Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é caracterizado por prejuízos nas habilidades de comunicação e interação social em múltiplos contextos e por comportamentos estereotipados, rígidos ou repetitivos (APPA,2022). Como um transtorno do espectro, observa-se uma ampla gama de condições clínicas e déficits associados, envolvendo particularmente a auto regulação emocional e as habilidades sociais e de comunicação. Apesar de as alterações motoras não estarem inclusas dentro do DSM-5 como critério para diagnóstico, cerca de 83% das crianças brasileiras com Transtorno do Espectro Autista, entre 7 e 10 anos, possuem algum atraso motor. (Quedas et al,2020). Sendo o Exercício de Movimento (EX) uma das 28 Práticas Baseadas em Evidência, a Intervenção aquática tem como pressuposto a água com grande reforçador para os indivíduos com condições atípicas, elevando com isto, o engajamento a motivação e a prontidão para novas aprendizagens motoras, além, de ajustes comportamentais, uma vez que, as demandas apresentadas na piscina são, como referido acima, itens de interesse para a maioria dos indivíduos que frequentam, havendo assim, manejo para adequação comportamental e permanência na Prática motora. Segundo a O.M.S (Organização Mundial da Saúde), Saúde é um direito fundamental do ser humano e deve ser garantido; além do conceito estar relacionado a qualidade de vida, que engloba aspectos como: Disposição; Felicidade e Vida Social ativa.
Os objetivos são definidos a partir da avaliação clínica e construção do Plano de Intervenção Individual (P.I.I), propondo, desde ganhos em condições percursoras para demais aprendizagens, tais como : contato visual e sustentação ocular; imitação motora; atenção auditiva aos chamados; responsividade auditiva; organização sensorial; permissividade ao toque atenção compartilhada; a, desenvolvimento de controle motor; tônus muscular; lateralidade; percepção do corpo; noção espacial; amplitude de movimentos; rastreio do ambiente; ampliação e organização de profundidade de campo; ação/reação; práxis; comunicação; linguagem; interação; socialização, além, de questões comportamentais amplas que tornam-se barreiras de aprendizagens.
Os pacientes, chegam até o serviço da clínica TEA do município de Paraguaçu Paulista-SP, encaminhados pelo CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). Havendo a disponibilidade de vaga, inicia-se o processo de avaliação pela Equipe Interdisciplinar, composta por: Fonoaudióloga; Psicóloga; Psicomotricista; Fisioterapeuta e Educador Físico. A partir disto, elabora-se o Plano de Intervenção Individualizado (P.I.I), compondo as abordagens terapêuticas e o encaminhamento para Intervenção Aquática, desenvolvida também por profissionais desta equipe. Reintero, a importância do atendimento em rede, uma vez que, os indicados, passam por avaliação clínica médica (Protocolo de Atendimento) para declaração de aptos a este serviço. Além disto, destaco a parceria entre os Departamentos: Saúde e Esporte disponibilizando e viabilizando o acesso a Piscina municipal deste município, em um dia específico da semana para as intervenções com este grupo. O processo de trabalho ocorre pautado a partir de 2 dinâmicas: 1ª a criança/familiar juntos na intervenção, em formação grupal, com toda a equipe de professores educadores físicos, assistente terapêutico e guarda-vida na mediação e retaguarda da atividade em desenvolvimento, considerando como ponto nuclear o “brincar junto” – criança e familiar. O 2ºgrupo, é formado por adolescentes, treinando todas as competências citadas no objetivo, porém, com destaque ao treino de habilidades sociais. As intervenções ocorrem com frequência semanal.
Os resultados são avaliados a cada trimestre, a partir dos objetivos específicos descritos no Plano de Intervenção Individualizado (P.I.I). Todos obtiveram melhoras nos aspectos motores, além da interação e comunicação social.
Diante das múltiplas complexidades que acompanham indivíduos com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), tecer esta Rede de Trabalho, articulada entre especialidades/departamentos e família corrobora fortalecendo os cuidadores e generalizando as aprendizagens em ambientes distintos uma vez que, esta competência é falha para indivíduos nesta condição. O ensinar a fazer, para quem está na linha frente diariamente, os nutre de ferramentas ancoradas na ciência para o desenvolvimento do seu aprendiz. É de fundamental importância o Plano de Intervenção Individualizado (P.I.I) norteando os objetivos; os profissionais envolvidos no processo e mensurando o desenvolvimento de cada indivíduo.
Autismo, Intervenção Aquática
PRISCILA CANEVARI REIS, MARCELO FERNANDO VERGILIO, MARIANA FALEIROS ORLANDINI MÓVIO, ALINE TAIARA DA SILVA GUIMARÃES, GUILHERME RAMOS DA SILVA