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A sexualidade na terceira idade é frequentemente estigmatizada devido à concepção social de que a vivência sexual está restrita à juventude, período associado à reprodução e ao vigor físico. Os estereótipos de beleza e vitalidade reforçam a ideia equivocada de que indivíduos idosos não possuem desejo ou capacidade para uma vida sexual ativa. Esse preconceito impacta diretamente a percepção da sociedade e dos próprios idosos sobre sua identidade sexual, orientação sexual e saúde sexual. Um número significativo de pessoas com 60 anos ou mais mantém uma vida sexual ativa e saudável, desafiando tais concepções limitantes. Ocorre, contudo, uma lacuna na disseminação de informações sobre a prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) nesse grupo, agravada pela resistência ao uso do preservativo, pelo uso de medicamentos para disfunção erétil, por múltiplos parceiros sexuais e pelo emprego de próteses penianas. A possibilidade de um idoso ser infectado pelas ISTs parece invisível aos olhos da sociedade, e também dos próprios idosos, que não têm a cultura do uso do preservativo. Mas também as mulheres, nesta faixa etária não poderem engravidar, não vê utilidade no preservativo. Diante desse cenário, torna-se essencial a capacitação dos profissionais de saúde para lidar com as demandas específicas dessa população, promovendo intervenções eficazes em educação sexual e prevenção de ISTs na terceira idade.
Este estudo visa analisar os dados do Sistema de Informação do Centro de Testagem e Aconselhamento (SICTA) do município de Santos, referentes aos atendimentos prestados a usuários com idade igual ou superior a 60 anos no ano de 2023 e 2024. A partir dessa análise, busca-se: Quantificar a participação da população idosa nos atendimentos do serviço; Identificar perfis epidemiológicos segundo idade e sexo biológico; Compreender as necessidades e especificidades desse grupo no contexto da saúde sexual e reprodutiva; Propor estratégias de abordagem e prevenção mais adequadas às demandas dessa população, contribuindo para um atendimento mais inclusivo e humanizado.
Foi realizada uma análise retrospectiva e comparativa dos dados do SICTA no período de janeiro a dezembro de 2023 e no período de janeiro a dezembro de 2024, considerando os registros de atendimentos realizados no Centro de Testagem e Aconselhamento de Santos. No ano de 2024 também analisamos o número de resultados reagentes para ISTs nas pessoas idosas atendidas no nosso serviço. Os dados foram estratificados conforme faixa etária e sexo biológico, permitindo um panorama sobre a participação dos idosos no serviço.
Em 2023 registramos 2163 atendimentos, 1874 indivíduos entre 13 e 88 anos. Nesse grupo, 659 do sexo feminino e 1215 do sexo masculino. Sendo 289 usuários entre 60 e 88 anos, correspondendo a 13,4% do total de atendimentos realizados em 2023. Do sexo masculino eram 158 e 131 do sexo feminino, evidenciando a presença significativa de idosos no serviço. No período 2024, foi registrado 2202 atendimentos, 2196 a indivíduos com idade entre 13 e 90 anos. Nesse grupo, 867 do sexo feminino e 1335 do sexo masculino. Especificamente, 307 usuários entre 60 e 99 anos, correspondendo a 14% do total de atendimentos. Eram 181 do sexo masculino e 126 do sexo feminino. Em 2024 analisamos o número de resultados reagentes para ISTs nas pessoas idosas atendidas em nosso serviço e podemos observar que dos 52 casos reagentes para HIV, 5 foram em pessoas com 60 anos ou mais, sendo 3 do sexo masculino (7,3%) e 2 do sexo feminino (18%). Dos 175 casos reagentes para sífilis, 16 eram em pessoas com 60 anos ou mais, sendo 12 do sexo masculino (9,3%) e 4 do sexo feminino (8,5%). Dos 3 casos reagentes para Hepatite B, 1 foram em pessoas com 60 anos ou mais, sendo 1 do sexo masculino (50%) e nenhum do sexo feminino. Já os casos reagentes para Hepatite C que foram um total 21, 10 foram em pessoas com 60 anos ou mais, sendo 4 do sexo masculino (36,3%) e 6 do sexo feminino (60%). Com esses resultados observamos a relevância de casos reagentes para ISTs em pessoas idosas.
Comparando os atendimentos nos anos de 2023 e 2024 percebemos um percentual expressivo de idosos em busca atendimento e um número expressivo de idosos com ISTs no nosso serviço. Reforçando a importância de compreender melhor suas demandas, desafios e vulnerabilidades no âmbito da saúde sexual e reprodutiva. Essa realidade exige a reformulação de estratégias de promoção da saúde sexual e prevenção de ISTs, levando em consideração as especificidades do envelhecimento e os impactos socioculturais sobre a sexualidade na terceira idade. A implementação de ações educativas, campanhas direcionadas e capacitação profissional são fundamentais para reduzir tabus, preconceitos e barreiras no acesso à informação. Dessa forma, será possível oferecer um atendimento mais qualificado, humanizado e eficaz, promovendo o bem-estar e a qualidade de vida da população idosa no que se refere à sua saúde sexual.
Sexualidade idoso; IST; Promoção da saúde
PRISCILA EVANGELISTA DA SILVA, FERNANDA BORGES ALOE LEAL, EUZARENE NUNES DOS SANTOS, ANA LUCIA ZAHER CABRAL CORDEIRO, FRANCISCO VALDEZ DE FREITAS, RUBENS GOULART PANICO, PATRICIA MARTINS DOS SANTOS