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A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), implementada no SUS desde 2006, inclui a auriculoterapia como prática integrativa, é um recurso terapêutico complementar, que realiza abordagem integral e utiliza estímulos locais anatômicos localizados na orelha, por meio de agulhas, esferas ou sementes. A oferta das PICS na APS pode contribuir para a produção de cuidado na população idosa com problemas de saúde no auxílio, por exemplo, às dores crônicas. A dor crônica em idosos é um problema comum que impacta nas condições de vida, sendo associada a distúrbios musculoesqueléticos. O envelhecimento da população, na cidade de São Paulo e no distrito do Ipiranga, exige ações inovadoras com tecnologias leves e acessíveis para promover o cuidado integral dessa população. Atualmente, o perfil demográfico atendido pela UBS é caracterizado pelo aumento do número de idosos. Durante a análise do diagnóstico situacional, ao avaliar os dados secundários do setor de regulação da UBS, foi identificado que havia uma espera de pessoas idosas encaminhadas para acupuntura nos anos de 2021, 2022 e 2023, totalizando 221 pessoas, sendo 69, 84 e 76 respectivamente, todas com queixas de dores crônicas. Com isso, a auriculoterapia, associada à educação em saúde, foi selecionada pela equipe multiprofissional como uma estratégia viável para abordar as queixas de dor crônica nesse segmento populacional.
Relatar a experiência da Implementação de um programa de educação em saúde associado à auriculoterapia para idosos com dor crônica.
Trata-se de um relato de experiência realizado na AMA/UBS São Vicente de Paula, na região Sudeste do município de São Paulo. Na primeira etapa, foram realizadas reuniões de planejamento participativo com a equipe multiprofissional, discussão da fila de espera de pessoas idosas com dor crônica e elaboração de um fluxograma. Naquele momento, definiu-se que seria realizada a oferta do programa de educação em saúde associado à auriculoterapia. Posteriormente, ocorreu uma segunda reunião com a equipe para validação do fluxograma e implementação do programa de educação em saúde, com a definição de temas, profissionais envolvidos, tempo e duração dos encontros. Na terceira etapa, foram selecionados os idosos com dor crônica que estavam aguardando na fila para realizar acupuntura. O programa foi implementado entre outubro de 2022 e maio de 2024, com oito encontros semanais, cada um com duração de duas horas. Em todos os encontros, foram realizados acolhimento, rodas de conversa e educação em saúde pela equipe multiprofissional, além da aplicação da auriculoterapia, com preenchimento da Escala Analógica Visual (EVA) e do Inventário Breve de Dor (IBD), aplicado pelo enfermeiro.
A adesão ao programa foi observada, evidenciada pelo engajamento dos idosos e pelo apoio da equipe multiprofissional. Os participantes relataram melhorias no bem-estar geral e na saúde mental, incluindo redução dos sintomas de ansiedade e tabagismo. Além disso, o vínculo criado entre os idosos e a equipe fortaleceu a confiança e a troca de experiências. Houve redução significativa da dor entre os participantes, conforme medido pela Escala Analógica Visual e Inventário Breve de Dor demostrando a eficácia da auriculoterapia. A estratégia de Planejamento Participativo despertou o interesse de mais profissionais para se capacitarem e implementarem a auriculoterapia e outras PICS de forma eficaz, na prática. Durante esse período, o Programa foi iniciado com dois profissionais formados e concluído com quatro profissionais capacitados e atuantes na UBS.
A implementação do programa de educação em saúde associado a oferta da auriculoterapia como parte de uma estratégia de saúde integrada para idosos que sofrem de dor crônica mostrou resultados positivos, reduzindo a dor, melhorando as condições de vida e incentivando comportamentos saudáveis. A participação coletiva no planejamento foi importante para assegurar que as demandas dos idosos fossem atendidas. A colaboração entre a equipe multidisciplinar e os idosos fortaleceu o trabalho coletivo e evidenciou a relevância de iniciativas que incluam práticas integrativas no Sistema Único de Saúde (SUS). Com a avaliação do Programa, observou-se a necessidade de uma abordagem que promovesse sensibilização entre os especialistas, envolvendo a oferta de auriculoterapia, bem como das demais práticas integrativas oferecidas no serviço. A experiência destaca a eficácia da auriculoterapia como uma solução acessível e tecnologia leve voltada ao cuidado da dor crônica na Atenção Primária à Saúde. Futuras iniciativas devem continuar com integração da equipe multidisciplinar, a educação em saúde e o acesso a práticas integrativas, como a auriculoterapia, para promover a saúde do idoso de maneira sustentável.
educação, auriculoterapia, idoso, dor crônica
ANTÔNIA TELMA RODRIGUES DE MELO, THIAGO DA SILVA DOMINGOS, RENATA LEME MIS, CASSILENE DE JESUS NASCIMENTO, SARAH VITÓRIA DA SILVA GONÇALVES, ROSILDA MENDES, ÁTILA SANTOS DE MATOS, DANIELLE ALVES RODRIGUES SALOMÃO, JENNIFER YOHANNA FERREIRA DE LIMA ANTÃO, ALINE CRISTINA DE OLIVEIRA, LUANA GOMES DO CARMO, JULIANA KURIHARA REIS, REGIDALVA RODRIGUES NERES SANT’ANA, MARGARIDA APARECIDA PEREIRA, ANA PAULA BERNARDINO GUIRALDELI, MICHELLY TELES DE GOIS, FATIMA CONCEIÇÃO DE CASTRO ARAUJO