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O Consultório na Rua (CNR) BOMPAR, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (SMS-SP), possui 29 equipes de saúde voltadas para o cuidado integral da população em situação de rua, com cerca de 16.155 pessoas cadastradas. Atuando nas 6 macrorregiões do Município, utilizam diversas estratégias para alcançar e sensibilizar essa população para o cuidado. As equipes trabalham com a Cartografia Social, ferramenta utilizada no planejamento e transformação da saúde, fundamentada na investigação-ação-participativa e no desenvolvimento local. Os usuários atendidos participam do processo deterritorialização, o que chamamos de Território Vivo, fundamental para entender as maneiras de viver e pensar, além das dimensões simbólicas, afetivas e seus sentidos. Busca-se entenderas conexões entre os sujeitos e o território. Na cartografia convencional, o mapa é visto decima, perdendo nuances e individualidades. Já na Cartografia Social, a população é vista “olho no olho”, permitindo mapear aspectos simbólicos individuais e existenciais. Essa cartografia resultou em outra ferramenta, o Itinerário Terapêutico, que desenha todo o trajeto percorrido pelos usuários, começando pelos mais vulneráveis. O Itinerário Terapêutico compõe o Projeto Terapêutico Singular (PTS) do indivíduo, possibilitando um cuidado integral e participativo.
Construir de forma ampla e participativa o território; • Respeitar a heterogeneidade da população; • Apresentar um diário habitual da comunidade e do seu entorno, os lugares relevantes; • Institucionalizar práticas construídas de forma compartilhada com o território; •Uso da informação em saúde como ferramenta de trabalho, permitindo que as informações sejam sistematizadas; • Realizar ações sistemáticas de matriciamento junto à rede, reforçando o compartilhamento de casos; • Construir estratégias especificas para a regulação de vagas para os demais níveis de atenção; • Fortalecer a Educação Permanente como espaço deformação para o SUS, através de elementos estruturantes do processo de trabalho; •Fortalecer as ações da equipe nas ações territoriais.
A metodologia de Cartografia Social adotada pelas equipes foca em uma abordagem participativa sobre a população em situação de rua. Diferente da cartografia convencional, que observa os mapas de cima e perde nuances individuais, a Cartografia Social vê a população olho no olho, permitindo mapear aspectos simbólicos e existenciais para completar o mapa territorial. Passos da Metodologia: 1. Definir os limites do território (mapa de abrangência). 2. Plotar referências fixas relevantes para a população em situação de rua, como: o Rede de assistência social: Albergues, CRAS, CREAS, Centro Pop. o Rede de saúde: UBS, CAPS, Hospitais, CER, Maternidade, SAE e outros. o Cenas de uso, Igrejas, Núcleos de assistência filantrópicos. Dimensões Consideradas: • Dimensão Física: Delimitação do território, dispositivos de saúde, dispositivos sociais. • Dimensão Epidemiológica: Sexo/gênero predominante, faixa etária, principais fatores de risco sociais e de saúde, áreas críticas de violência. • Demandas de Saúde: Principais patologias. Conexão entre População e Território: •Pontos estratégicos para permanência. • Fluxos de alimentação, higiene pessoal, sono. •Relações com comércio, comunidade e cultura local. • Perfil populacional e especificidades regionais. • Motivos para chegada e permanência nas ruas Essa metodologia visa entender profundamente as conexões entre indivíduos e território, promovendo cuidado integral e participativo.
Os resultados alcançados é de um maior envolvimento dos profissionais em relação ao território vivo e aos pacientes presentes nele, ampliando o olhar em relação a singularidade e subjetividade que o território tem para cada pessoa, ampliação da rede de apoio junto a rede formal e informal; fortalecimento dos pares e validação dos recursos do território que vão se moldando a cada atualização na cartografia de cada equipe, bem como o envolvimento e reconhecimento de todos os pontos do território por todos os membros da equipe.
As equipes tem se debruçado no processo sistemático de territorialização, considerando a nuance do território vivo e que se modifica em seus aspectos de forma constante, o processo tem aproximado os profissionais e alimentando a possibilidade da troca por meio da Educação em Saúde e validação do saber de todos os membros da equipe, apoiando nas relações interpessoais na equipe e na rede de atenção à saúde, além de validar o sujeito em sua integralidade dos motivos que a fizeram chegar até ali e permanecer, culminando ainda no Itinerário Terapêutico, que busca acompanhar a trajetória deste paciente no território, a fim de apoiar nas buscas ativas para a garantia da manutenção do cuidado.
Cartografia Social, Consultório na Rua, Saúde.
MARTA REGINA MARQUES AKIYAMA, ARLINDO FREDERICO JÚNIOR, ANA PAULA CRUZ ALMEIDA, MARYLUCE CALSAVARA, MARIVALDO DA SILVA SANTOS, RODRIGO SETTE, ANGELICA APARECIDA FERREIRA COSTA, RENATA DO AMARAL BANAX, LAIS SANTOS DA SILVA, TALITA MENDES DE FARIA SILVA, SARAH OLIVEIRA GONÇALVES ESTEVES