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As pessoas que vivem com transtornos mentais apresentam maior risco para o desenvolvimento de outras doenças tais como Hipertensão Arterial e Diabetes Melitus tipo II, que repercutem em sua qualidade de vida e reduzem substancialmente sua expectativa de vida (Pubmed, 2023) A partir deste dado, um grupo de profissionais do CAPS Adulto III Paraisópolis e da UBS Paraisópolis III, de forma integrada e inovadora, buscaram: Compreender os processos de cuidado e as lacunas percebidas na atenção às pessoas com transtornos mentais e comorbidades clínicas – Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e Diabetes Mellitus (DM) – para elaborar propostas de mudanças de práticas, especificamente no CAPS Adulto III Paraisópolis, que promovam e qualifiquem o cuidado integral e a articulação de rede com a Atenção Básica
Identificar no CAPS Adulto III Paraisópolis lacunas na atenção a pessoas com transtornos mentais e comorbidades clínicas Analisar e modificar processos de trabalho que fortaleçam o princípio da integralidade, possibilitando identificação de comorbidades clínicas de pessoas que são atendidas no CAPS Adultos III Paraisópolis e integração no circuito de cuidado Desenvolver indicadores relacionados a identificação de comorbidades clínicas
O percurso metodológico de realizar mudanças de práticas baseadas em evidências foi composto das seguintes ações encadeadas: Mapeamento da literatura científica acerca de ações integrais de cuidado realizadas nos serviços especializados de saúde mental às pessoas usuárias com comorbidades clínicas Diagnóstico e exploração do problema no CAPS Adulto III envolvendo atividades educativas com os profissionais para compreender os cuidados já praticados e identificar lacunas na atenção a pessoas com transtornos mentais e comorbidades clínicas Análise dos registros dos atendimentos realizados no CAPS Adulto III para identificar de que forma tais informações eram consideradas durante as avaliações dos usuários.;
O estudo para efetivar mudanças de práticas realizado por um grupo de profissionais integrando serviços da UBS Paraisópolis III e do CAPS Adulto III identificou poucos estudos relacionados, entretanto a mobilização do tema possibilitou uma maior sensibilização da equipe do CAPS para o cuidado integral, reforçando o vínculo insubstituível do usuário do CAPS com sua UBS. Neste processo foram identificadas lacunas relacionadas aos atendimentos e acompanhamentos de pessoas com transtornos mentais e comorbidades clínicas, especificamente relacionada a HAS/DM: vínculo da população com sua UBS de referência, autoconhecimento sobre sua saúde clínica e uso ou não de medicações clínicas. A partir desta sensibilização e destas lacunas a gestão do CAPS Adulto III, em parceria com um colegiado de profissionais, implementou uma mudança na ficha de acolhimento inicial, que passou a incluir perguntas específicas sobre outras condições de saúde e medicações de uso contínuo. E para fortalecer a incorporação desse processo, o grupo desenvolveu indicadores para investigar e identificar comorbidades clínicas, visando organizar e direcionar o cuidado das pessoas usuárias e atender diferentes aspectos de suas necessidades de saúde.
A infância é uma fase extremamente importante na construção da psique. A maneira como a pessoa enxerga o mundo interno e externo muitas vezes está escondida nas histórias do seu passado. O objetivo inicial do grupo era dar voz aos silenciados, mas para acessar conteúdos que causam sofrimento, a arte é a melhor aliada. Relembrar não só fatos densos, mas também fatos comuns em grupo, como brincadeiras e a descoberta da sexualidade, foi fundamental para que o usuário se sentisse acolhido. O grupo foi se aprofundando e, como se fosse uma linha terapêutica da vida, chegar ao ponto em que se encontravam percebendo as crenças adquiridas, padrões mentais e ciclos repetidos de gerações, tornou-se um espaço para refletir sobre aquilo e poder escolher o que levar e deixar de sua história. A arte não só manifestou a dor, mas também acolheu e, melhor ainda, deu sentido, seja na confecção de algo útil ou em um enorme tecido com tantas histórias formando uma bandeira que mostra que essas pessoas com transtornos mentais são livres e sua história de vida importa.
Integralidade do cuidado; HAS/DM; saúde mental
PAULO ROBERTO SPINA, VANESSA DO NASCIMENTO ALVES FERREIRA, LUANA SANTOS DE CAMARGO,