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O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldade na socialização e comunicação e presença de comportamentos e interesses repetitivos e restritos (Bosa et al.,2017). As pessoas com transtorno do espectro do autista com nível de suporte que necessita de pouco apoio (nível 1), costumam ter dificuldades no reconhecimento e manejo das emoções em si e nos outros, bem como nas habilidades socioemocionais, podendo apresentar outros sintomas associados, como irritabilidade, ansiedade e crises disruptivas (Costa &Antunes, 2017; Mecca e Orgs., 2016). A psicoeducação emocional é uma técnica de psicoterapia que pode ser aplicada individualmente ou em grupo, sendo uma abordagem da terapia cognitiva-comportamental. Tem como objetivo ajudar a compreender e usar as emoções de forma adequada. E as habilidades socioemocionais são competências que envolvem a forma como as pessoas lidam com suas emoções e com as dos outros (Caminha e Caminha, 2017).
Este estudo tem como objetivo demonstrar que trabalhos de psicoeducação e habilidades socioemocionais em grupo oferecidos a crianças TEA contribui significativamente para o seu desenvolvimento no processo terapêutico.
No período de março a novembro de 2024 foram realizados no Centro de Reabilitação Municipal, no município de São Sebastião – SP, atendimentos em grupo, semanalmente, com duração de 40 a 45 minutos, para crianças na faixa etária de 8 a 10 anos, com diagnóstico de Autismo Nível de Suporte 1, com objetivo de trabalhar a psicoeducação emocional e habilidades socioemocionais. A equipe é composta por 2 Psicólogas e foram atendidas 4 crianças. Utilizou-se de jogos terapêuticos, atividades lúdicas, debates e encenações de situações cotidianas.
A abordagem em grupo promoveu a identificação das emoções em si e nos outros, sendo elas de alegria, tristeza, raiva, medo, vergonha e nojo; a construção de estratégias de manejo das emoções consideradas negativas, como técnicas para se acalmar, maneiras mais assertivas de lidar com a frustração, medo e raiva, pedir a mediação de um adulto em situações de conflito, comportamentos de autoproteção e o ensino de controle emocional e da empatia. Foi observado melhora na identificação das emoções em si e no outro, bem como no manejo. Notou-se que as crianças que apresentavam muita irritabilidade e comportamento disruptivo, ao final do ano, já conseguiam lidar com seus sentimentos e expressar de forma mais branda, conseguindo falar sobre suas emoções. Observou-se no decorrer do ano, que as crianças criaram vínculos entre si e desenvolveram melhor os relacionamentos, através de ajuda e respeito mútuo. Os pais também mencionaram melhora em casa e em ambientes públicos, quanto aos momentos de frustração e irritabilidade, na qual as crianças conseguiam se expressar e apresentar comportamentos com menor intensidade emocional.
A pessoa com TEA necessita de estimulação e suporte para lidar com suas emoções e habilidades socioemocionais. Os trabalhos em grupo, promovem a aquisição dessas habilidades e melhoram as interações sociais. Dessa forma, é possível proporcionar ferramentas que auxiliem na aprendizagem emocional e desenvolvimento dessas habilidades.
TEA, psicoeducação, habiliadades.
RÚBIA CAROLINE SILVA MENDES, MÁRCIA FERREIRA BARISON