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Desde 2016, a cidade de São Paulo vem apresentando uma queda nos números de novos casos de HIV registrados por ano, correspondendo a 1.705 novos diagnósticos em 2023. Neste período, a redução dos novos diagnósticos foi de 54% no município. É objetivo da Coordenadoria de IST/Aids da cidade de São Paulo, que atua na gestão técnica das unidades da Rede Municipal Especializada em IST/Aids (RME), que esse decrescimento constante permaneça ocorrendo, uma vez que é meta da cidade de São Paulo que a transmissão horizontal do HIV seja eliminada nos próximos anos. Com o intuito de atingir esse objetivo, uma das principais estratégias utilizadas para alcançar a população, principalmente os grupos prioritários e mais vulnerabilizados à epidemia de HIV na cidade, corresponde às políticas de ações extramuros, PrEP na Rua e Se Liga, em que são acessados espaços diversos, mapeados pelas RME.
Analisar dados referentes aos locais acessados durante as atividades extramuros realizadas em 2024 na cidade de São Paulo, como taxa de positividade para o HIV, atendimentos em PrEP e em PEP.
Foram realizadas pela RME, em 2024, 185 ações extramuros de Se Liga e 1.116 ações de PrEP na Rua, correspondendo a 14,2% e 85,8% das atividades, respectivamente. O fluxo de atendimento para todos os eventos foi cadastro, coleta para testagem rápida de HIV, e entrega de resultados, com orientações sobre a Prevenção Combinada. Foram distribuídos, também, insumos de prevenção, como preservativos internos e externos, gel lubrificante e autotestes de HIV. No caso das ações de PrEP na Rua, foram ofertadas, também, as profilaxias pré (PrEP) e pós (PEP) exposição ao HIV, com exame de point of care de creatinina para o caso da PrEP. Ambos os medicamentos foram dispensados no local. Os espaços acessados podem ter sido indicados por Agentes de Prevenção, que correspondem a pessoas-chave na comunidade, voluntárias, que atuam com a educação entre pares no território da unidade especializada a que são vinculados, ou mapeados pelos profissionais da RME, que articulam as atividades extramuros nos diversos locais. As atividades são planejadas de acordo com o local em que ocorrerão: quais serviços serão ofertados, qual será a infraestrutura utilizada, o horário da atividade (manhã, tarde, noite e/ou madrugada) e equipe de profissionais escalada, visando adequar-se à população que será acessada e ao espaço.
Os principais locais acessados durante as atividades extramuros realizadas no ano de 2024 foram casas de prostituição, correspondendo a 28,1% (n=366) do total, e equipamentos governamentais de assistência social, como Centros de Acolhimento Especial, Centros de Acolhida, Bom Prato, entre outros, com 23,1% (n=301). Nas casas de prostituição, houve maior interesse no uso da PrEP pelas trabalhadoras do sexo acessadas, uma vez que do total de atendimentos nesses espaços, 2.036, 63,6% (n=1.294) realizaram a retirada dessa profilaxia, dando início ou continuidade ao uso dessa forma de prevenção durante as ações. Já a maior taxa de dispensa de PEP por atendimentos ocorreu em estabelecimentos de entretenimento sexual para homens que fazem sexo com homens (HSH). Em 5,6% (n=28) dos 501 atendimentos que ocorreram nesses espaços, houve a dispensa da PEP. Ainda, a maior taxa de positividade para o HIV foi encontrada nas atividades extramuros realizadas nesses estabelecimentos para HSH: 3,8% (n=19) ao total, dos quais 63,2% (n=12) foram novos diagnósticos. Quanto ao abandono do tratamento de pessoas vivendo com HIV, a maior taxa encontrada foi nos equipamentos governamentais de assistência social, em que 46,9% (n=30) das pessoas que já sabiam do seu diagnóstico não estavam fazendo uso do tratamento antirretroviral (TARV). Àqueles usuários que estavam em abandono, foi realizado encaminhamento para a RME.
Dentre as categorias de locais acessados pelas unidades da RME em ações de testagem e prevenção extramuros, destacam-se aqueles que objetivaram o alcance de trabalhadoras do sexo, HSH e população em situação de rua, principalmente, no que diz respeito ao interesse pelas estratégias medicamentosas de prevenção ao HIV, ao acesso a testagem e diagnóstico, e/ou abandono do tratamento com a TARV. Dessa forma, compreende-se que as ações extramuros possuem capacidade de acesso significativa e relevante a populações mais vulnerabilizadas e prioritárias à epidemia de HIV na cidade de São Paulo, uma vez que alcança tais grupos em seus locais de lazer, assistência, convivência e concentração, além de trabalho, no caso das trabalhadoras do sexo, entre outros.
HIV, PEP, PrEP, acesso, saúde pública
ADRIANO QUEIROZ DA SILVA, ELIANE APARECIDA SALA, MARCIA APARECIDA FLORIANO DE SOUZA, CRISTINA APARECIDA DE PAULA, MARIA CRISTINA ABBATE