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Pesquisas científicas são essenciais para o desenvolvimento de políticas públicas de saúde eficazes, fornecendo dados e evidências confiáveis. Quando incorporada à abordagem da saúde única, que integra as dimensões humana, animal e ambiental, oferece soluções sistêmicas e sustentáveis, otimizando recursos, reduzindo desigualdades e enfrentando problemas de saúde de forma integrada. Políticas baseadas em pesquisa e saúde única resultam em melhorias significativas na saúde da população e no fortalecimento dos sistemas de saúde. O Laboratório de Saúde Única (LabSU) da FCAV/Unesp/Jaboticabal/SP desenvolve projetos a partir da indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão com abordagem da saúde única, estimulando a colaboração entre diferentes profissionais e estudantes, graduação e pós-graduação. Estas pesquisas objetivam observar e analisar a situação de saúde da população para subsidiar o desenvolvimento e implantação de políticas públicas de saúde que garantam o cuidado integral. No projeto, em andamento, OBSERVANDO VIDAS: atenção às pessoas em situação de acumulação a abordagem de saúde única será fundamental para fornecer informações sobre as complexidades desse comportamento e suas consequências para a saúde A visão sistêmica da abordagem possibilitará a formulação de propostas de políticas públicas eficazes, visando o acompanhamento integral, longitudinal, multiprofissional e intersetorial dos indivíduos, além da promoção de territórios mais saudáveis e sustentáveis.
O projeto, contextualizado no eixo Saúde – Assistência Social – Meio ambiente, tem o desafio de identificar as relações existentes entre as diferentes práticas sociais, políticas, econômicas e ambientais no cotidiano de vida e do trabalho dos acumuladores e seus efeitos na determinação social do processo saúde-doença e desenvolvimento do território saudável e sustentável. Ao final espera-se obter dados para o diagnóstico situacional do transtorno de acumulação no território a fim de minimizar riscos, reduzir danos, contemplar promoção e proteção da saúde e prevenção de doenças e agravos, e assim subsidiar propostas de políticas públicas de saúde para atendimento integral dessas pessoas. Assim, o presente trabalho objetiva relatar a experiência inicial do trabalho colaborativo entre o Laboratório de Saúde Única (LabSU) e a Secretaria de Saúde para o desenvolvimento do projeto “OBSERVANDO VIDAS: atenção às pessoas em situação de acumulação de animais e/ou objetos”.
O projeto é caracterizado como pesquisa-ação com metodologia participativa e colaborativa com interação dialógica. Atividades desenvolvidas de forma ética, respeitosa e seguindo os princípios de Bioética, projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), Plataforma Brasil (CAAE 79181124.0.0000.9029). Metodologia dividida em etapas I. Identificação de potenciais PSA; II. Contatos iniciais nos domicílios ou UBS e CRAS/CREAS, com a participação da equipe de referência e pessoas do elo, para construção do vínculo e apresentação do projeto e pesquisadores; III. Visitas domiciliares e coleta de dados para avaliação demográfica, social e econômica e das condições sanitárias, ambientais e de habitação, além do acompanhamento do modo de vida e de relação frente aos animais, objetos, recicláveis; IV. Diagnóstico situacional e multiprofissional em saúde e possíveis encaminhamentos aos serviços da rede para tratamento e mitigação de danos e das possíveis zoonoses; V. Devolutiva dos resultados às equipes, aos participantes e seus responsáveis legais; VI. Elaboração de política pública intersetorial. Atualmente a equipe de pesquisadores e profissionais da rede estão fazendo o levantamento inicial dos casos suspeitos, seguido de construção de vínculos e visitas domiciliares para coleta de dados demográficos, socioeconômicos, sanitários e epidemiológicos, e coleta de amostras biológicas de humanos, cães e gatos, para diagnóstico laboratorial de enfermidades.
Após o levantamento inicial dos casos suspeitos, a partir dos dados disponibilizados pelas Secretarias de Saúde e Assistência Social, o grande desafio foi o contato inicial e a criação do vínculo. As PSA se esforçam para esconder o problema, ficam envergonhados e/ou recusam receber pessoas em casa, se afastam da família para evitar conflitos, buscam a solidão e, consequentemente, apresentam ansiedade generalizada e depressão. O contato inicial e as primeiras visitas para criação do vínculo foram momentos extremamente delicados. Neste contexto, a abordagem empática foi fundamental para criar um ambiente seguro e acolhedor, auxiliando no direcionamento das abordagens e condutas. Ambiência, acolhimento e escuta ativa foram as diretrizes decisivas para criação e consolidação do vínculo. Outro fator importante e recomendado é o apoio de pessoas do elo como vizinhos, familiares, amigos, responsáveis legais e/ou profissionais da rede de referência durante as atividades. Após um ano de implantação do projeto, observou-se um perfil de acumuladores mais amplo e com forte vulnerabilidade socioeconômica, diferentemente de outras experiências relatadas na literatura. A partir destas observações, o público-alvo do projeto foi ampliado com a inclusão das pessoas em situação de rua, e recicladores, reforçando o alinhamento à demanda social e articulado ao eixo Saúde – Assistência Social – Meio ambiente.
Essas primeiras etapas do projeto permitiram compreender as necessidades, sentimentos e experiências dos indivíduos de forma profunda e genuína. O reconhecimento das necessidades de saúde dos indivíduos de forma singular e a construção de uma relação de confiança, compromisso e vínculo com os participantes e com as equipes de referência fez a diferença durante o período acompanhado. Os resultados demonstram que a intersetorialidade possibilita a identificação de todos os fatores que afetam a saúde, resultando em estratégias mais coesas e formas mais adequadas para minimizar riscos e reduzir danos, e consequentemente, resultados mais eficazes. Esta atuação colaborativa facilita a coleta de dados e o desenvolvimento da pesquisa, permitindo uma análise mais robusta dos fatores identificados, subsidiando propostas de soluções inovadoras para este problema complexo. E, finalmente, a intervenção integrada (saúde humana, animal e ambiental) possibilita o uso dos recursos disponíveis (financiamento e infraestrutura) de forma mais eficiente. A colaboração intersetorial e a abordagem integrada aprimoram a compreensão dos determinantes da saúde e potencializam a eficácia das políticas públicas, garantindo um cuidado mais completo e eficient
acumuladores, colaboração, integração, projetos
KARINA PAES BÜRGER, MARIELA FONSECA TOSCANO, CAMILA ROBERTA GARAVELLO ACORSI, ROBERTA CRISTINA RODRIGUES, DIEGO CASSIO RAFAEL BRAULINO NOGUERA