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Apresentaremos o caso de uma mulher de 38 anos, ensino médio, cabeleireira, que teve a primeira gestação aos 13 anos. Aos 16 anos iniciou o uso de bebida alcoólica e substâncias psicoativas, o que acarretou desentendimentos familiares. Aos 22 ficou em situação de rua e possui histórico de internações de longa data, sendo a última em 2010, no hospital LACAN, onde permaneceu por 2 anos e 6 meses. Diagnóstica com TAB (transtorno afetivo bipolar) teve seus vínculos familiares rompidos desde então, sendo acompanhada pelo CAPS AD desde 25 de janeiro de 2010. Em maio de 2024, durante um episódio de intoxicação, foi espancada na rua, sofrendo uma lesão grave no membro inferior. Encaminhada ao Centro Hospitalar Municipal de Santo André, necessitou de cirurgia e colocação de fixador externo, com carga zero no membro por 60 dias. Durante a internação, foi transferida à psiquiatria por agitação psicomotora, nesse período, contraiu pneumonia hospitalar, sendo entubada e em risco de vida. Após extubação e estabilização do quadro clinico e psiquiátrico, foi acolhida em hospitalidade integral pelo CAPS AD para organização do cuidado, resolução de questões sociais e fortalecimento de vínculos familiares. Ao longo de 60 dias, o CAPS garantiu retaguarda até a retirada do fixador externo. Após avaliação do caso, foi encaminhada à Unidade de Acolhimento Adulto (UAA). Hoje, apresenta abstinência, estabilidade, vínculos familiares fortalecidos e perspectiva de autonomia financeira.
Promover acolhimento integral e cuidado multidisciplinar à usuária em situação de vulnerabilidade. – Estabilizar a saúde física e mental da usuária, garantindo estabilidade clínica e emocional. – Fortalecer os vínculos familiares e sociais, promovendo reinserção social e comunitária. – Estimular a autonomia e a construção de um projeto de vida saudável, alinhado ao projeto terapêutico singular. – Propiciar condições para reinserção no mercado de trabalho e conquista de autonomia financeira.
O trabalho foi desenvolvido por meio de acolhimento integral no CAPS AD, com uma equipe multidisciplinar composta por médico clinico, psiquiatra, monitor de oficina terapêutica, assistência social e enfermagem. Após estabilização clínica e alta da hospitalidade integral, foi organizado um plano de cuidado baseado no projeto terapêutico singular da usuária, contemplando as seguintes ações: 1. Cuidado multidisciplinar: Discussões de caso para organização do tratamento e resoluções das demandas. 2. Fortalecimento de vínculos: Mediação de contatos familiares, visando reaproximação e reconciliação. 3. Acolhimento para a UAA: Encaminhamento para a Unidade de Acolhimento Adulto (UAA) para continuidade do cuidado e reabilitação psicossocial. 4. Atividades terapêuticas: Participação em oficinas, grupos de apoio e atividades de integração, promovendo habilidades sociais e construção de autonomia.
A usuária demonstrou evolução significativa em diversos aspectos. Apresenta-se abstinente, estável e engajada nas atividades diárias da UAA. Seus vínculos familiares foram fortalecidos, permitindo reconexão e suporte emocional. Atualmente, participa de atividades físicas regulares, incluindo academia, e apresenta boa perspectiva quanto à continuidade do cuidado e reinserção social. A experiência resultou em melhoria do bem-estar emocional, social e físico da usuária. Com o suporte do CAPS AD e da UAA, ela desenvolveu habilidades para enfrentar desafios e traçar metas para o futuro, como recolocação no mercado de trabalho, conquista de autonomia financeira e aquisição de moradia própria. O caso evidencia a importância da atuação integrada e individualizada no cuidado psicossocial.
A experiência destacou a relevância do cuidado e articulações entre o Centro Hospitalar municipal, CAPS AD, Unidade de acolhimento adulto e da família. A abordagem centrada no indivíduo, com ações multidisciplinares e humanizadas, foi fundamental para reverter uma trajetória de exclusão e sofrimento. O caso reforça que o cuidado integral, aliado ao fortalecimento de vínculos sociais e familiares, pode transformar vidas e promover a autonomia. A usuária segue em evolução, com perspectivas positivas de vida. Este relato exemplifica a potência das ações realizadas no CAPS AD em parceria com a rede de saúde.
Vulnerabilidade social, Dependência química
FELIPE VOGADO, EDERSON BORDONI, ALINE APARECIDA PIMENTEL, NATHALIA REGINA PEREIRA, PATRICIA BATISTA ALVES TEIXEIRA