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As feridas complexas representam um sério problema de saúde pública, devido à alta morbidade, aos elevados custos terapêuticos e à diminuição da qualidade de vida. A atuação da equipe multiprofissional é fundamental para promover a recuperação da saúde dos pacientes que sofrem com essas lesões. Este estudo apresenta um relato de experiência sobrea abordagem multiprofissional no tratamento de um paciente com lesão secundária decorrente de úlcera do pé diabético. A combinação de estomaterapia e acompanhamento nutricional foi empregada para otimizar a cicatrização da ferida e promover a melhoria da qualidade de vida do paciente. Trata-se de um paciente do sexo masculino, idoso, aposentado, casado, ex-tabagista, com histórico de hipertensão arterial sistêmica, três episódios de infarto (2011/2019/2020), diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia e históric ofamiliar de diabetes (pai). O paciente passou por amputação do 2º pododáctilo esquerdo e fasciotomia plantar devido a complicações associadas à úlcera diabética, o que o levou a buscar atendimento em um serviço terciário de saúde em fevereiro de 2024. Após a alta hospitalar, procurou a unidade básica de saúde e foi encaminhado ao Polo de Curativo do Hospital Dia Mooca, no município de São Paulo, onde iniciou o tratamento de março a outubro de 2024. O objetivo do tratamento foi otimizar os resultados da cicatrização por meio de uma abordagem multiprofissional integrada.
Demonstrar os benefícios da abordagem multiprofissional, com ênfase na nutrição e estomaterapia, para a cicatrização de feridas. Compartilhar os resultados de um tratamento integrado de nutrição e estomaterapia no manejo de pacientes com feridas. Potencializar os resultados da cicatrização por meio de uma abordagem multiprofissional.
No Polo de Curativo, a estomaterapeuta avalia pacientes com feridas de difícil cicatrização e encaminha à nutricionista aqueles que necessitam de suplemento nutricional via oral (SVO)hiperproteico, específico para auxiliar no processo de cicatrização. A experiência iniciou com atendimento da estomaterapeuta, com aplicação da ferramenta TIMERS – acrônimo em inglês que associa cada letra às características da ferida: T-viabilidade do tecido, I-infecção/inflamação, M-exsudato, E-bordas, R-reparo tecidual e S-fatores sociais relacionados ao paciente. Foram implementadas estratégias para o controle de infecção, gerenciamento do exsudato, remodelamento das bordas e manejo do biofilme. No acompanhamento nutricional, foi realizada uma avaliação detalhada do estado nutricional do paciente, considerando variáveis antropométricas (peso, altura e Índice de Massa Corporal – IMC),hábitos alimentares (fracionamento das refeições, ingestão hídrica, consumo de frutas e hortaliças) e dados bioquímicos. As informações sobre o consumo alimentar foram obtidas por meio de Recordatório Alimentar de 24 horas e Registro Alimentar. As orientações fornecidas basearam-se nas recomendações do Ministério da Saúde. Foi prescrito o uso do SVO hiperproteico, a ser ingerido uma vez ao dia, com o objetivo de otimizar o processo de cicatrização da ferida e auxiliar no controle glicêmico. A interação entre as duas profissionais ocorreu para revisar os progressos.
O acompanhamento interdisciplinar resultou em uma melhora expressiva na cicatrização, com uma redução significativa das medições da lesão, que inicialmente eram de 18 cm x 6,3 cm x13,4 cm. Após cada consulta de retorno com a estomaterapeuta foi possível observar a evolução do processo de reparo tecidual sob registro fotográfico, mensuração da ferida e adesão terapêutica adotada, contribuindo para o desfecho favorável e alta do paciente da estomaterapia em outubro de 2024. Além disso, o paciente apresentou melhora no estado nutricional e na glicemia, com uma redução discreta nos níveis de hemoglobina glicada(HbA1c), de 7,9% para 7,7%. A utilização do SVO hiperproteico durante três meses teve impacto positivo na regeneração tecidual. Também houve uma mudança significativa naqualidade das refeições, com aumento no consumo de frutas, hortaliças, ingestão hídrica e adequação da ingestão proteica, fatores essenciais para o processo de cicatrização. No entanto, continua em acompanhamento nutricional para melhorar o controle glicêmico e reduzir o excesso de peso por meio de educação nutricional. A qualidade de vida do paciente foi substancialmente melhorada, possibilitando a retomada de suas atividades sociais elaborais. Ele demonstrou estar mais ativo e com maior disposição. Em suas palavras: Quando eu vi o meu pé após a cirurgia, eu fiquei desanimado. Mas, a cada vez que eu vinha aqui era uma evolução. A cada vez que eu vinha aqui passei a ter fé de que eu ia ficar bom.
A estomaterapia, contribui para o controle da infecção e a otimização da cicatrização das lesões. A nutrição, por sua vez, desempenha um papel importante na cicatrização, principalmente em pacientes com doenças como diabetes, que comprometem o processo de reparação tecidual. Neste contexto, a combinação desses dois tratamentos visou não só a melhora da lesão, mas também a recuperação geral da saúde do paciente. Além disso, a falado paciente ilustra não apenas os aspectos físicos da recuperação, mas também a sua jornada emocional. A transição do desânimo inicial para a confiança progressiva, ao perceber a evolução, transmite de forma clara o impacto positivo da abordagem multiprofissional. Isso reforça a importância do tratamento interdisciplinar, mostrando como o paciente vivenciou a melhora. É perceptível a relevância da abordagem interdisciplinar no que tange ao processo de reparação tecidual, com o intuito de assistir o indivíduo em sua integralidade, levando em conta suas fragilidades, visando reduzir seu desconforto. É notório que esse desfecho favorável impacta significativamente sua qualidade de vida e seu retorno ao convívio social.
Estomaterapia, pé diabético, ferida, tratamento.
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