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O aumento da prevalência de idosos está associado à multimorbidade, às síndromes geriátricas e às doenças crônicas-degenerativas, o que resulta em altos custos com saúde, maior incapacidade e declínio funcional. Além disso, há um aumento na probabilidade de desenvolvimento de transtornos mentais, como depressão, ansiedade e demência, que afetam diretamente a qualidade de vida desses indivíduos. Com o objetivo de enfrentar os fatos mencionados anteriormente e promover a prevenção e o tratamento, foi criado, há seis anos, o grupo de exercícios Movimente-se na ESF Jardim Cambuci – Dr. Carlos Leon Samico Guilliod, contando com a participação da comunidade local. As atividades desenvolvidas no grupo incluem exercícios ativos livres, dança, dinâmicas, exercícios resistidos com o uso de halteres e caneleiras, além de alongamentos. Os exercícios físicos promovem uma sensação imediata de bem-estar e geram benefícios a longo prazo, como a redução do risco de quedas da própria altura. Além disso, contribuem para a manutenção da independência do indivíduo, favorecendo sua autonomia. A prática de atividades físicas em grupo proporciona benefícios fisiológicos, estimula a interação social e a competitividade, incentivando a superação pessoal. Ademais, possibilita o compartilhamento de informações sobre patologias semelhantes e a troca de experiências de vida.
Considerando a necessidade de abranger o maior número de integrantes e de fornecer exercício não só como forma de tratamento mas também de prevenção, este trabalho tem como objetivo demonstrar estratégias utilizadas para maior aderência dos pacientes, expor a opinião dos integrantes a respeito do grupo além de apontar os desafios e vantagens da intervenção na ESF.
Para a aplicação das atividades protocoladas, foram realizadas duas sessões semanais, cada uma com duração de 50 minutos. Esse período foi subdividido em três etapas: as duas primeiras, com 20 minutos cada, sendo a primeira dedicada ao aquecimento e a segunda aos exercícios resistidos; e os minutos finais destinados ao alongamento. Em dias alternados, foram propostas dinâmicas envolvendo brincadeiras da infância mencionadas pelos pacientes como parte de suas memórias afetivas. Essas atividades permitiram a observação de movimentos mais livres, diferenciando-se dos exercícios tradicionalmente aplicados. Além disso, na dança, foi possível perceber que os participantes movimentaram-se de forma leve e foram estimulados à memorização das etapas por meio das coreografias. A música foi utilizada como recurso complementar aos exercícios propostos, com ritmos mais rápidos e animados para o aquecimento, batidas marcadas para os exercícios resistidos e melodias suaves, como MPB e música instrumental, para o alongamento. Essa abordagem permitiu que os participantes identificassem em que etapa da sequência se encontravam, além de contribuir para a melhoria do desempenho nos exercícios. Entre os recursos utilizados para aumentar a adesão às atividades, destacaram-se a alternância de exercícios e materiais, a realização de confraternizações e bingos em dias de palestras informativas e preventivas durante campanhas, bem como o uso das redes sociais para a divulgação das sessões.
Foram realizados 161 atendimentos no intervalo de 13-01-2025 a 13-02-2025, sendo registrados 37 pacientes, destes 4 do sexo masculino e 33 do sexo feminino, entre eles o predomínio de queixa álgica é lombalgia seguida de, ombros e joelhos e a variação de idade é de 40 a 83 anos, tendo 13 com idade 60 anos. Numa pesquisa realizada em uma sessão registramos que existe uma preferência por exercícios resistidos e pelo aquecimento, a grande maioria dos participantes estão no grupo ativamente por mais de 6 meses e 33,3% dos integrantes entraram no grupo por meio de convite de outro participante ativo do grupo, seguido por 29,2% por busca direta, 25% de indicação e 12.5% de por outros motivos. Mesmo tendo uma significativa parte dos integrantes que praticam mais de um tipo de exercício, tivemos 25% destes que não participam de outras atividades além do grupo, o que reforça a importância da manutenção e investimento no mesmo, para que eles possam continuar ativos e estarem inseridas em uma atividade biossocial. Após finalizar o período de 6 meses de atividade foi realizada a aplicação de um questionário de satisfação onde 100% dos participantes se demonstraram totalmente satisfeitos com a atuação profissional e desempenho do grupo considerando de grande importância em suas vidas e tivemos feedbacks como, “participar do grupo é muito importante a todos que buscam uma vida mais saudável”.
Concluímos que a intervenção baseada em exercícios promove qualidade de vida, atuando principalmente na prevenção de agravos e interação social dos participantes. E, de acordo com os resultados, uma variação maior de exercícios propostos abrangendo exercícios ativo livres, dança e exercícios resistidos, utilizando a música, são ótimas estratégias para melhorar o desempenho dos participantes. Ainda, a tecnologia se mostrou uma ferramenta que pode ser usada a favor dos profissionais para melhorar a assiduidade dos integrantes do grupo.
Fisioterapia, prevenção, grupo de exercícios.
PAOLA SANTANA DE ALENCAR, MARIA FERNANDA DE SOUZA MORENO LOPES