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A amamentação é fundamental para a saúde infantil, mas desafios maternos podem comprometer sua continuidade. Os Bancos de Leite Humano (BLH) oferecem suporte às lactantes e garantem a nutrição de recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados em unidades neonatais. Sua ausência dificulta a captação, o armazenamento e a distribuição do leite humano pasteurizado, impactando diretamente a saúde desses bebês. O município de Lins, localizado no interior paulista e sede da microrregião de saúde, dispõe de uma rede de atenção materno-infantil, que inclui uma maternidade com média de 100 partos mensais, uma UTI Neonatal com nove leitos de referência para 68 municípios do Estado de SP, um ambulatório regional para gestantes de alto risco e diversas unidades básicas e de saúde da família. Apesar da presença de uma UTI neonatal e de uma maternidade, a inexistência de um banco de leite contradiz os critérios estruturais mínimos para a habilitação desse serviço, limitando o suporte nutricional aos recém-nascidos vulneráveis. Por muitos anos, a implantação de um BLH em Lins foi idealizada, mas desafios técnicos, estruturais e financeiros dificultaram sua concretização. Este relato apresenta a trajetória de transformar esse projeto — antes considerado um sonho — em realidade, abordando os desafios enfrentados, as estratégias adotadas e os resultados alcançados na implantação do Banco de Leite Humano no município.
Descrever o processo de implantação do Banco de Leite Humano em Lins, destacando os desafios superados para torná-lo autossuficiente e integrado à Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano. Além de garantir o fornecimento de leite humano pasteurizado com qualidade aos recém-nascidos internados na UTI Neonatal, a iniciativa fortaleceu estratégias de incentivo à amamentação, resultando na criação da Lei Municipal AMAmenta Lins.
A criação de um BLH, foi estabelecida como um objetivo no Plano Municipal de Saúde (2021-2025). Diante disso, diversas esferas da administração municipal, tanto na gestão quanto na área técnica, uniram esforços para viabilizar essa iniciativa. Para a concretização do projeto, foram realizadas solicitações de apoio parlamentar e ao Legislativo Municipal para a destinação de recursos via emendas, além da alocação de recursos municipais. Também foram feitas visitas técnicas ao BLH de Marília e, posteriormente, a elaboração de um projeto técnico, que foi apresentado e aprovado pela referência estadual do BLH (HCFMRP). Após a aprovação do projeto técnico em 14/04/2023, iniciaram-se a reforma do espaço físico, aquisição de equipamentos e insumos necessários. Em dezembro de 2023, a estrutura física do BLH foi concluída, dando início à capacitação da equipe, tanto na modalidade teórica quanto prática, além da elaboração e validação de protocolos e fluxos operacionais, licenciamento sanitário e abertura do CNES. Com essa etapa concluída, lançamos uma campanha de doação de leite humano por meio de mídias sociais, cartazes, cartilhas e orientações em grupos de gestantes e puérperas, diretamente na maternidade, em uma sala específica criada para o projeto AMAmenta Lins. O primeiro ciclo de pasteurização ocorreu em 20/12/2024, seguido por ciclos semanais regulares. Em fevereiro de 2025, recebemos a notícia do inicio do credenciamento no BLH na rede nacional de BLH.
O BLH de Lins foi implantado e recebeu o nome de Maria Leosina Domiciano Atanásio, em homenagem à enfermeira neonatologista que dedicou sua trajetória à promoção do aleitamento materno no município. Está localizado na Rua Deolinda Alves Murad, nº 40, de segunda às sextas -feiras das 7h às 13h. A estrutura física conta com equipamentos adequados para armazenamento, transporte, pasteurização e análises laboratoriais e de qualidade, todos devidamente calibrados e certificados pela engenharia clínica, conforme as exigências da Resolução nº 171. Além disso, dispõe de um veículo exclusivo para a realização de visitas e o transporte do leite, e uma sala vinculada ao incentivo AMAmenta Lins na maternidade. Atualmente, o BLH conta com oito doadoras cadastradas e possui cinco litros (05 l) de leite humano pasteurizado, classificado e armazenado para distribuição. Paralelamente, foi iniciado o processo de capacitação da equipe do lactário da maternidade para o porcionamento e a distribuição do leite humano pasteurizado aos recém-nascidos internados na UTI Neonatal. O investimento financeiro para a estruturação de R$ 500.000,00 é significativo, enquanto o investimento técnico no projeto é incalculável
Apesar dos avanços, alguns desafios ainda precisam ser superados, como a necessidade de ampliar a rede de doação, garantir a sustentabilidade financeira do serviço e fortalecer a capacitação contínua da equipe. No entanto, as perspectivas para o futuro são promissoras, com planos para expansão das atividades com cadastramento de um posto de coleta na maternidade, habilitação da UTI Neo e maternidade de alto risco, integração com outras políticas públicas de saúde. A implantação do BLH em Lins representa um marco na assistência neonatal/materno infantil do município com impacto direto na rede de atenção à saúde, garantindo que bebês prematuros tenham acesso ao alimento mais seguro e adequado para seu desenvolvimento e lactantes apoio especializados para o manejo ao aleitamento materno. O sucesso do audacioso, projeto, alta complexidade, reforça a importância do trabalho técnico qualificado e do engajamento da gestão no entendimento como política prioritária no SUS.A amamentação é um dos pilares fundamentais da saúde infantil, promovendo o desenvolvimento adequado e prevenindo diversas doenças.
Banco de Leite Humano, Aleitamento Materno
ANA HILARA MANCUSO GOUVEA, MARIELA DA SILVA NOGUEIRA, RUBIA ALVES RAMIRO, SILVIA CRISTINA DE OLIVEIRA VASCONCELOS CARDOSO, CARLOS ALBETO GARCIA PADOVANI