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A prematuridade é uma das principais causas de mortalidade infantil, sobretudo por enterocolite necrosante e sepse relacionadas à imaturidade dos sistemas imunológico e digestório do recém-nascido prematuro (RNPT). O colostro, 1º leite produzido pela mãe, possui conteúdo bacteriológico, bioquímico e imunológico, que pode reduzir o risco de infecções e melhorar a sobrevida desses bebês, devido a seus efeitos antimicrobianos, anti-inflamatórios e imunomoduladores. A administração de colostro materno em UTIs Neonatais é uma estratégia segura, barata e simples. Porém, mães de RNPT têm dificuldade em manter a lactação, em razão de fatores como separação prolongada devido à hospitalização do bebê, estímulo das mamas reduzido e fatores emocionais, que diminuem a produção de leite. Nos primeiros dias de vida, o RNPT consome volume reduzido de leite, enquanto sua mãe produz quantidade copiosa de colostro na fase da apojadura podendo chegar a cerca de 500ml no 5º dia pós-parto. Para otimizar a oferta de colostro da própria mãe aos RNPT, o Banco de Leite Humano (BLH) do Hospital e Maternidade Amador Aguiar (HMAA), da Prefeitura Municipal de Osasco, implantou a estratégia “Gotas de Esperança”, que consiste em incentivar mães de RNPT (< 32 semanas) a extrair leite materno com maior frequência e efetividade, otimizando as ordenhas no período de apojadura, com o objetivo de criar um estoque de colostro pasteurizado para seu filho e estimular o estabelecimento efetivo da lactação.
Incentivar as mães de recém-nascidos prematuros extremos, com idade gestacional inferior a 32 semanas, a realizar extrações frequentes de leite humano, favorecendo a oferta de leite da própria mãe ao RNPT, bem como a criação de um estoque de colostro materno.
A estratégia consiste em iniciar o preenchimento de um vidro de 500ml junto com a mãe, a partir das poucas gotas coletadas em sua primeira visita ao BLH e incentivá-la a retornar para completar o preenchimento deste vidro. Em geral, elas são capazes de encher o vidro entre 3 a 5 dias. Após atingir o volume mínimo de 300ml, o colostro é submetido a processo de pasteurização e porcionado em vidros menores com volume de 50ml ou 100ml, dependendo do quadro clínico do bebê, totalizando estoque para um período de 3 a 6 dias, já que cada um desses vidros é suficiente para alimentar o bebê dessa mãe por 1 dia. Os dados foram coletados dos registros de atendimentos do BLH no período de fevereiro a dezembro de 2024. Foram incluídas no estudo as mães de RNPT com Idade Gestacional < 32 semanas, que sobreviveram por período superior a sete dias. Foram avaliados os volumes de leite materno ordenhado (LMO) diariamente do primeiro ao sétimo dia de vida do bebê, período no qual ocorre a produção de colostro.
Durante o período analisado, foram identificados 34 mães elegíveis para participação na estratégia, das quais 20 optaram por aderir à estratégia, enquanto 14 não participaram, por razões como internação materna na UTI Adulto e dificuldade em comparecer ao BLH por questões financeiras ou por ter que cuidar de outros filhos. Os resultados mostraram algo impressionante: em 7 dias, as mães que participaram da estratégia coletaram, em média, 1168,4 ml de colostro, volume 9,5 vezes maior que o coletado por mães que não participaram, que foi em média 122,2 ml. Além disso, esse volume possibilita o porcionamento de um estoque de colostro pasteurizado para alimentar o RNPT de mães que aderiram à por um período médio de cerca de 11 a 23 dias em contraste com as outras puérperas, que não extraíram volume suficiente para possibilitar o processo de pasteurização. Isso significa que os RNPT de puérperas que aderiram a estratégia receberam uma quantidade significativamente maior de colostro da própria mãe. Além disso, observou-se que as puérperas que integraram a estratégia apresentaram aumento progressivo na produção média de leite ao longo dos dias, evidenciando um impacto positivo da estratégia no estabelecimento da lactação. Em contraste, as mães que não aderiram, registraram uma redução gradual na produção de leite no mesmo período.
A estratégia Gotas de Esperança mostrou-se eficiente para aumentar o volume de colostro materno extraído no período da apojadura, possibilitando a criação de um estoque de colostro da própria mãe para recém-nascidos prematuros extremos. Tal estoque garante a oferta de colostro materno a estes bebês por maior tempo, impactando positivamente na saúde e desenvolvimento dos prematuros, além de promover maior engajamento materno na frequência de ordenhas e visitas ao Banco de Leite, o que auxilia no estabelecimento e manutenção da lactação até que o RN esteja apto a iniciar o treinamento de amamentação no seio materno. Os resultados destacaram a eficácia da estratégia em promover o aumento sustentável da produção de leite materno, garantindo aos recém-nascidos uma maior disponibilidade de colostro materno, essencial para sua nutrição, proteção e desenvolvimento inicial. O estudo reforça a importância de estratégias que não apenas incentivem, mas também forneçam suporte estruturado à lactação, contribuindo para melhores desfechos materno-infantis.
Amamentação, Banco de Leite, Colostro
LUCIANA NORBIATO ALVES, ANA CRISTINA MEIRA VASCONCELLOS, LUCIANA FERREIRA SANTOS MIGUEL