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O absenteísmo em consultas médicas agendadas é um desafio significativo para os sistemas de saúde em todo o mundo, resultando em desperdício de recursos e aumento nas filas de espera. Estudos recentes destacam a gravidade do problema e sugerem estratégias para sua mitigação. No Brasil, uma pesquisa realizada na Região Metropolitana do Espírito Santo entre 2014 e 2016 revelou uma taxa média de absenteísmo de 38,6% para consultas e 32,1% para exames especializados, resultando em perdas financeiras estimadas em milhões de reais respectivamente. Outro estudo apontou que o absenteísmo está associado a fatores como esquecimento, falhas na comunicação entre o serviço e o usuário, melhora dos sintomas e dificuldades de transporte. Para enfrentar esse desafio, intervenções comportamentais têm mostrado eficácia. Pesquisas indicam que reforçar a importância da consulta, personalizar as mensagens e fornecer lembretes podem reduzir significativamente as taxas de absenteísmo. Devido a necessidade de realizar alguma ação para a diminuição dos absenteísmos nos exames e atendimentos de especialidades médicas ofertadas via sistema SIRESP, a Secretaria de Saúde criou o Programa Seja Responsável com o intuito de realizar uma educação em saúde à população sobre o número alto de absenteísmos e a responsabilidade e importância em comparecer ou desmarcar com antecedência para que o atendimento possa ser utilizado por outro usuário com a mesma necessidade.
O objetivo do Programa é redução da taxa de absenteísmo dos usuários nos atendimentos e exames de especialidades médicas ofertados pelo sistema SIRESP, através da educação em saúde, da responsabilidade do usuário em comparecer ao atendimento ou realizar a desmarcação no tempo hábil para que a vaga possa ser reutilizada.
Foi realizado o levantamento dos dados do número de faltosos e vagas ofertadas, sendo tabulado e realizado o cálculo da taxa de absenteísmo geral das ofertas mensais recebidas pelo município. Com essas informações foi criado um folder com o número de faltosos por especialidades, o número de faltosos gerais e a taxa de absenteísmo. Com o folder criado, o mesmo foi divulgado no site da Secretaria de Saúde (www.saudecajati.com.br), nos grupos de discussão técnica dos profissionais das Unidades de Saúde via WhatsApp, divulgado nas salas de espera das Unidades de Saúde, nas reuniões dos Conselhos Locais de Saúde e o mais importante, utilizado pelos agentes comunitários de saúde nas visitas domiciliares, onde os mesmos ao realizar a entrega do comprovante de agendamento da consulta ou exame ao usuário, realizava a educação em saúde da importância e responsabilidade do mesmo em comparecer ao atendimento ou se necessário desmarcar dentro do período hábil para reutilização da vaga de atendimento.
A Taxa de Absenteísmo de Exames e Especialidades Externas ao longo dos meses do ano mostrou variações do percentual do não comparecimento a consultas e exames agendados. A análise detalhada dos dados revela os seguintes pontos: Tendências e variações ao longo do ano – Início do ano (jan-março): janeiro iniciou com uma taxa de 15%. Fevereiro teve um pequeno aumento para 16%. Em março, houve uma redução significativa para 13%, indicando uma leve melhora na assiduidade. Pico no primeiro semestre (abril-julho): abril registrou um crescimento acentuado para 17%, sendo o mês com o maior índice de absenteísmo do ano. Em maio e junho, a taxa reduziu levemente para 16%, mantendo-se ainda alta. Em julho teve uma redução significativa para 9%, marcando o menor índice do ano. Em agosto, houve um novo aumento para 16%, voltando aos patamares do primeiro semestre. De setembro a dezembro houve novamente um importante queda, apresentando uma leve melhoria. Setembro apresentou uma redução para 14%, outubro marcando novamente o menor índice do ano 9%. Novembro registrou 12% e dezembro fechou em 11%, encerrando o ano em um nível relativamente baixo comparado aos meses de maior índice.
A análise da Taxa de Absenteísmo de Exames e Especialidades Externas ao longo do ano revela um padrão de oscilações, com períodos de alta e baixa frequência de faltas. O maior índice de absenteísmo foi registrado em maio (17%), enquanto os menores ocorreram em agosto e novembro (9%). O comportamento da taxa sugere que o Programa Seja Responsável através das ações de educação em saúde, conscientização e responsabilização, pode ter impactado o comparecimento dos pacientes. A queda significativa em meses como agosto e novembro pode indicar períodos de maior adesão às consultas, possivelmente devido maior ações institucionais para reduzir as faltas. Diante desses dados, torna-se essencial identificar os motivos específicos para os picos de absenteísmo e adotar estratégias eficazes para minimizar esse problema. O absenteísmo continua sendo um grande e complexo desafio para os gestores de saúde. Medidas como envio de lembretes, flexibilização de horários e campanhas de conscientização podem contribuir para a redução das faltas e uma melhor utilização dos serviços de saúde.
Absenteísmo, educação em saúde, conscientização
ANDERSON AUGUSTO CARVALHO MOURA, DANILO CAMARGO RODRIGUES