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A Atenção Primária à Saúde (APS) representa a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e desempenha um papel essencial na organização das Redes de Atenção à Saúde (RAS). Para garantir a integralidade do cuidado, os serviços primários devem estar integrados a outros níveis de atenção, incluindo a Atenção Secundária à Saúde (ASS), onde são realizadas ações especializadas, como o serviço de fisioterapia. O princípio da integralidade se traduz na coordenação entre prevenção, promoção da saúde e intervenções clínicas, garantindo o acompanhamento contínuo e articulado dos usuários do sistema. Neste contexto, surge a necessidade de compreender como ocorre a interação entre a APS e os serviços especializados, como o serviço de fisioterapia, que desempenha um papel fundamental no SUS, principalmente na ASS, onde são oferecidos serviços especializados para reabilitação de pacientes com sequelas de doenças crônicas, lesões musculoesqueléticas e outras condições que impactam a funcionalidade e qualidade de vida. O atendimento fisioterapêutico visa reduzir limitações físicas, prevenir complicações, promover a reintegração dos indivíduos às atividades diárias e ao trabalho, além de contribuir para a diminuição da sobrecarga na APS e na alta complexidade. A inserção e articulação deste serviço adequado no SUS possibilita um fluxo eficiente de atendimento, garantindo continuidade e resolutividade do cuidado.
Esta experiência teve como propósito analisar a percepção dos profissionais da APS e fisioterapeutas no contexto do princípio da integralidade na Redes de Atenção à Saúde, com ênfase na articulação entre a Atenção Primária e Secundária à Saúde, para possíveis intervenções futuras.
Trata-se de uma pesquisa de campo com abordagem qualitativa, baseada na análise do discurso de Minayo, aprovada pelo comitê de ética em pesquisa com seres humanos da Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA). Participaram do estudo 21 profissionais inseridos na RAS local, incluindo 7 enfermeiros e 7 médicos das Unidades de Saúde representando a APS e 7 fisioterapeutas representando a ASS. Foram realizadas entrevistas individuais com cada profissional, conduzidas nos locais de trabalho dos participantes, previamente agendadas, gravadas e transcritas. Utilizou-se um roteiro semiestruturado para abordar aspectos como a rotina profissional, conhecimento sobre a APS e serviços especializados, articulação em rede, inserção do fisioterapeuta na APS, fluxos de encaminhamento entre os níveis de atenção e a utilização de ferramentas como a contrarreferência.
A partir da análise de vinte e uma entrevistas, os principais temas em comum encontrados abordavam contextos sobre o fluxo de encaminhamentos, que é essencial para garantir a continuidade do cuidado, mas enfrenta desafios significativos. A comunicação e relação interpessoal entre os profissionais, como base de um efetivo direcionamento do serviço. A compreensão na perspectiva do princípio da integralidade como potência no cuidado longitudinal. Os processos de trabalho que definem e sistematizam as articulações entre níveis de atenção. A incompreensão dos serviços, onde profissionais desconheciam outros pontos da rede de atenção, causando uma quebra e falha na integração e cuidado dos pacientes. Além da falta de referências qualificadas e a inexistência de contrarreferências, que prejudicam um atendimento ágil e focado nas necessidades do paciente, causando problemas como fila de espera e falta de resolutividade. Diante disto surge a oportunidade da criação de um produto técnico, que é uma ferramenta usada para solução de problemas, aprimoramento da qualidade e eficiência, este produto impacta diretamente nos serviços de saúde trazendo aplicabilidade prática que respondem demandas especificas de gestão, assistência ou formação de profissionais.
A integração eficaz entre a Atenção Primária à Saúde (APS) e a Atenção Secundária à Saúde (ASS) é fundamental para garantir um cuidado integral e contínuo aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Os achados desta pesquisa evidenciam desafios significativos nessa articulação, como a falta de conhecimento sobre os fluxos da rede assistencial e a ineficácia de mecanismos de comunicação, especialmente no uso sistemático da contrarreferência. Diante desses desafios, torna-se essencial a implementação de estratégias que fortaleçam a coordenação entre os serviços, promovendo uma comunicação mais eficiente entre os profissionais envolvidos. A qualificação dos profissionais, o aprimoramento dos fluxos de encaminhamento e a valorização do fisioterapeuta como parte integrante da APS podem contribuir para a efetividade da atenção à saúde. Assim, ressalta-se a importância de um modelo assistencial que priorize a interconexão entre os níveis de atenção, tornando de forma efetiva o trabalho em Rede, garantindo a continuidade do cuidado, a resolutividade dos serviços e a melhoria da qualidade de vida dos usuários do SUS.
Regulação em Saúde, Integralidade e Níveis Atenção
MATHEUS LUÍS LEITE COCA, SILVIA FRANCO DA ROCHA TONHOM, CASSIA REGINA FERNANDES BIFFE PERES