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Em 2023, foi iniciado um grupo terapêutico no Caps Infantojuvenil de RPG (Role Playing Game) onde utilizava um jogo lúdico de interpretação de papéis. A partir disso, foi observada a fragilidade dos pacientes quanto a percepção de suas patologias, assim o projeto foi reformulado para a prática de 2024. Durante esse projeto, evidenciamos as principais necessidades do perfil de usuários do grupo, que seriam a dificuldade em tomada de decisões, o baixo limiar de frustração e entendimento de suas patologias e a interação social entre os pares. Através dessa avaliação, introduzimos técnicas de psicodrama e sociodrama, técnica criada por Jacob Levy Moreno, para potencializar o RPG como ferramenta terapêutica. Além disso, utilizamos a base do DSM-V para criar um universo lúdico onde as patologias mentais são os desafios a serem superados pelos pacientes, causando assim uma psicoeducação de nossos usuários. Estimular a interação social dos usuários, distinguir situações de adversidades cotidianas, fomentar o desenvolvimento cognitivo e de tomada de decisões, criar um ambiente de psicoeducação quanto à saúde mental, desestigmatizar as patologias psiquiátricas, trabalhar o limiar de frustração dos pacientes e pesquisar a relação dos usuários com seus sentimentos.
Desenvolver um sistema de RPG autoral associado a um universo de fantasia capaz de incentivar os usuários a entenderem as moléstias mentais, sabendo identificar sinais e sintomas das patologias, associado a um processo de desestigmatização das patologias, retirando os rótulos do famigerado CID. Criar uma narrativa com elementos de fantasia, objetivando com que os usuários desenvolvam raciocínio lógico e crítico, envolvendo tomadas de decisão em grupos e pessoais, trazendo reflexões sobre as consequências de seus atos, trabalhando o limiar de frustração deles. Manter esse universo fluido, utilizando as histórias dos personagens criados pelos pacientes para dar vida às missões desenvolvidas pelo mestre, assim criando um local de pertencimento a eles.
Inicialmente é feita uma avaliação da referência técnica junto à equipe responsável pelo grupo, avaliando os critérios para inclusão no projeto, que são: faixa etária dos 14 aos 17 anos, apresentando necessidade de trabalhar um dos tópicos do grupo, como quadros depressivos e ansiosos, baixo limiar à frustração, fobia social e atitudes opositoras e desafiadoras, necessitando que o paciente consiga acessar o abstrato para que a terapia lúdica faça efeito. A partir da base geral dos jogos de RPG, foi criado um sistema de jogabilidade exclusivo do nosso serviço. O sistema adequa-se ao tempo de aplicação do grupo e das temáticas a serem trabalhadas, proporcionando a psicoeducação do usuário. O universo do jogo foi inspirado no livro DSM-V, associado a filmes, séries e jogos que os usuários se interessam para engajá-los no grupo e na história contada. Esse universo contém uma história não linear onde os pacientes irão ter que solucionar desafios baseados nas patologias psiquiátricas. A dinâmica do jogo possibilita aos usuários interpretarem um personagem fictício que disponibiliza o acesso ao conteúdo de seus sentimentos e comportamentos, criando desafios baseados em vivências dos usuários e os conscientizando a estabelecer um arsenal de recursos psíquicos contra suas inseguranças.
A dinâmica do grupo fez com que os usuários desenvolvessem o senso crítico sobre decisões que tomamos durante o dia a dia, produzindo reflexões de quais caminhos devem ser tomados para alcançar o seu objetivo. Tivemos melhoras significativas na interação social de alguns dos usuários, fazendo com que eles tenham estímulo de sair de casa e interagir com os colegas para conseguir cumprir os objetivos da campanha. Podemos observar também o empenho em manter a adesão ao serviço, comparecendo na maioria dos encontros programados, além de cumprirem as regras estabelecidas pelos técnicos responsáveis pelo grupo. Observamos também, um maior desenvolvimento de crítica dos pacientes em relação aos sintomas que os usuários possuem além de desestigmatizar as patologias psiquiátricas associadas aos rótulos sociais impostos pelo CID. Assim, consideramos que a evolução do projeto potencializou os ganhos já obtidos anteriormente, associado a novos horizontes terapêuticos que apresentam uma tendência de crescimento exponencial a partir das novas dinâmicas implementadas.
O grupo RPG Caps Fantasy está em um processo de evolução constante, onde a cada final de um arco narrativo (ex: caverna do pânico) fazemos pausas técnicas para avaliar novos mecanismos para adicionar ao sistema de RPG, além de retirarmos os sistemas que não apresentaram resultados esperados, com o objetivo de criar uma ferramenta lúdica sólida que possa ser replicada por profissionais da saúde mental interessados nessa temática. O próximo sistema que estamos inserindo é o espectro das emoções, onde, baseado nas emoções básicas de Paul Eckman, estamos desenvolvendo uma ferramenta que analisa a evolução do paciente no grupo associado a um mecanismo de gestão de riscos preditiva, assim utilizando esse recurso para alertar a referência técnica do usuário quanto a possíveis crises.
Lúdico, desenvolvimento, percepção, psicoeducação.
VICTOR HUGO SANTOLIM, SAMMY CAROLINE FIGUEIREDO DO ROSARIO, VALDIRENE APARECIDA OLIVEIRA, JACOB VICTOR DE SANTANA COSTA