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A gestão eficiente dos serviços públicos de saúde exige análise contínua de dados para otimizar recursos e ampliar o acesso da população. Em Praia Grande, a Atenção Primária é organizada pela Estratégia Saúde da Família (ESF) há muitos anos, sendo o eixo central da assistência e garantindo 100% de cobertura desde 2016. Nesse contexto, a gestão tem sido continuamente fortalecida para aprimorar o acesso e a qualidade dos serviços, incluindo a ampliação da saúde bucal. Em 2022, a cidade contava com 30 Unidades de Saúde da Família (USAFA), distribuídas para garantir assistência à população. No entanto, desafios foram observados na composição das equipes de saúde bucal, impactando a capacidade de atendimento. Naquele período, Praia Grande possuía 28 equipes de Saúde Bucal (ESB) com carga horária de 40h e 4 equipes com 20h, totalizando 32 ESB. O município contava com 52 cirurgiões-dentistas, entre estatutários e residentes, número suficiente para ampliar a assistência. Contudo, havia apenas 30 auxiliares de saúde bucal (ASB), criando um descompasso operacional que limitava a expansão dos serviços. A análise dos dados indicou que ampliar a cobertura da saúde bucal exigia a contratação de mais ASBs, otimizando a atuação dos dentistas disponíveis e aumentando o acesso da população ao atendimento odontológico. Além disso, a gestão baseada em dados permitiu aprimorar a formação dos residentes, garantindo melhor integração às equipes e fortalecendo o SUS.
Objetivo Geral Relatar a importância da gestão baseada em dados na ampliação da cobertura de saúde bucal e na melhoria dos serviços em Praia Grande, destacando como a análise situacional e a reorganização dos recursos humanos otimizaram a assistência na Atenção Primária em Saúde Bucal. Objetivos Específicos Demonstrar o impacto da análise situacional na reorganização dos recursos humanos e na expansão da cobertura odontológica. Relatar o papel dos residentes na qualificação dos serviços e no fortalecimento da Atenção Primária. Apresentar a ampliação do acesso aos serviços de saúde bucal e a otimização dos profissionais disponíveis. Evidenciar a expansão da cobertura de saúde bucal, que passou de 22% para quase 50%, garantindo maior assistência. Mostrar como a gestão orientada por dados possibilitou decisões estratégicas, tornando o SUS mais eficiente.
Para a elaboração deste trabalho, foi realizada uma análise detalhada dos sistemas de informação em saúde, com foco no Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (SCNES) e no e-Gestor. Esses sistemas foram fundamentais para obter dados precisos sobre a estrutura e a composição das equipes de saúde bucal em Praia Grande, permitindo um diagnóstico situacional embasado em informações oficiais. O SCNES forneceu dados sobre a quantidade e o perfil dos profissionais de odontologia atuantes na Atenção Primária, incluindo cirurgiões-dentistas, auxiliares e técnicos em saúde bucal, além da carga horária e distribuição das equipes. Já o e-Gestor possibilitou a análise da cobertura assistencial, identificando lacunas e oportunidades para a ampliação do acesso à saúde bucal. A partir dessas informações, foi possível avaliar a necessidade de reorganização dos recursos humanos, subsidiando decisões estratégicas para otimizar a cobertura e a eficiência dos serviços prestados.
A análise situacional e a reorganização das equipes de saúde bucal em Praia Grande resultaram em avanços significativos na ampliação do acesso da população aos serviços odontológicos. A otimização dos recursos humanos permitiu uma melhor distribuição dos profissionais, garantindo maior eficiência no atendimento e redução da sobrecarga nas Unidades de Saúde da Família (USAFA) que contavam com mais de uma Equipe de Saúde Bucal (ESB). Um dos principais avanços foi o fortalecimento do cofinanciamento federal, que anteriormente era inexistente e passou a representar um aporte de quase R$ 250 mil mensais para o município. Esse recurso adicional contribuiu para a sustentabilidade da expansão da cobertura e melhoria da infraestrutura das equipes, refletindo diretamente na qualidade do serviço prestado. Os relatos dos residentes indicaram melhorias nas condições de trabalho, com maior fluidez nos atendimentos e melhor organização da rotina das equipes. A ampliação do número de auxiliares de saúde bucal proporcionou um ambiente mais equilibrado, reduzindo a sobrecarga dos profissionais e garantindo um atendimento mais eficiente e humanizado para a população. Além disso, os residentes passaram a desempenhar um papel de maior protagonismo ao coordenar suas próprias equipes de saúde bucal, favorecendo sua formação e promovendo um aprendizado mais prático e integrado à realidade do SUS.
A análise de dados e o diagnóstico situacional mostraram-se fundamentais para uma gestão eficiente da saúde bucal em Praia Grande. A partir da observação criteriosa dos sistemas de informação, foi possível reorganizar os recursos humanos, otimizar a distribuição das equipes e ampliar o acesso aos serviços odontológicos. Os resultados obtidos evidenciam que a tomada de decisões baseada em dados não apenas melhora a qualidade da assistência prestada, mas também fortalece o cofinanciamento federal, que passou de zero para quase R$ 250 mil mensais, garantindo maior sustentabilidade financeira para as equipes de saúde bucal. Além disso, a reestruturação possibilitou melhores condições de trabalho, fluidez no atendimento e a valorização do residente, que passou a coordenar sua própria equipe, favorecendo sua formação profissional. Dessa forma, este relato reforça que a gestão orientada por dados é essencial para aprimorar o SUS, promovendo eficiência, equidade e maior impacto positivo na saúde da população.
Saúde Bucal, Gestão em Saúde, Cofinanciamento
YURI KALININ