Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O aleitamento materno deve ser iniciado em sala de parto e mantido exclusivo até os 6 meses de vida, sendo complementado após esse período com alimentação saudável e equilibrada1. A amamentação materna deve ser encorajada, pois traz diversos benefícios para a saúde do bebê e da mãe, tem impacto positivo no desenvolvimento da criança, promove a ampliação do afeto entre mãe e filho e diminui custos para a família e para o sistema de saúde2,3. Após o nascimento e os primeiros cuidados em sala de parto, preconiza-se que o recém-nascido sadio seja encaminhado ao alojamento conjunto (AC), sendo este o local em que o binômio mãe-RN permanece junto e em tempo integral, até a alta hospitalar4,5. Esse ambiente propicia o fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe, filho e acompanhante, e, ainda, favorece a promoção e estabelecimento efetivo do aleitamento materno6, 7. Segundo o Relatório do ENANI do ano de 2019, a prevalência de aleitamento materno exclusivo (AME) em menores de 6 meses para o Brasil é de 45,8% e na região Sudeste de 49,1%8. A Organização Mundial da Saúde considera o indicador de AME como muito bom quando encontra-se na faixa de prevalência de 90 a 100%, bom de 50 a 89%, razoável de 12 a 49% e ruim de 0 a 11%9. Desta maneira, torna-se relevante o conhecimento, em nível local, da prevalência de AME, a fim de avaliar os fluxos e protocolos utilizados e promover melhorias no sentido de realizar promoção de saúde dos recém-nascidos e lactentes.
Objetivo Geral: Avaliar se houve aumento na prevalência de aleitamento materno exclusivo na população de recém-nascidos e lactentes jovens, cujo parto foi assistido na maternidade da Santa Casa de Guaíra/SP, após adequação na metodologia de trabalho e ambiência do berçário tradicional para alojamento conjunto. Objetivos Específicos: Identificar se houve diminuição no índice de dieta exclusiva por fórmula infantil. Avaliar melhoria nos indicadores referentes à vacinação e acompanhamento de puericultura na população estudada.
Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo retrospectivo longitudinal cujo cerne foi avaliar a prevalência de AME em pacientes nascidos na maternidade local, de janeiro a dezembro de 2023. Com a finalidade de definir a população do estudo, utilizou-se amostragem por conveniência, cujos critérios de exclusão foram: crianças residentes no município de Guaíra/SP que nasceram em hospitais e maternidades de outros municípios, nascidos na maternidade de Guaíra/SP que apresentem condições de saúde que contra indiquem ou impossibilitem o aleitamento materno e/ou que realizem acompanhamento de puericultura exclusivamente em serviço privado. Os dados foram coletados a partir de registros de nascidos vivos da maternidade em questão e nos prontuários eletrônicos da rede SUS do município. Foram comparados os períodos de 6 meses anteriores e posteriores às adequações na metodologia de trabalho e ambiência no berçário tradicional, passando ao modelo de alojamento conjunto, as quais ocorreram a partir de julho de 2023. A amostra foi dividida em dois grupos, sendo o “Grupo 1” composto por aqueles que nasceram entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2023 e o “Grupo 2”, os nascidos entre 1º de julho e 31 de dezembro do mesmo ano. Para a realização da análise estatística foi utilizado o Teste Exato de Fisher, devido ao tamanho da amostra, comparando os dois grupos estudados através de variáveis demográficas, fatores de risco e desfecho. Considerando valor de p significativo
No ano de 2023 ocorreram 362 partos no município e a amostra final foi de 97 pacientes no Grupo 1 e 102 no Grupo 2. Em relação à idade materna, viu-se que para as mães do Grupo 1 o maior número de partos foi entre 15 e 34 anos. No Grupo 2, a maior concentração foi entre 20 e 39 anos. A via de parto predominante foi cesariana, sendo 98,97% no Grupo 1 e 98,04% no Grupo 2. No que tange a idade gestacional ao nascimento, no Grupo 1, 81,44% foram RNT, 11,34% RNPT (com IG entre 36/0 e 36/6) e 7,21% dos prontuários não continham a informação. Dos nascimentos do Grupo 2, 75,5% eram RNT, 12,7% entre 35/0 e 36/6 e em 11,8% não havia a informação no prontuário. No que diz respeito à ocorrência de intercorrências gestacionais e neonatais e comorbidades do RN, foram observados aumentos em todos os quesitos no Grupo 2. Para as variáveis-desfecho, foi visto que houve aumento na vacinação atualizada entre os Grupos 1 e 2, sendo 74,2% e 77,5%, respectivamente. Para o acompanhamento regular de puericultura, registrou-se 20,6% no Grupo 1 e 10,8% no Grupo 2. Para o tipo de dieta, viu-se aumento no AME (de 18,6% para 23,5%) e diminuição na Dieta Exclusiva por Fórmula Infantil (DEFI), 25,80% para 11,80%. Observou-se valores estatisticamente relevantes para as seguintes variáveis: -DEFI e sexo do RN (Grupo 1); -AME e acompanhamento de puericultura, DEFI e comorbidade do RN, DEFI e intercorrências neonatais e acompanhamento de puericultura e intercorrências gestacionais (Grupo 2).
No ano de 2023 iniciou-se uma parceria entre as equipes da Maternidade de Guaíra e do Alojamento Conjunto da Santa Casa de Barretos, com o apoio da Articuladora de Humanização do DRS V. Apresentava-se como objetivo realizar a transição do berçário para o AC e para isso realizou-se treinamentos, adequação da metodologia de trabalho e do ambiente físico. Assim, a partir de julho do mesmo ano, o aleitamento materno passou a ser iniciado na 1ª hora da vida, já em sala de parto. No que tange às ações no alojamento conjunto, as mães permanecem com os seus bebês durante toda a internação, são estimuladas a realizar os cuidados ao RN e incentivadas, por meio de orientação e auxílio, a manter o AME. Ademais, implementou-se a alta responsável, a fim de manter o acompanhamento do recém-nascido no âmbito da ESF. Após a consolidação das mudanças citadas acima, observamos que houve elevação no indicador de vacinação atualizada até 6 meses de idade, aumento na prevalência de AME e diminuição importante na ocorrência de dieta exclusiva por fórmula infantil. No entanto, ainda necessitamos avançar no indicador de acompanhamento regular de puericultura, com incentivo às mães e familiares para levar os RNs e lactentes para consultas periódicas.
Aleitamento Materno, Alojamento Conjunto
RENATA CRISTINA SANTOS FERREIRA, BEATRIZ IOLANDA MIRA RODRIGUES, FRANCIENE LUCAS, EDMARA CÂNDIDA TAVARES, MONIQUE DIAS RIBEIRO