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Introdução: A saúde mental brasileira teve forte influência italiana através de Franco Basaglia, no que tange a reforma psiquiátrica, que no Brasil teve somente a partir da Lei Federal nº 10.216/2001, o Ministério da Saúde conferindo aos CAPS a designação oficial de cuidado em saúde mental como um novo modelo de atenção e cuidado especiais. O CAPS AD III Jardim São Luiz, de acordo com os princípios e diretrizes do SUS, vem oferecendo algumas PICS aos seus usuários como estratégia de cuidado, buscando amenizar o sofrimento físico, mental e emocional causado pelo uso abusivo de álcool e outras drogas, contribuindo para redução de danos durante os períodos de redução ou suspensão do uso (abstinência) de substâncias. Entendendo como um cuidado ampliado, também ofertamos a prática de terapia externa aos profissionais, visando ser um cuidado constante, impactando diretamente na qualidade de vida da pessoa, no seu raciocínio, emoções, comportamentos e na maneira como se relaciona com os outros, auxiliando no enfrentamento das atividades do dia a dia. O serviço foi inaugurado em janeiro de 2019, possibilitando aos usuários e colaboradores acessar sentimentos e emoções. Essa cultura envolve fortemente a oferta de cuidado integrativo, inclusive com apoio do Ambulatório Médico Terapêutico Monte Azul. Justificativa : Demonstrar a eficácia das práticas integrativas como recurso para o cuidado e autocuidado físico, mental e emocional, especificamente como estratégia para redução de danos.
Proporcionar aos profissionais e usuários do serviço, a vivência de práticas integrativas e antroposóficas como meio para lidar com sintomas de ansiedade, descompressão mental e desconfortos, bem como para a manutenção de bem-estar apoiando no processo de abstinência ou redução de danos aos usuários do serviço
As práticas integrativas de Meditação, Alongamentos, Dança Circular e Lian Gong, Aromaterapia são realizadas em grupos abertos, com cerca de 15 a 20 usuários que se encontram em convivência diária. São ofertados como atendimentos individuais, as práticas integrativas de Auriculoterapia, Aromaterapia, Escalda Pés e Envoltório e Reflexologia, com agendamento prévio ou como recurso de terapêutica alternativa. Auriculoterapia: Segundo o Ministério da Saúde (2006), a auriculoterapia é um dos procedimentos que compõe as práticas integrativas e complementares em saúde (PICS) e consiste em uma técnica terapêutica que proporciona a regulação psíquico-orgânica do indivíduo por meio de estímulos nos pontos energéticos, localizados no pavilhão auricular, ativando as zonas neurorreativas. Escalda pés: Ou pedilúvio é uma terapia em que o paciente mergulha desde os pés até as panturrilhas em um recipiente com água quente, podendo ou não conter uma substância terapêutica. Pode-se fazer o escalda-pés inicialmente a uma temperatura de 35 °C e progressivamente aumentar até 40 °C. O atendimento dura em média 40 minutos. Cromoterapia e aromaterapia também é usado como recurso. A cada sessão é possível avaliar e perceber a melhora física e emocional do atendido. Envoltório : O enfaixamento é uma técnica que utiliza dois lençóis, aquecidos e embebidos com óleos essenciais. O objetivo a revitalização e organização, além de redistribuir o calor corpóreo através da imobilização.
Em 2019, eram ofertadas como práticas integrativas as atividades de Alongamento, Automassagem, Meditação, Dança Circular e Auriculoterapia. Estas ofertas foram ao longo dos anos, e a partir de novas capacitações, sendo ampliadas para Lian Gong, Aromaterapia, Escalda Pés, Envoltório e Reflexologia. Tão importante quanto às capacitações foi o apoio teórico e prático do Ambulatório Antroposófico da Associação Comunitária Monte Azul para a sensibilização e despertar dos trabalhadores para a linha de cuidado antroposófica. Além do relato dos usuários quanto à redução de sintomas de fissura, de impulsividade, ansiedade e aumento de bem-estar, notamos de maneira significativa a mudança comportamental, como diminuição de atos violentos (verbais e físicos), maiores condições de seguir normas e combinados, aumento de vínculo, aumentada regulação emocional. Esses ganhos são percebidos como táticas no enfrentamento ao uso abusivo, diminuindo as recaídas, modificando o padrão de consumo e na maneira de lidar com situações consideradas gatilhos. Já os colaboradores, referem sensações de bem-estar, disposição, contato saudável com situações vivenciadas anteriormente, calma, diminuição de angústia, sobrecarga mental.
A utilização das PICS no contexto da saúde mental em um Caps AD nos permite compreender e pensar o cuidado de usuários de drogas de outras maneiras além do tratamento medicamentoso. Além disso, possibilita aos usuários ter acesso a um tratamento diferenciado e humanizado, permitindo o cuidado integral e equalitário, preservando-se sua autonomia e participação em seu tratamento, visando a promoção, proteção, prevenção e reabilitação da sua saúde física, mental, emocional e social de forma a garantir o direito de ser atendido de acordo com os princípios e diretrizes do SUS. Por se tratar de um público que sofre com os estigmas de ser usuário de drogas, onde a exclusão social acontece, inclusive nos espaços destinados ao cuidado de saúde, a dificuldade em manter o tratamento é constante, porém, se faz necessário o incentivo de manter as sessões de terapias. Manter participação ativa e assídua durante as práticas integrativas nos permite compreender que sua utilização vem contribuindo de maneira significativa para o tratamento destes usuários e profissionais de saúde, possibilitando amenizar o sofrimento ao ser cuidado de forma integral e holística.
PICS, Antroposofia , saúde mental, CAPS AD
ALEXANDRE DALLAROSA, ANA PAULA PEREIRA DE ARAÚJO, PATRICIA ZANETIN DE BARROS