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Em junho de 2022 a Secretaria de Saúde de Ilha Solteira montou o serviço TEAcolhe para oferecer atendimento à demanda de pacientes reprimida com suspeita e com diagnóstico do TEA, que totalizou 84 crianças, sendo que destas 27 ou seja (32,14%) não eram assistidas, e deparou-se com um cenário com grande aumento desses pacientes. As alterações do TEA estão relacionadas a alterações de comportamentos, processamento de informações e das emoções, dificuldades no contato visual, déficits de atenção e na coordenação motora e uma característica muito comum que são as alterações sensoriais, que atrapalham muitas atividades do dia a dia como pentear o cabelo, escovar os dentes, andar descalços em superfícies com textura diferentes e implicando até na seletividade alimentar. Visando favorecer a melhora na qualidade de vida de crianças com TEA, foi implantado o serviço a massagem Shantala, uma ferramenta que a fisioterapia pode aplicar para fazer uma adequação no sistema sensorial, A base está no estímulo sensoriais transmitido pelo toque do terapeuta, que usa as conexões neurais para captar os estímulos e conduzir as ações, que melhoram o relaxamento e a agitação, já que a prática consegue recrutar grande parte do encéfalo, principalmente áreas afetadas no autismo, como lobo parietal o tálamo e o cerebelo. Esses pontos fazem da massagem Shantalla um grande e poderoso aliado no tratamento dos sistemas sensoriais, unindo prazer e reabilitação ao mesmo tempo.
Ampliar os recursos terapêuticos aplicado ao transtorno do espectro autista; Ajudar a reduzir o estresse e a ansiedade, promovendo um estado de relaxamento e calma; Melhorar a flexibilidade e a mobilidade, reduzindo a rigidez muscular e melhorando a coordenação motora; Aliviar a dor e o desconforto, promovendo um estado de bem-estar físico; Aumentar a comunicação e a interação social, já que aumenta o contato visual; Ajudar na autoestima e a confiança, promovendo um sentimento de segurança; Melhorar a integração sensorial, adequando a hiposensibilidade e a hipersensibilidade; Colaborar com a melhora de algumas atividades do dia a dia como a higiene oral, tomar banho e até na seletividade alimentar, devido a adequação sensorial. Proporcionar um atendimento mais humanizado deixando o processo de reabilitação mais prazeroso.
A massagem Shantala é uma técnica milenar da India, que foi popularizada no Ocidente pelo obstetra Frédérick Leboier. No Brasil, ficou popular na década de 70, essa massagem pode ser uma ferramenta valiosa no tratamento do TEA, ajudando a reduzir o estresse e a ansiedade, melhorar a flexibilidade e promover um estado de relaxamento. Além disso, pode ajudar a melhorar a autoestima e a confiança e melhorar a qualidade de vida. No serviço do TEAcolhe a criança passa por uma triagem e após os terapeutas indicam quais intervenções irão aplicar, que pode ser a Shantala, lembrando que essa avaliação sempre é continua, já que a criança com TEA apresenta uma mudança no seu comportamento e no seu sistema sensorial comumente. Os sintomas mais evidentes para iniciar esta intervenção são os comportamentos com busca intensa ou o contrário com fuga por estímulos sensoriais principalmente o tato. As crianças são atendidas em um puff, numa sala com baixa iluminação, evitando a luz branca, já que esta pode ser mais desconfortável para a visão. Esta técnica envolve movimentos suaves e lentos que ajudam a relaxar os músculos e promover a circulação sanguínea. A pressão utilizada na massagem Shantala é leve e não invasiva, o que ajuda a evitar qualquer desconforto ou dor. E quando aplicada em crianças com TEA pode ser adaptada utilizando ou não creme de massagem, já que algumas não toleram, e para as que aceitam temos mais de cinco aromas, que a criança pode escolher na hora da massagem.
As principais melhoras que observamos na criança com TEA após a aplicação da massagem de Shantala, foi que ao adequarmos o sistema sensorial delas percebemos que muitos comportamentos melhoram, como: aceitar melhor a texturas de algumas vestimentas, aceitar melhor atividades como cortar o cabelo, cortar as unhas, indiretamente ao melhorar o sistema sensorial a seletividade alimentar também melhora, visto que algumas crianças com TEA apresentam uma grande dificuldade para comer muitos alimentos principalmente devido a textura destes alimentos que pode causar incomodo dentro da cavidade oral, ao mesmo tempo se esta intervenção melhora na alimentação e nutrição ela também melhora a escovação. Para as crianças com busca sensorial a massagem pode ser um pouco mais intensa (forte) isto produz melhora em outros comportamentos que podem ser ruins para as crianças com TEA como: agitação motora intensa que pode ser associada a hiperatividade e hábitos perigosos a saúde como por tudo na boca, buscar sensações com a língua em objetos e até no chão, morder roupas e objetos.
Após fazer um levantamento do número de crianças com hipótese diagnostica de TEA que totalizou em 84 crianças, verificou se que muitas destas apresentavam déficits no sistema sensorial, o que fez da equipe procurar recursos para melhorar essa condição. As sessões estão sendo realizado 1 vezes por semana com duração de 30 minutos para cada intervenção sendo a massagem Shantala frequentemente utilizada para ajudar a promover o bem-estar físico e emocional de indivíduos com TEA ajudando a reduzir o estresse e a ansiedade, promovendo um estado de relaxamento e calma. Outra situação relatada pelos familiares é a melhora na qualidade do sono, promovendo um sono mais profundo e relaxado. A massagem Shantala é uma experiencia exitosa incrível nos resultados obtidos por nossos usuários do serviço TEAcolhe, e é uma honra divulgar para que este recurso chegue em outras cidades e atinja o máximo de famílias que enfrentam os desafios de ter um filho com transtorno do espectro autista. Silveira Junior romantiza esse exemplo de pratica baseada em evidências na seguinte frase: “Após um toque de amor a vida passa a ser eterna num minuto.”
autismo, tea, fisioterapia, inclusão, shantala
GUSTAVO MAURO WITZEL MACHADO, SUSILENI ZANQUETTA