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O pré-natal tem como principal objetivo garantir o desenvolvimento saudável da gestação, promovendo, consequentemente, o nascimento de um recém-nascido saudável. Além disso, permite a identificação precoce de possíveis intercorrências que possam comprometer a saúde materna e fetal. A estratificação de risco obstétrico, é um fator crucial para a redução da mortalidade materna, fetal e neonatal. Dessa forma, garante-se que a gestante receba os cuidados necessários, proporcionando uma experiência gestacional positiva e minimizando os potenciais agravos à sua saúde e à do bebê. Todas as gestantes que realizam acompanhamento pré-natal na rede municipal de saúde de Osasco, e que possuem risco obstétrico, são encaminhadas para o ambulatório de Pré Natal de Alto Risco (PNAR), localizado na Casa da Mulher (CM). A importância da assiduidade nas consultas de Pré Natal busca assegurar o desenvolvimento adequado da gravidez e reduzir os riscos de complicações, como baixo peso ao nascer, prematuridade e condições obstétricas graves, como eclâmpsia e diabetes gestacional. O Ministério da Saúde preconiza o atendimento da gestante no PNAR por equipe multidisciplinar, que inclui atuação do enfermeiro. Na CM, o enfermeiro desempenha um papel essencial, atuando em atividades como a Consultoria em Amamentação, na Visita Guiada à Maternidade e na busca das gestantes faltosas. Vale ressaltar que essa paciente é orientada a não perder o vínculo com a Atenção Primária que iniciou o acompanhamento.
A busca de gestantes faltosas tem como objetivo assegurar o acompanhamento regular nas consultas de pré-natal de alto risco. Esse acompanhamento contínuo é fundamental para reduzir os riscos e prevenir possíveis complicações evitáveis, tanto para a gestante quanto para o feto. Serve também para: •Contabilizar o índice de absenteísmo de gestantes no PNAR; •Assistência compartilhada nos diversos níveis de atenção: Informar à Unidade Básica de Saúde de referência da gestante a situação de acompanhamento no PNAR e solicitar busca ativa.
Foi elaborada uma planilha de acompanhamento das gestantes em seguimento no PNAR, disponível no OneDrive, de responsabilidade exclusiva das enfermeiras. A enfermeira da Casa da Mulher irá visualizar diariamente a agenda do PNAR ao final do atendimento médico, quando já estará sinalizado as gestantes recém-admitidas, as que compareceram às consultas e as faltosas. No primeiro dia útil após a falta, realiza-se a busca das gestantes ausentes, iniciando com a consulta ao prontuário eletrônico, verificando os registros de atendimento, como internações, partos ou reagendamentos de consultas. Caso não haja atualizações, o próximo passo é realizar o contato telefônico para confirmar o motivo da ausência e reagendar a consulta. Se não houver sucesso no contato telefônico, é enviado um e-mail para a UBS de referência, informando a falta da gestante e solicitando a busca ativa, para posterior reagendamento. Ao final de cada mês, é realizado revisão da planilha, identificando gestantes que não realizaram nenhum agendamento de consulta pré-natal no período e as com data provável de parto para o mês em questão, a fim de garantir que receberam o acompanhamento adequado e identificar possíveis erros de data. Nos casos em que a gestante foi internada para parto, há sinalização na planilha e realizado busca de informações no livro de parto. Todas as informações de busca são inseridas tanto na planilha quanto no prontuário da paciente.
No período entre março a dezembro de 2024, tivemos uma média mensal de 430 gestantes em acompanhamento no PNAR. Foram realizadas 877 buscas de gestantes que não compareceram às consultas agendadas. Os motivos identificados, foram os seguintes: esquecimento da consulta, internação para acompanhamento de comorbidades da gestação ou parto, acompanhamento pré-natal em outro serviço de referência para alto risco, preferência da gestante em realizar as consultas na UBS próxima à residência, óbito fetal, abandono do pré-natal, mudança de residência para outro município. Em relação aos contatos telefônicos, 360 tentativas não foram bem-sucedidas, o que resultou no encaminhamento de e-mails para a UBS de referência de cada gestante, a fim de realizar a busca ativa. Durante as conversas com as gestantes ou seus familiares, reforçamos a importância da continuidade e regularidade das consultas de pré-natal, destacando os benefícios para a saúde da mãe e do bebê.
A monitorização da frequência nas consultas de pré-natal de alto risco tem o intuito de identificar as gestantes que não comparecem às consultas para futuras medidas, como realização de busca ativa. A utilização da planilha compartilhada facilitou o registro e a identificação das gestantes faltosas. O contato telefônico e o envio de e-mails representam uma estratégia de baixo custo, mas com grande impacto na garantia da continuidade do cuidado assistencial. A ausência nas consultas de pré-natal pode acarretar sérias consequências, como o aumento da probabilidade de intercorrências obstétricas e o risco de complicações fetais e neonatais. A importância desse controle, aliado às ações de busca ativa, tem um impacto direto na qualidade da gestação, no parto e no nascimento, contribuindo para melhores desfechos para a mãe e o bebê.
Pré-Natal de Alto Risco, Busca Ativa
NILVÂNIA CARZOLA IECKS DOS ANJOS, PRISCILLA FÁTIMA DOS SANTOS, ADRIANA ALVES DE OLIVEIRA LIMA, ANGELA ALVES TAVARES, MARIANA DE FIGUEIREDO JAGUSZEWSKI, MAYLA PEREIRA DONON