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Introdução O envelhecimento populacional, o aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis e a crescente demanda por cuidados paliativos impõem desafios significativos para os sistemas de saúde na Cidade de São Paulo. Nesse contexto, a Atenção Domiciliar assume um papel estratégico na promoção da qualidade de vida para pacientes que necessitam desses cuidados. A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, por meio da Área Técnica do Programa Melhor em Casa, identificou a necessidade de qualificar as práticas assistenciais, orientando ações e intervenções por meio da elaboração de uma diretriz técnica direcionada ao cuidado no ambiente domiciliar. Justificativa A meta de estruturação de diretrizes técnicas para os cuidados paliativos foi incluída no Plano Municipal de Saúde 2022-2025, reforçando o compromisso da gestão com a qualificação da assistência domiciliar. A inexistência de um documento estruturado voltado especificamente para essa modalidade de atenção evidenciou a necessidade de consolidar conhecimentos, padronizar práticas e garantir a integração da Rede de Atenção à Saúde (RAS). A elaboração da Diretriz Técnica para Cuidados Paliativos na Atenção Domiciliar buscou responder a esse desafio, promovendo uma abordagem inovadora, colaborativa e baseada em evidências.
O principal objetivo desta experiência foi descrever o processo de elaboração da Diretriz Técnica para Cuidados Paliativos na Atenção Domiciliar, visando à qualificação das práticas assistenciais e à integração dos serviços da RAS, garantindo a continuidade do cuidado para pacientes em estado avançado de doenças crônicas.
Foi utilizada uma metodologia de concepção participativa, de caráter qualitativo, aplicada nos Serviços de Atenção Domiciliar da cidade de São Paulo entre junho e outubro de 2023. Para alinhar a prática, a pesquisa e a geração de dados, foi adotado o método World Café (WC), que favorece a participação ativa. Essa abordagem se conecta à proposta da pesquisa, que busca desenvolver uma Diretriz Técnica a partir das experiências dos profissionais da Atenção Domiciliar. O processo contou com a participação de 215 profissionais de saúde de diversas categorias profissionais, Interlocutores da Atenção Domiciliar – Programa Melhor em Casa, membros das Equipes Multiprofissionais de Atenção Domiciliar (EMAD), das Equipes Multiprofissionais de Apoio (EMAP) e gestores locais desses serviços. A coleta de dados foi realizada por meio de sete encontros estruturados com base na metodologia World Café: Um encontro piloto para adequação do método; Cinco encontros regionais, abrangendo as seis Coordenadorias Regionais de Saúde; Um encontro final com todos os gestores envolvidos na Atenção Domiciliar da Secretaria Municipal de Saúde. Seis perguntas norteadoras foram utilizadas para guiar as discussões. O ambiente dos encontros foi cuidadosamente preparado, com acolhimento e oferta de café, para estimular a participação e o engajamento dos profissionais. Os dados coletados foram transcritos integralmente e analisados por meio da técnica de análise de conteúdo.
O processo colaborativo resultou na produção da Diretriz Técnica dos Cuidados Paliativos na Atenção Domiciliar, oficialmente lançada em um evento com a presença do Secretário Municipal de Saúde, representante da Secretaria Estadual da Saúde, gestores locais das UBS e dos Serviços de Atenção Domiciliar do Programa Melhor em Casa. A diretriz foi disponibilizada na Biblioteca Virtual em Saúde e no site da SMS, adotada como documento norteador, e um infográfico foi criado para facilitar a compreensão das informações de forma visual e sintetizada. A metodologia World Café garantiu a qualidade e relevância do documento, além de promover um espaço de discussão e educação permanente. O impacto dessa abordagem foi significativo, consolidando a diretriz como uma política pública e integrando as práticas de cuidados paliativos em São Paulo. A construção da diretriz culminou com o lançamento da Política Federal de Cuidados Paliativos pelo Ministério da Saúde, sendo chancelada no Diário Oficial pelo Secretário Municipal da Saúde como uma política municipal. Adicionalmente, estabeleceram-se interlocuções regionais e locais para garantir a implementação das diretrizes. Esse alinhamento estratégico consolidou a diretriz como uma política pública inovadora para a rede municipal de saúde. Para seguir com a implementação da Diretriz e Política, foram realizados reuniões e planejamento para estruturar um grupo de trabalho em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde.
A experiência demonstrou que a construção coletiva de diretrizes técnicas foi inovadora e essencial para garantir a implementação de políticas públicas eficazes e sustentáveis. O envolvimento ativo dos profissionais de saúde, a adoção de metodologias participativas e o compromisso da gestão foram fatores determinantes para o êxito da iniciativa. A metodologia utilizada se mostrou replicável para a elaboração de outros documentos técnicos voltados à qualificação da assistência em saúde. A experiência reforça a importância da educação permanente e da integração dos serviços para o fortalecimento da Rede de Atenção à Saúde, garantindo que os cuidados paliativos sejam oferecidos com qualidade, equidade e dignidade aos pacientes e suas famílias. Por fim, nos colocou diante de um horizonte promissor para a implementação dos cuidados paliativos na rede de atenção à saúde, destacando a importância de uma abordagem humanizada, na cidade onde se vive e morre, que reconhece os cuidados paliativos como essenciais. Alinhada com a Política Nacional e Municipal de Cuidados Paliativos, a iniciativa visa ampliar o acesso precoce a esses cuidados, promovendo uma atenção integral e digna para todos
Cuidado Paliativo, Atenção domiciliar, PP em saúde
KARINA MAURO DIB, HELOISA BRUNOW VENTURA DI NUBILA, ROSAMARIA RODRIGUES GARCIA