3ª Mostra da Saúde exibe experiências exitosas no SUS de São Bernardo do Campo (SP)

A secretaria de Saúde de São Bernardo do Campo reuniu cerca de 500 pessoas, entre trabalhadores e usuários da rede municipal, na 3ª Mostra da Saúde, realizada em 1º de julho, tendo como tema “O SUS que Dá Certo – A experiência de São Bernardo do Campo”. O encontro promoveu rodas de conversa sobre os avanços e desafios da saúde pública e grupos de discussões sobre gestão e produção do cuidado. Houve ainda a exibição de painéis com trabalhos científicos produzidos pela rede e divulgados em edições anteriores da mostra, e de um vídeo com narrativas de moradores da cidade atendidos pela rede.  
 
O evento contou com a participação do prefeito Luiz Marinho, do ex-ministro da Saúde Arthur Chioro da secretária de Saúde de São Bernardo e vice-presidente do COSEMS/SP, Odete Gialdi, e do presidente do COSEMS/SP, Stênio Miranda.
 
Para Chioro, secretário de Saúde em São Bernardo entre 2009 e 2013, é preciso enfrentar o debate sobre o financiamento do SUS num momento crítico de crise política, ameaçado por corte de verbas e congelamento orçamentário. “Em São Bernardo, construímos nosso sistema num cenário de muita dificuldade, apenas com apoio do governo federal. Nadamos contra a maré. Em pouco tempo fizemos uma mudança estrutural tão significativa que não há no Brasil um conjunto de equipamentos como aqui. E, para além de uma rede exemplar, construímos de uma rede existencial, que dá sentido à vida das pessoas que cuidam e são cuidadas.”
 
Miranda reforçou que os avanços em São Bernardo foram possíveis graças à vontade política e destacou a velocidade com que as mudanças foram impulsionadas. “São Bernardo é vanguarda também pela capacidade de formar pessoas. Profissionais que passaram por aqui anos atrás atualmente ajudam a estruturar o SUS em outros municípios. É um legado importante”, comentou.  
 
O encontro teve início com uma grande conversa sobre “Os principais desafios para fazer o SUS que dá certo”, mediada pela secretária de Orçamento e Planejamento Participativo, Nilza de Oliveira, com a participação da secretária Odete Gialdi, da pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da USP Lumena Furtado, e da professora da Faculdade de Saúde Pública da USP Laura Feurwerker.
 
Odete recordou que, em 2009, São Bernardo vivia um período pré-SUS, onde os serviços eram desorganizados e não havia integração. Foi preciso criar novas bases, tanto físicas quanto conceituais, para promover o cuidado de que a população necessitava. Além da reforma e ampliação de todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS), a construção das nove UPA, a implementação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e a reorganização da rede hospitalar, com a inauguração do Hospital de Clínicas Municipal.
 
“O cuidado em rede é a marca do SUS em São Bernardo, e hoje podemos dizer que cuidamos bem da nossa gente, graças à atuação de homens e mulheres com espírito inovador, motivados a construir um SUS de verdade. Há oito anos iniciamos um diálogo constante e transparente com a população, temos conselheiros eleitos pela comunidade em todas as nossas unidades. Por isso o morador de São Bernardo confia na Saúde, e isso é uma grande conquista”, ressaltou Odete.
 
Lumena, que atuou como secretária-adjunta da Saúde de São Bernardo e secretária de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, destacou que é preciso levar a discussão sobre o SUS e promover ações integradas com outras áreas, como Cultura, Esportes, Segurança Pública, Educação, Habitação e Meio Ambiente. “Em São Bernardo essas pontes foram criadas, não só dentro da administração. Fomos além dos espaços formais, dialogando com movimentos sociais, coletivos, lideranças locais. Isso garante a sustentabilidade social do SUS e fortalece a luta de todos pelos direitos. Para produzir uma mudança real no jeito de cuidar das pessoas é preciso se nortear pela máxima de que toda vida vale a pena. Não podemos perder a capacidade de se indignar com a falta de cuidado”.
 
Já a professora Laura Feurwerker frisou que as disputas e conflitos são o que torna a rede de saúde viva e as experiências, mais ricas. “São Bernardo hoje é referência em SUS por sua capacidade propositiva e contestadora. É um processo que não pode se descontinuar, porque é a construção coletiva que reforçará a saúde como direito, e não como bem de consumo ou favor.”

Por Illenia Negrin/ Assessoria SBC