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Considerando uma grande demanda de pacientes que se encontram em abandono de tratamento para a infecção pelo HIV, a equipe definiu utilizar a Visita Domiciliar como estratégia de sensibilização, vínculo e cuidado com o paciente para a retomada ao tratamento. A equipe de visita é formada por uma assistente social, uma enfermeira e uma farmacêutica. O centro da discussão deste trabalho é afirmar que o uso desse recurso, traz consigo uma série de compreensões e intencionalidades de relevância à saúde pública. As visitas domiciliares são capazes de promover aos pacientes um atendimento em caráter domiciliar em sua integralidade, podendo ser analisado o estado de saúde do paciente como um todo, conhecer os motivos que o fizeram abandonar o tratamento, identificar a situação de vulnerabilidade social em que se encontra e articular com os equipamentos da rede de serviços as demandas apresentadas. Observamos durante este trabalho que muitos pacientes abandonam o tratamento por apresentarem adoecimento mental e/ou transtornos mentais, além do uso abusivo de Álcool e outras drogas. Outros fatores identificados foi a falta de rede de apoio e o desconhecimento da importância do tratamento. Nas visitas a equipe recebe boa aceitação dos pacientes e firmam o compromisso na retomada ao tratamento. Sentem-se acolhidos e transmitem empatia a equipe. Com o retorno ao tratamento traçamos o PTS( Projeto Terapêutico Singular) a qual é elaborado com o paciente diante aos seus desejos e necessidades
• Contribuir para a redução dos riscos de transmissão do HIV; • Estimular a adoção de práticas seguras; • Incentivar a adesão ao tratamento e uso dos Antirretrovirais; • Oferecer atendimento em sua integralidade; • Garantir o acesso dos usuários à rede de serviços e direitos de saúde ofertados, sem preconceito ou discriminação de qualquer natureza.
O levantamento dos abandonos foram realizados através do sistema SIMC e SICLOM e a partir desses levantamentos foi analisado o prontuário de cada paciente e decidido em equipe, quais seriam os pacientes que seriam visitados. Foram organizadas visitas domiciliares uma vez por semana no período de 8 horas com veículo da Secretaria de Saúde, sem nenhuma caracterização do CTA no veículo, bem como no crachá dos profissionais e nas fichas de atendimento, a fim de garantir o sigilo. Após análise e monitoramento dos pacientes, criou uma ficha de visita a qual possui os dados pessoais, o endereço e um breve histórico de seus atendimentos. As residências em sua grande maioria estão localizadas em bairros de alta vulnerabilidade social e de difícil acesso, ruas sem pavimentação e saneamento básico. Nos casos em que o paciente não é localizado, agendamos nova visita. Nos casos de mudança de endereço, tentamos identificar nos sistemas de monitoramento endereço de familiares para tentar localizar o paciente. Em alguns casos solicitamos o apoio da equipe de Atenção Básica, sendo esta uma via de mão dupla já que estas equipes também nos solicitam apoio nas visitas quando se faz necessário. Após as visitas seguimos o protocolo do atendimento com a realização de coleta, dispensação dos retrovirais e consulta com médico infectologista e se necessário com outros membros da equipe.
Os dados de abandono de tratamento de pessoas vivendo com o HIV estão sendo monitorados mensalmente desde setembro de 2023. São extraímos os dados de abandono do sistema SIMC (Sistema de Informações e monitoramento clínico de pessoas vivendo com o HIV) e através do relatório emitido pelo sistema SICLOM. No total foram 309 casos de abandono de tratamentos para o vírus do HIV verificados, sendo que destes 47 % (145 usuários) retornaram ao tratamento, 25 usuários mudaram de Cidade ou Estado e 26 pessoas foram a óbito.
Na atualidade, as condições de pobreza estão cada vez mais acentuadas no cenário da epidemia de HIV/AIDS. Para além da segregação de classe, carrega desde seu surgimento, exacerbado preconceito, discriminação e restrições em sua sociabilidade, que caminha para o isolamento social ou formação de círculos sociais ligados à doença. Tais problemas acabam sendo potencializados pela condição de classe, repercutindo fortemente no tratamento. Assim a utilização do instrumento da visita domiciliar identifica a complexidade da vida dos sujeitos e decifra a questão social em que ele está envolvido. Com a técnica acolhedora, humanizada e com a criação de vínculo este instrumento de adesão ao tratamento, fortalece as estratégias de enfrentamento da epidemia.
Visita Domiciliar CTA
VANESSA APARECIDA PEREIRA, ANGELA ALENCA DE LIMA, MARCIA MARQUES DA SILVA FERNANDES, THIAGO CAMPOS AMADO