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Sabe-se que o serviço especializado, em seu componente ambulatorial, é um lugar marcado por diversas problemáticas, em especial no que se refere ao acesso a ele. Estas problemáticas requerem, para a sua superação, que se constituam estratégias que impactem na Atenção Básica, nos processos de regulação do acesso (desde os serviços solicitantes até as centrais de regulação), bem como na organização da atenção especializada. E para qualificar a oferta, em janeiro de 2019, foi implantado a Microrregulação nas UBS (antes os agendamentos eram centralizados na Central de Regulação/Secretaria de Saúde). Com a implantação, a Central de Regulação ficou responsável pela coordenação das ações, gestão de filas de espera, redução do absenteísmo e perda primária, através do monitoramento pelo Sistema SIRESP (Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo). E as UBS pelos agendamentos, comunicação, acolhimento, otimização do processo e gestão do cuidado de forma integral. Portanto, a microrregulação ajudou no compartilhamento do cuidado, em qualificar a demanda, identificar as prioridades nos territórios e melhorar o acompanhamento das necessidades dos usuários no que se diz respeito aos agendamentos ou desistências de consultas e exames solicitados. Trazendo para as UBS um maior grau de autonomia para resolução dos problemas e gestão das demandas, maior envolvimento e responsabilidades entre as equipes e a população no cuidado com a saúde no seu território.
Tem como objetivo primário apresentar os resultados da Microrregulação para os profissionais da gestão em saúde e reforçar a ação da Central de Regulação, visando criar uma cultura de que o acesso à Atenção Especializada seja determinado por necessidades reais identificadas na Atenção Primária, após esta ter esgotado toda sua capacidade de condução do caso, mas com a consciência de que a Atenção Primária em Saúde é e sempre será a responsável pelo acompanhamento de seus usuários. Monitorar as ações implantadas pela Microrregulação nas UBS, utilizando a ferramenta SIRESP, com a finalidade de qualificar a fila, conforme prioridades identificadas pelas equipes nos territórios, através da comunicação entre as UBS e Central de Regulação. Orientar o fluxo e protocolos especializados, acompanhar os agendamentos ou desistências de consultas e exames solicitados e reduzir o absenteísmo nas referências.
A Central de Regulação tem monitorado o agendamento das unidades através do relatório de cotas do Sistema SIRESP, desde 2019, com dados relacionados ao Prestador AME de Tupã que hoje é o maior prestador de referência ambulatorial de média complexidade da CIR de Tupã e da região do DRS IX de Marília. Através do relatório de cota foram avaliados os indicadores referentes à soma de consultas e exames das vagas ofertadas, agendadas, vagas de bolsão e ausentes. E também referentes à média (%) de consultas e exames relacionados à perda primária, aproveitamento e absenteísmo. As unidades monitoradas no estudo foram: CS II (Centro de Saúde), PSF I (José de Castro), PSF II (Vereador GianFranco), PSF III (Kyussuke Sassaki), PSF IV (Rosemary Guedes), PSF V (Massami Tashiro) e SMS (Secretaria Municipal de Saúde). E para melhor organizar o fluxo do setor de agendamento na Atenção Primária e a comunicação com o usuário e Central de Regulação, utiliza-se também o Protocolo Operacional Padrão – POP buscando reforçar a aplicação dos métodos estabelecidos e possíveis ajustes de cada território para reduzir as ausências e melhorar as ofertas de forma padronizada. Assim, desde a implantação da microrregulação os encontros com os responsáveis pelo agendamento nas UBS e Central de Regulação são de rotina. Com ações pontuais, reuniões de equipe, treinamento dos sistemas, grupo whatsapp e ligações para melhorar o processo e facilitar a comunicação para todos.
Os gráficos abaixo apresentam os indicadores que foram monitorados no período de 2013 a 2024 do prestador AME de Tupã. Gráfico1: Cota no período de 2013 a 2018. Fonte: Sistema SIRESP. No gráfico1 para fins de comparação, antes da Microrregulação, apresentavam os seguintes resultados: entre o ano de 2013 a 2018 foram ofertadas 23.569 vagas, sendo que 22.892 vagas foram agendadas de fato, gerando uma perda primária de 2,87%, 18,23% de absenteísmo e aproveitamento de 97,13%. Gráfico2: Cota no período de 2019 a 2024. Fonte: SIRESP.O gráfico2 mostra que na Gestão Compartilhada os indicadores apresentaram em todos os períodos um maior aproveitamento das vagas, evitando as perdas primárias e reduzindo o absenteísmo. Foi agendado o total de 21.951 pacientes no período de 2019 a 2024, apresentando um crescimento no indicador Aproveitamento de 48,5% (de 97,13% para 144,2%) e redução de 22,3% em absenteísmo (de 18,23% para 14,77%), ficando abaixo do parâmetro de 15% estabelecido pela SES/SP. Gráfico3: Unidades no período de 2019 a 2024. Fonte: Sistema SIRESP. Já no gráfico3 o indicador possibilitou fazer algumas análises: as unidades que mais receberam vagas, as que mais fizeram aproveitamento, as que geraram um menor absenteísmo, e assim por diante. Para obter o resultado, a equipe foi envolvida para diminuir a prática do encaminhamento desnecessário, com base nos processos de regulação houve uma redução de 27,8% equivalente a 1.093 pacientes que já precisavam mais do atendimento.
Quando não encaramos nossa dificuldade de se relacionar com o diferente, o processo de compartilhar o cuidado e entender “precisamos uns dos outros” se torna mais difícil, por isso furar a bolha pode nos abrir para infinitas possibilidades, entendendo de forma coerente que somos parte do processo. E em virtude dos fatos mencionados anteriormente, no período de 2013 a 2018 o município apresentou o total de 4.173 ausências e entre 2019 a 2024 foram 3.243 , apresentando uma redução de 22,3% no indicador de absenteísmo. Tendo em vista esses aspectos, com a diminuição do absenteísmo, houve uma redução de aproximadamente quatro meses e meio do tempo desse paciente na fila de espera, o que é equivalente a 930 atendimentos a mais entre o período de 2019 a 2024. Dado o exposto, o município vem apresentando um resultado expressivo no indicador de aproveitamento com um crescimento de 48,5%, levando para a população uma maior qualidade e agilidade no serviço público prestado. Este modelo de gestão representa uma oportunidade de transformar a regulação de especialidades no SUS, tornando-a mais eficiente, equitativa e centrada no paciente. Acreditamos que a gestão compartilhada da demanda, com a participação ativa da Central de Regulação.
GESTÃO COMPARTILHADA, MICRORREGULAÇÃO, RESULTADO.
JULIANA APARECIDA MUSSIO, EDER CASTRO MENEZES, SANDRA REGINA GALDINO