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Na Epidemiologia, prever o futuro e intervir no presente é essencial para reduzir a carga de doenças na população. De modo semelhante, para um gestor de saúde planejar ações de promoção da saúde, é fundamental compreender a evolução dos indicadores epidemiológicos na Atenção Básica ao longo do tempo (ANTUNES, 2015). No Brasil, a Atenção Básica é regida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que, desde sua criação e regulamentação em 1990, passou por um processo de descentralização político-administrativa, com a gestão das ações e serviços de saúde sendo transferida para os municípios. Nesse contexto, em 1998, surgiu um novo modelo de parceria entre o setor público e privado, a Organização Social de Saúde (OSS). Esse modelo permite a prestação de serviços de saúde em regime de direito privado, preservando os princípios do SUS: universalidade, integralidade, equidade, regionalização, hierarquização, territorialização, resolutividade, longitudinalidade do cuidado, ordenação da rede e participação comunitária (CUNHA, 2022; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2024). Com foco na Atenção Básica, em 2015, foi firmado o contrato entre a Fundação do ABC e a Prefeitura de São Paulo para a gestão das unidades da Rede Assistencial da Supervisão Técnica de Saúde (STS) São Mateus. Em 2024, foi criado o Setor de Epidemiologia, com a missão de produzir informações atualizadas e oportunas para monitoramento da Situação de Saúde, avaliar o impacto das intervenções de saúde e promover o uso da informação na gestão
Monitorar os principais indicadores epidemiológicos da rede assistencial da atenção básica da Supervisão Técnica de Saúde São Mateus/SP; Estimar a variação percentual anual e/ou mensal dos indicadores epidemiológicos, a saber: mortalidade infantil, internações por condições sensíveis à atenção básica, proporção de óbitos precoces (30-69 anos) por DCNT selecionadas, e proporção de gestantes com sete ou mais consultas de pré-natal; Produzir Boletins Epidemiológicos periódicos sobre os principais problemas de saúde pública da Supervisão Técnica de Saúde São Mateus/SP; Promover a integração da vigilância em saúde, da atenção básica e da pesquisa científica, por meio do encaminhamento para publicação de artigos científicos sobre as principais emergências de saúde pública da Supervisão Técnica de Saúde São Mateus/SP.
Este relato de experiência visa descrever a atuação do Setor de Epidemiologia na OSS Fundação ABC. Para as análises epidemiológicas desenvolvidas pelo setor são utilizadas as bases de dados do Setor de Informação em Saúde da OSS Fundação ABC, bem como da Supervisão de Vigilância em Saúde de São Mateus/SP, localizada na Zona Leste do município de São Paulo, Brasil. As bases de dados incluem: Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), Sistema de Informações sobre Internações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH-SUS), Sistema de Informações Ambulatoriais (SIASUS), Sistema Integrado de Gestão de Assistência à Saúde (SIGA) e da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo (PRODAM-SP). Para a realização de análise estatística os dados são desagregados conforme características sociodemográficas, com o objetivo de estimar medidas de tendência central e dispersão, tais como médias, desvio padrão, medianas e intervalos interquartis, além de proporções (%) e taxas (por 1.000 ou 100.000 habitantes). São calculadas as Razões de Prevalência ajustadas por meio de regressão de Poisson. Para a análise de séries temporais, utiliza-se o modelo de regressão Prais-Winsten para estimar o Annual Percent Change (APC). Todas as análises estatísticas são realizadas no software Stata 18.0, da StataCorp LLC (College Station, Texas, 2025).
O Setor de Epidemiologia na OSS Fundação ABC visa desenvolver o serviço de Inteligência Epidemiológica na STS São Mateus/SP, utilizando metodologia estratégica de mensuração, monitoramento e análises de indicadores epidemiológicos, para avaliação contínua dos eventos relacionados à saúde e, também, para regular a disseminação e interpretação dessas informações, através de relatórios técnicos, boletins epidemiológicos e artigos científicos. A rotina no Setor de Epidemiologia está relacionada ao planejamento e participação nas reuniões científicas, de colegiado, com gerentes da Atenção Básica e reuniões técnicas, além da organização de cursos e análises de grandes bancos de dados. Os dados analisados são divulgados em paineis interativos no Power BI, acessíveis para todos os profissionais de saúde da OSS Fundação ABC. Esse processo sistemático permite que a gestão acompanhe tendências, identifique unidades com baixa cobertura e implemente intervenções imediatas, garantindo um cuidado mais equitativo e eficaz. A exemplo, em relação ao monitoramento dos indicadores epidemiológicos, identificou-se tendências de estabilidade (p>0.05) no período analisado; em relação ao boletim Epidemiológico sobre dengue, foi possível identificar que a situação na STS São Mateus/SP é grave e em 2024 a incidência de dengue foi 26 vezes maior do que a incidência observada na epidemia de 2015, com até 3119 de casos (12,8%) registrados em uma única Semana Epidemiológica (SE 17).
O Setor de Epidemiologia, descrito neste trabalho, permitiu refletir sobre o serviço de inteligência epidemiológica como um mecanismo essencial para o aprimoramento das políticas públicas municipais. Este modelo de Organização em Saúde propõe a reestruturação de recursos e a formação de comunidades colaborativas, com o objetivo de enfrentar eficazmente as emergências em saúde pública. Espera-se que os dados gerados pelo Setor de Epidemiologia possam contribuir diretamente para a gestão de ações estratégicas, priorizando os grupos mais vulneráveis, de forma a promover maior equidade no acesso à saúde e, consequentemente, melhorar as condições de vida da população. Da mesma forma, possibilita uma visão ampliada sobre os indicadores epidemiológicos gerados, viabilizando um processo contínuo de aprimoramento das práticas de saúde, com o objetivo de garantir uma resposta mais eficiente e sensível às necessidades da população. Ademais, essa abordagem estratégica de atividade de inteligência, visa contribuir com informações privilegiadas para o aprimoramento das ações de saúde pública na rede assistencial da STS São Mateus/SP, promovendo um modelo de atuação eficaz em emergências e crises compatíveis com a situação de saúde da população.
EPIDEMIOLOGIA, MODELO DE ORGANIZAÇÃO
EDIGE FELIPE DE SOUSA SANTOS, KARINA FERREIRA DA SILVA, TIAGO HENRIQUE PEZZO, GABRIELLA DE OLIVEIRA MARQUES, ADRIANA FERREIRA DOS SANTOS, ALEXANDRA CORRÊA DE FREITAS, RODRIGO TEIXEIRA SANCHES, RENATA MACEDO MARTINS PIMENTEL, LUIZ CARLOS DE ABREU, HUGO MACEDO JR., HUGO MACEDO JR.