Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A obesidade é considerada atualmente um problema de saúde pública que acomete diferentes faixas etárias. Sua prevalência vem crescendo rapidamente, inclusive entre crianças e adolescentes, impactando nos índices de morbidades associadas ao aumento de peso. No Brasil nos últimos vinte anos, a prevalência na faixa etária entre 5 e 9 anos passou de 4,1% para 16,6% entre os meninos, e de 2,4% para 11,8% entre as meninas. Em um levantamento realizado com adolescentes, cerca de 20% estão com excesso de peso, quase 6% do sexo masculino e 4% do sexo feminino foram classificados como obesos. Assim, quando a obesidade afeta crianças e adolescentes, é comum que estes desenvolvam quadros sugestivos de depressão, manifestada por sintomas como déficit de atenção, hiperatividade, baixa autoestima e distúrbios comportamentais, prejudicando o seu desenvolvimento nessa fase de vida.
Relatar a experiência na condução de um grupo de educação alimentar e prática de exercícios físicos com crianças de uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
Trata-se de um relato de experiência de uma intervenção em grupo multiprofissional (Nutricionista e Profissional de Educação Física) realizada na UBS Jardim Miriam II do município de São Paulo, que tem o intuito de promover educação alimentar e práticas regulares de exercícios físicos para crianças de 7 a 12 anos. As atividades eram realizadas interagindo com temas pertinentes a alimentação saudável e a prática de exercícios físicos (no caso o brincar), juntando as duas temáticas e trabalhando educação em saúde com brincadeiras apropriadas para a faixa etária proporcionando conhecimento e gasto calórico.
A obesidade nesta fase da vida pode ter implicações diretas sobre o processo de desenvolvimento afetivo e comportamental das crianças. É importante, neste sentido, que pais e profissionais de saúde estejam atentos às necessidades psicológicas da criança. A dificuldade de controle do peso, no entanto, ficou evidenciada, mesmo com a participação nos grupos, e não obstante o conhecimento adquirido ou os esforços empreendidos, registrados nos diversos atendimentos. No ano de 2024 foram realizados 45 grupos com média de participação de 5 crianças. Apesar do objetivo de perda de peso não ter sido amplamente alcançado, pudemos observar um ganho com relação as questões de socialização, diminuição de seletividade alimentar, aumento da criatividade e disposição, além de melhorar coordenação motora. Tal experiência permitiu identificar a necessidade de uma maior aproximação junto as escolas e de uma maior intervenção por parte das equipes de saúde da família no sentido de trabalhar a educação alimentar e a prática de exercícios físicos regulares. É fundamental oferecer suporte psicoemocional às crianças que estão enfrentando essa situação, sendo tão essencial quanto orientá-las sobre a adoção de hábitos saudáveis ou prescrever terapias dietéticas e farmacológicas. Dessa forma, prioriza-se a garantia de um apoio que promova sentimentos de segurança, aceitação e incentivo, de modo a facilitar o enfrentamento dessa condição de maneira mais eficaz e menos traumática.
Reafirma-se aqui a importância do acompanhamento multidisciplinar com foco na instituição de hábitos saudáveis, ligados à alimentação e prática de atividade física, associada à oferta de suporte psicológico. Neste sentido, as atividades em grupo, bem aceitas entre as crianças, tornam-se extremamente importantes, ao permitirem e estimularem a troca de experiências entre os participantes, o suporte para a adesão ao tratamento, contribuindo assim para o processo de socialização das crianças participantes. Não podemos esquecer que o conceito de obesidade está atrelado a causas multifatoriais, dentre elas os fatores genéticos, ambientais, psicológicos, emocionais, o sedentarismo, a mudança de hábitos alimentares influenciados pela situação social, econômica e cultural. Esta multiplicidade de fatores talvez seja o principal determinante da grande dificuldade encontrada para o controle deste agravo.
Obesidade Infantil, reeducação alimentar
SAMUEL CAMPANA ARNDT, ISABELLA BEZERRA CARLONE