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A geração de Renda de pessoas com deficiência, com sofrimento psíquico decorrentes ou não do uso abusivo de álcool ou drogas, ou que estão em situação de rua pode contribuir na organização psíquica, na produção de sentido e na garantia de necessidades básicas como alimentação e moradia. A importância desse tema está presente no Art. 12. da Portaria Nº 3.088, DE 23 de dezembro DE 2011 que institui a Rede de Atenção Psicossocial. Nos seus incisos I e II afirma que as ações devem ser de caráter intersetorial e devem articular sistematicamente as redes de saúde e de economia solidária com os recursos disponíveis no território. Nesse sentido, o território do Butantã busca a partir do Grupo Condutor do Trabalho e Saúde levantar recursos como locais de qualificação socioprofissional, mapear disponibilidades de empregabilidade e fomentar iniciativas de empreendimentos, sendo um destes o Coletivo Único de Criação Artística – CUCA Tantã. Na coordenação desse grupo está uma terapeuta ocupacional do CECCO Parque Previdência, um oficineiro do CAPS AD do Butantã e uma oficineira em Artes Visuais do Programa Vocacional da Secretaria Municipal de Cultura. Atualmente o coletivo tem a participação dinâmica de aproximadamente 15 pessoas e com participação sistemática de cerca de oito pessoas que fazem ou fizeram acompanhamento na rede de atenção psicossocial do Butantã (CECCO, CAPS Adulto e CAPS AD).
A experiência pretende que os participantes desenvolvam autonomia para gerir um empreendimento de economia solidária e artes, garantir rentabilidade para melhoria das condições concretas de vida (moradia, alimentação e autonomia na dinâmica familiar), ampliar a autoestima como sujeitos de produção no mundo, ampliar ou fortalecer os sentido da vida, fortalecer laços de apoio mútuo objetivo e afetivo entre os integrantes do grupo, contribuir com a transformação social da percepção sobre a loucura e possibilitar meios de expressão por diferentes linguagens contribuindo para melhor organização psíquica.
Para realizar essa experiência nos encontramos semanalmente durante três horas às sextas-feiras. Um princípio metodológico é trabalhar no território e na intersetorialidade. O coletivo participou de uma feira de artesanato no Parque Previdência e do Ponto de Economia Solidária realizando vendas; participou da reunião da Redinha e da Redona; organizou um evento em comemoração ao dia da cultura chamado de Arte CUCA na Casa de Cultura do Butantã onde tiveram a oportunidade de expor, vender e discutir sobre o tema e; por fim, participou do IX Prêmio Arthur Bispo do Rosário. A proposta é que em 2025 ampliemos as horas reservadas para esse empreendimento em outros dias da semana, a partir de visitas de espaços de qualificação socioprofissional no território da região oeste. Um desses parceiros pode ser o SESC Pinheiros que irá oferecer cursos de suportes para a confecção de produtos do coletivo como ecobags, cadernos artesanais, agendas, mosaicos (entre outros). Outra parceira é com o Ponto de Economia Solidária do Butantã para participação em feiras e eventos, assim como na participação das reuniões da Redinha Oeste e Redona. Também queremos ampliar nossa parceria com o Programa Operação Trabalho (POT) da Secretaria Municipal do Trabalho propondo o POT Artes como forma de garantir renda, ampliação das horas de investimento no CUCA Tantã para que se torne um empreendimento autônomo.
Dos 25 artistas ganhadores do IX Prêmio Arthur Bispo do Rosário, cinco são integrante do CUCA Tantã com seis obras premiadas. Esse é um reconhecimento importante da qualidade das obras dos artistas desse grupo. Segundo alguns depoimentos na Roda de Conversa intitulada “Arte Cura”, realizada na Casa de Cultura do Butantã, a arte também foi um caminho para melhora da saúde mental. C. de 53 anos. Foi ator e teve depressão que interrompeu sua carreira. Não sabe se estaria vivo se não fosse sua arte. Foi através desta, com o resgate de sua história da infância e de suas raízes com a cultura popular que deu forma ao que era significativo pra ele através da xilogravura. Atualmente segue registrando artisticamente as histórias das pessoas. G. de 26 anos. Se defini como extremamente sensível. Não se adaptou ao trabalho como funcionário público e atualmente tem grande prazer em produzir, vender e dar aulas de mandalas e Yoga. Quando está produzindo arte se conecta grandemente consigo mesmo e coisas são transformadas. A arte cura e é seu refúgio. Busca ter como fonte principal de renda sua arte. G. 49 anos, artista visual, morador do Centro Temporário de Acolhida (CTA). Produziu cerca de 30 obras para exposição do CUCA Tantã mas no dia do evento, o oficineiro do CAPS o encontrou dormindo em frente ao metrô provavelmente alcoolizado. No fim da exposição aparece emocionado ao ver suas obras expostas. Tem o desejo de sair do CTA e comprar uma mesa digitalizadora para fazer suas artes.
mbora seja uma experiência potente, há pelo menos quatro grandes desafios. O primeiro é lidar como o dinheiro ganho pelos artistas não seja gasto por drogas e/ou álcool. É possível que a discussão sobre projetos de vida no decorrer do grupo seja uma estratégia para reflexão e mudanças de atitude. O segundo desafio é que os artistas mais talentosos acabam tendo uma rentabilidade mais alta que outros artistas que estão iniciando. Acreditamos que investir em produções coletivas poderia ser um caminho para uma rentabilidade mais equânime entre os artistas. O terceiro desafio é produzir produtos coletivos vendáveis a partir da diversidade de linguagens artísticas como música, edição de vídeo, xilogravura, pintura em tela e composição musical. O quatro desafio é garantir produção no grupo independente da frequência e crises dos artistas. Esperamos que durante o ano de 2025, o POT Artes possa garantir a frequência no projeto em cinco dias da semana e dos 15 artistas, o SESC Pinheiros possa contribuir com a qualificação das produções, efetivamente cada participante possa ter uma renda com a vendas dos produtos e que o empreendimento se constitua juridicamente até o fim do ano.
saúde mental, geração de renda, arte
VANESSA ANDRADE CALDEIRA