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A Cultura de Segurança é definida como conjunto de práticas que mitigam os eventos adversos dentro das instituições. É um tema abrangente que precisa ser propagado nas instituições de saúde. O atendimento pré-hospitalar é um contexto no qual o ambiente não é controlado, com particularidades diferentes do ambiente hospitalar. Neste contexto, elencar os riscos assistenciais existentes é algo primordial e de relevância (Schuh, Krug, Possuelo, 2021). São diversas as fragilidades observadas em nosso serviço e que a literatura científica é escassa, além da legislação não prever este perfil. No entanto, o estabelecimento da Cultura de Segurança tem a finalidade de sensibilizar os profissionais e usuários quanto à importância de prever, monitorar e adequar os processos institucionais à segurança do Paciente. A legislação vigente RDC N. 36 da ANVISA, prevê a formação dos Núcleos de Segurança em ambientes de saúde como estratégia de melhoria e monitoramento das ações de segurança em saúde. A Cultura de Segurança vem como ação do Núcleo de Segurança para potencializar as estratégias voltadas à Segurança do Paciente. No atendimento pré-hospitalar é necessário o mapeamento dos riscos conforme o perfil de atendimento de serviço. No SAMU Diadema, a estratégia de Cultura de Segurança veio como atividade inicial do Núcleo de Segurança para disseminar alguns conceitos básicos sobre a Segurança do Paciente no Atendimento Pré-hospitalar e engajar os profissionais e usuários neste tema.
Implantar conhecimentos básicos de Cultura de Segurança no Atendimento Pré-hospitalar; Promover a sensibilização de profissionais quanto à importância do tema; Explicar os princípios da Cultura de Segurança; Atender à legislação vigente; Viabilizar o engajamento os profissionais e usuários do serviço, contemplando as diretrizes do Sistema Único de Saúde.
A realização desta experiência fora baseada na confecção de material teórico prévio, contendo os seguintes conceitos: legislação vigente como a RDC N. 36, Segurança do Paciente no ambiente Pré-Hospitalar, engajamento de profissionais e usuários neste contexto, estratégias adotadas pelo Núcleo de Segurança para prevenção e monitoramento de eventos adversos, apresentação do Sistema de Notificação de Incidentes, disponível na instituição. Neste processo, houve pesquisa de literatura científica atualizada deste tema. Após esta fase, fora considerado a melhor abordagem para propagar este conhecimento, elaborando-se em reuniões do Núcleo de Segurança, “brainstorming” com os membros com o objetivo de sucesso na taxa de adesão da ação. O grupo optou em gravar um vídeo, com duração de aproximadamente 7 minutos e durante a jornada de trabalho este vídeo seria replicado em mídia interna da instituição. Para a divulgação do tema, fora confeccionado um folder interno e divulgado em mural interno para maior adesão. Esta atividade fora realizada em setembro de 2024, em dois dias, com abertura para profissionais sanarem as dúvidas sobre este complexo tema.
A promoção da Cultura de Segurança no SAMU Diadema ocorreu na visualização do vídeo com o tema por profissionais e houve abertura para comentários ou questionamentos. Nos dias em que a temática fora abordada, 39 profissionais participaram, entre setores administrativos e de saúde, e o vídeo foi inserido em plataforma online gratuita, para posterior visualização dos trabalhadores. Após a visualização do vídeo, os profissionais sanaram dúvidas quanto ao que era necessário para promover a segurança do paciente e como eles poderiam colaborar neste processo. A maior parte dos questionamentos eram sobre como promover a segurança do paciente no sistema de atendimento pré-hospitalar, por se tratar de um ambiente não controlado. Houve a necessidade de explicar a adequação quanto aos principais riscos já verificados durante a assistência, e que poderiam ocasionar algum evento adverso, como por exemplo, o risco de queda. Outro questionamento a ser destacado, fora sobre quais as metas de segurança de paciente eram pertinentes ao serviço e nesta oportunidade inserimos os conceitos de segurança de paciente e relembramos as principais técnicas assistenciais que envolvem o atendimento pré-hospitalar e que podem oferecer riscos. A meta 2 de segurança fora algo também abordado na argumentação, uma vez que a comunicação é um fator que interfere diretamente na assistência à saúde. Os profissionais relataram que capacitação e aprimoramento sobre este tema era imprescindível.
O atendimento pré-hospitalar é um serviço que tem diferenças quanto ao intra-hospitalar, pois é um ambiente não controlado. Há atualmente, uma preocupação em promover por parte da gestão das organizações, tanto públicas quanto privadas, atividades que promovam a inserção dos trabalhadores nos processos de trabalho, permitindo que eles se sintam parte deste universo. O tema desta experiência tem suma relevância nos ambientes de saúde. Esta estratégia surgiu da necessidade de implantar os conceitos de segurança do paciente na instituição, bem como de engajar os profissionais e usuários para garantir a qualidade da assistência à saúde. No ambiente pré-hospitalar, este tema é algo inovador, visto que o monitoramento dos riscos é um processo em construção. É imprescindível destacar que a gestão tem a finalidade de elaborar e delinear ações que atendam à legislação vigente, considerando a estrutura e processos de trabalho atuais e em conformidade com os princípios do Sistema Único de Saúde. Destacamos que é necessário o desenvolvimento de novas ações para propagação da Cultura de Segurança para tornar este conceito parte da instituição.
Cultura de Segurança, Atendimento Pré-Hospitalar.
LIVIA BARUDI DAMASCENO, ADALBERTO SILVA CERQUEIRA, AVILMAR SOUZA DE CARVALHO, AURELIO RAMOS LEITÃO, ALEXANDRE JOSÉ DA SILVA, AUGUSTO GONÇALVES SILVA, ERIKA RIBEIRO DOS SANTOS