragilidades, desejos e potencialidades dos participantes. A equipe é composta por psicóloga, educador físico e ACS, propõe uma abordagem integrativa, que considera aspectos psicológicos e físicos, visando também o empoderamento feminino.
Promover o cuidado da saúde mental de pessoas que apresentam queixas relacionadas à ansiedade e depressão, oferecendo um espaço de apoio emocional, conscientização e desenvolvimento de estratégias para o enfrentamento desses desafios. Diminuir o uso de medicalização no cuidado da saúde mental e contribuir com a valorização da cultura como elemento fundamental para o bem-estar.
A metodologia deste projeto é fundamentada em encontros quinzenais realizados no território, utilizando o espaço da associação de moradores como ponto de encontro. Essa escolha visa facilitar o acesso dos participantes e criar um ambiente mais próximo da comunidade, onde as pessoas se sintam mais à vontade para compartilhar suas vivências e dificuldades. Devido não ser o grupo aberto não podemos contar com um número fixo de participantes, a maioria dos encontros conta com 12 pacientes a partir de 20 anos. As ações incluem: 1. Rodas de Conversa: Momentos de escuta ativa e troca de experiências, nos quais os participantes – homens e mulheres – podem compartilhar suas vivências, refletir sobre questões emocionais como ansiedade e depressão e falar sobre suas necessidades. 2. Intervenções Psicoterapêuticas Grupais: Sessões conduzidas pela psicóloga, com técnicas terapêuticas voltadas para o tratamento da ansiedade, da depressão e de outras questões emocionais, oferecendo estratégias para o enfrentamento das dificuldades cotidianas e fortalecimento da autoestima. 3. Exercícios Físicos e Meditação: Atividades de alongamento, relaxamento, respiração e meditação, que buscam reduzir os níveis de estresse, melhorar a disposição física e mental e proporcionar uma sensação de bem-estar. 4. Atividades Culturais: Apresentações de dança e contação de histórias, realizadas como formas de expressão cultural, com objetivo de proporcionar momentos de descontração, criatividade e integração.
Observamos redução significativa nos sintomas de ansiedade e depressão entre os participantes, conforme indicado pelas melhorias nos relatos subjetivos dos pacientes. Vários pacientes que antes necessitavam de medicação agora relatam sentir-se mais equilibrados emocionalmente, com controle crescente sobre suas emoções e melhor sensação de bem-estar, resultado direto das atividades de apoio psicológico, intervenções psicoterapêuticas e práticas de relaxamento. As mulheres, especialmente aquelas em situações vulneráveis, demonstraram um fortalecimento significativo da autoestima. Muitas se sentiram mais confiantes e capacitadas para expressar suas vulnerabilidades e desenvolver estratégias eficazes para lidar com seus desafios emocionais. Esse fortalecimento teve impacto direto na sua capacidade de tomar decisões mais assertivas, principalmente no enfrentamento de situações de violências, além disso, elas passaram a se apoiarem dentro da comunidade. As mulheres relatam se sentirem mais empoderadas, com uma maior capacidade de enfrentamento das adversidades. Elas não apenas se fortaleceram emocionalmente, mas também passaram a se posicionar mais assertivamente dentro de suas comunidades e dentro de suas próprias vidas, tomando decisões mais confiantes que impactaram positivamente sua saúde mental e qualidade de vida. Os participantes, de maneira geral, mas especialmente os homens, se tornaram mais conscientes da importância da saúde mental.
As atividades culturais e as rodas de conversa facilitaram a criação de vínculos fortes entre os moradores, criando um ambiente acolhedor e cooperativo dentro da comunidade. Conclui-se que o grupo vem contribuindo de forma significativa para melhorar a qualidade de vida, autonomia e autocuidado dos usuários da Unidade de Saúde. Dessa forma reforça a importância de ações voltadas para Promoção, Prevenção e proteção da saúde dentro da atenção primária.
Saúde mental, desmedicalização, e-multi
LUZIENE SOUZA TEIXEIRA, HENRIQUE COSTA FERREIRA SANTOS