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A iniciativa “Café no Parque” surge da necessidade de promover o convívio e aproximar o cuidado integral dos usuários do Parque Raposo, na cidade de São Paulo. A presença de pessoas vivendo nas ruas do município de São Paulo exige ações e estratégias efetivas do poder público para atender às necessidades desse segmento populacional. A Política Nacional para a População em Situação de Rua define essa população como um grupo heterogêneo que enfrenta pobreza extrema, vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional. O Programa Consultório na Rua tem como principal premissa rastrear territórios e e identificar pacientes em situação de extrema vulnerabilidade social, promovendo saúde integral, tanto fisiológica quanto psíquica. A população em situação de rua muitas vezes desconfia das abordagens de cuidado. Para superar essa resistência, a equipe do Consultório na Rua implementou estratégias criativas, como o projeto “Café no Parque”, realizado na primeira quarta-feira de cada mês. Desenvolvido a partir das demandas e construído pelos próprios usuários e usuárias do serviço, essa iniciativa combina a oferta de alimentos com a prestação de serviços de saúde, além de fortalecer os laços comunitários e promover a inclusão social, demonstrando a eficácia de metodologias que valorizam o conhecimento e a vivência dos próprios participantes.
Este trabalho objetiva descrever os benefícios do Café no Parque, que visa promover a saúde mental da população em situação de rua, fortalecer os vínculos comunitários e resgatar saberes populares. Além disso, pretende estimular a reflexão sobre inclusão e exclusão social no espaço urbano, bem como propiciar espaços para a convivência social e o desenvolvimento de ações de educação e comunicação em saúde
Os encontros “Café no Parque fundamentam-se na abordagem pedagógica de Paulo Freire. Esta metodologia é implementada por profissionais do Consultório na Rua que atuam com a população em situação de rua no território do Butantã, São Paulo. A dinâmica de funcionamento envolve encontros mensais, na primeira quarta-feira de cada mês, com uma média de 22 participantes e duração mínima de 90 minutos, realizadas em um Parque onde abriga aproximadamente 30 pessoas em situação de rua. Em cada reunião, ocorrem ações de saúde voltadas ao tema a ser discutido. O eixo estruturante dos encontros é a cogestão entre profissionais e usuários, o que implica em um contínuo exercício do diálogo. Tal práxis permite que as decisões de temas a serem abordados sejam tomadas de forma coletiva, valorizando as experiências e saberes de todos os envolvidos. A vivência também proporciona um espaço seguro onde os participantes podem compartilhar suas experiências, sentimentos e dificuldades, promovendo a saúde mental e emocional dos indivíduos
O Café no Parque é uma prática que integra conhecimentos da medicina, psicologia, antropologia e saberes populares, visando fortalecer redes de apoio e promover o bem-estar biopsicossocial. Por meio do compartilhamento de vivências e da construção coletiva de soluções, essa abordagem estimula a acolhida e a solidariedade, ao mesmo tempo em que contribui para a mitigação dos efeitos da exclusão social. Além disso, a iniciativa possibilitou o diagnóstico e tratamento de três casos de sífilis e um de tuberculose, todos com alta cura, e a detecção e sensibilização para início de acompanhamento de um portador do vírus HIV. Ao proporcionar um ambiente de escuta e pertencimento, o Café no Parque não apenas alivia o sofrimento emocional, mas também fortalece os vínculos sociais, favorecendo a construção de uma comunidade mais resiliente e integrada.
A experiência demonstrou ser uma ferramenta eficaz para promover a inclusão social e melhorar a qualidade de vida dos participantes, evidenciando a relevância de metodologias participativas no trabalho com populações vulneráveis. A cogestão do projeto entre profissionais e usuários tem se mostrado essencial, pois incentiva o diálogo entre diferentes atores sociais e possibilita um planejamento conjunto das ações do Consultório na Rua. Esse processo cria um espaço seguro para que pessoas em situação de rua expressem suas experiências e desafios, fortalecendo seu senso de pertencimento e reconhecimento. Como resultado, essa abordagem contribui significativamente para a redução da vulnerabilidade individual e social.
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GUILHERME MORAES DE SANTANA